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KERRY
BLUE TERRIER
Bom companheiro, de visual incomum e origem recente, ele é
ainda pouco conhecido. Foi há cerca de 4 anos que Thierry
Gasparini Luize viu pela primeira vez um Kerry Blue Terrier.
Lá estava ele, numa exposição cinófila, com o longo cavanhaque
e o visual exótico que já atraíra Thierry em publicações especializadas.
Começou, então, a visitar os expositores, Rogério Torres e
Reynaldo Farah do Canil Longchamp em São Paulo-SP, de quem
comprou o primeiro exemplar. Mas foi o convívio com este cão
que conquistou Thierry por completo, revelando qualidades
que o surpreenderam. Hoje ele se especializou na raça em seu
Canil Turntable's de Americana-SP, onde tem 4 adultos. Em
seu local de origem, as montanhas de Kerry, na Irlanda, onde
surgiu há cerca de 150 anos, este terrier se acostumou a ajudar
o homem em tarefas bem diversificadas. Um exemplar típico
poderia de manhã reunir o gado para ordenha, de dia pastorear
ovelhas, a tarde caçar roedores nos estábulos e de noite dormir
com o dono para guardá-lo, além de às vezes acompanhá-lo numa
caçada a aves e pequenos animais. O resultado é que quem esperar
dele o temperamento teimoso imputado aos terriers em geral,
terá uma grande surpresa. Encontrará um excelente companheiro,
alegre, participativo de nosso dia-a-dia, pronto a se adaptar
a todas as situações. Ao mesmo tempo ele é dócil e naturalmente
obediente: não faz o que não queremos até mesmo quando está
fora do nosso alcance visual. Seu porte médio lhe dá a vantagem
de se impor mais do que outras raças de tamanho menor no momento
de nos proteger, atividade que realiza com empenho. Dá o alarme
com eficiência, não recua ao avanço de um estranho e pode
chegar a morder. Dentro de casa compensa seu tamanho médio
pela delicadeza nos movimentos. Ivone Tedesco de Americana-SP,
tem uma Kerry Blue, com 11 meses, para companhia. Ficou apaixonada.
Conta sobre seus pássaros de cristal e cerâmica espalhados
em mesas e lugares abertos, dizendo que "ela nunca derrubou
uma peça. Jamais pôs o nariz na mesinha ao lado da TV onde
há guloseimas. Quando vai tomar banho no pet shop, desce do
carro solta ao meu lado e vai até a caixa de transporte onde
costuma ficar aguardando sua vez. Ao buscá-la, abro a caixa
e ela me acompanha. Jamais estragou o jardim, nem roeu móveis
ou roupas. É companheira maravilhosa, conquistou nossa família".
AZUL
A aparência do Kerry Blue é obtida com a ajuda do corte estético
da pelagem, introduzido pelos americanos, canadenses e ingleses,
o que deu nova força à raça. Os Irlandeses, que o expuseram
pela primeira vez em 1916, não o aparavam, arrumando-o apenas.
Para mantê-lo elegante, basta escovar e aparar periodicamente,
sem precisar de papelotes nem de produtos e truques especiais
usados em raças de pêlos longos. Sua pelagem tem outros atrativos.
Aos 12 meses, a ondulação que era suave, se acentua. Até os
18 meses são permitidos pêlos negros. É nesta fase que passam
por um clareamento a partir da base até se tornarem azuis,
cor oficial raça, um cinza que vai do escuro ao claro, podendo
chegar ao quase branco, às vezes com a cabeça, cauda e patas
negras. "Em alguns aparecem até curiosos pêlos azuis, da cor
dos jeans", conta Thierry. Pelo impacto de sua aparência e
pela qualidade dos poucos exemplares que vieram ao Brasil
(estima-se menos do que 10), o Kerry Blue tem se sobressaído
em exposições. Foi duas vezes o melhor cão do Brasil, nos
Rankings da CBKC em 1979 e 1987. Não raro, quando se apresenta
em exposições de todas as raças, tem obtido o cobiçado Best
in Show, ou seja, o melhor da exposição.
FICHA
Peso: 15 a 18 kg. Tamanho: Macho 46 a 50 cm, Fêmea
44 a 48 cm. Orelha: em forma de V, caída para frente. A dobra
incorreta pode ser corrigida entre 8 e 12 semanas de idade
com orientação do criador.
Pelagem: escovar 1 vez por semana ou mais se preciso.
Aparar (trimming) a cada 2 a 4 meses.
Agradecimentos a Reynaldo Farah, do Canil Longchamp, São
Paulo-SP pelas informações cedidas. Texto: Marcos Pennacchi
Foto: Luiz Henrique Mendes. Prop.: Reynaldo Farah
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