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Ele tem um grande instinto de proteção que vem da época em
que guardava rebanhos e enfrentava predadores, como o Lobo
Gigante das estepes. A beleza da pelagem ondulada e branca
do Kuvasz e a sua expressão amigável podem ocultar a verdadeira
vocação da raça, aprimorada por séculos, que é essencialmente
a de proteção. Pastoreava e guardava rebanhos de povos da
Suméria e Babilônia. "Eram tribos nômades que moravam em tendas,
onde a presença de cães tornava-se difícil. Portanto, o contato
do Kuvasz com o homem era pouco íntimo. Vivia mais com o rebanho,
para vigiá-lo", explica a cinóloga Hilda Drumond. "Sua utilidade
original era cuidar de ovelhas e cavalos, função que exercia
até mesmo sem a companhia humana. Por isso, era importante
que desenvolvesse ao máximo a capacidade de afastar as ameaças,
pensando e agindo mais por si só do que outras raças criadas
para receber instruções do homem", avalia a americana Kathy
Ringering. O padrão da FCI - Federação Cinológica Internacional
o define como excelente guardião, extremamente corajoso e
audacioso. O Kuvasz transfere o instinto de proteger o rebanho
ao dono e à sua propriedade, estendendo os limites ao que
a vista alcança, o que torna necessário um muro alto (2,5m)
para que ele não o pule.
RESPEITO: O porte avantajado caracterizado por uma
robustez moderada e não pesada, aliado a uma atitude sempre
alerta que o faz latir firme e insistentemente, bastam para
impressionar qualquer intruso. Na defesa pessoal, a criadora
americana Lorraine Blosser conta que age posicionando-se entre
o dono e o que lhe parece ser a ameaça, e tenta afastá-la.
Se falhar, usa a força e os dentes. Tudo isso é tão rápido
que às vezes nem se percebe a seqüência. "Esta é a raça mais
perceptiva e intuitiva que já vi", comenta ela. Às vezes parece
dormir, mas pode estar em pé em uma fração de segundo.
REAL PERIGO: O seu estilo de superestimar o perigo,
partindo do princípio que tudo o que se aproxime e é desconhecido
representa uma ameaça, pode não ser ideal na vida urbana ao
se traduzir em constantes latidos. Por isso, convém socializar
o filhote que vive na cidade, ajudando-o reconhecer o real
perigo. Isto é feito reprimindo-o nas situações em que late
ou demonstra agressividade não queremos que o faça. Por outro
lado, devemos incentivá-lo quando desejamos reforçar o seu
comportamento. É importante que, desde pequeno, fique bem
claro que nós estamos no comando, se não quisermos que ele
se julgue o líder e aja como tal, dizem Marcelo e Luciana
Abrileri, proprietários de um casal. Quanto mais permitimos
que se desenvolva o seu comportamento independente, mais nos
parecerá teimoso. Não deve ser adestrado para o ataque, sob
o risco de ficar agressivo demais. Com os membros da família
é dócil, inclusive crianças e amigos, por quem gosta de ser
afagado. A estrutura física deste cão que tem peito profundo
e garupa ligeiramente inclinada, além da musculatura enxuta,
favorece a constante movimentação sem grande esforço e, com
isso a cobertura de grandes extensões. "Sua construção sólida,
com ossatura forte sem ser pesada, permite que percorra grandes
distâncias, qualidade importante para acompanhar os nômades
e enfrentar predadores pesados, como os Lobos Gigantes das
estepes, com cerca de 60 a 80 kg", explica Hilda. A região
lombar longa permite que mude bruscamente de direção, por
dar muita flexibilidade. Essas características o tornam apto
para buscar uma rês desgarrada e para enfrentar com agilidade
um invasor. Tem faro apurado, mencionado no padrão, e a pelagem
dificilmente embaraça nem suja demais, a despeito de ser branca.
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FICHA
Características físicas: as diversas partes do corpo
são bem proporcionadas, nem muito longas, nem muito curtas.
Olhos bem escuros, amendoados; nariz, lábios e pálpebras
pretos; mordedura em tesoura; orelhas triangulares e caídas,
pescoço forte.
Pelagem: branca, grossa, áspera e ondulada, com
subpêlo denso e lanoso.
Escolha do filhote: como a raça é sujeita a displasia
coxo-femural recomenda-se verificar o certificado de isenção
dos pais. Cuidados: dar banho só quando necessário para
não retirar a oleosidade natural do pêlo e ressecá-lo.
Tamanho: machos de 71 a 75 cm com 40 a 52 kg e
fêmeas de 66 a 70 cm com 30 a 42 kg.
Classificação:Cão Pastor - pela FCI / CBKC (grupo
1, seção 1, a mesma do Pastor Alemão). Consta como país
de origem a Hungria, para onde foi trazido em tempos mais
atuais.
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Para ler: desconhecemos livro da raça. Base do padrão:
FCI nº 54 de 2/7/66, em francês.
Agradecemos à consultoria de Mette Von Leszna do Danebo
Kennel, São Paulo - SP e da cinóloga Hilda Drumond que também
revisaram este texto, juntamente com José Pedutti Neto, juiz
all rounder pela CBKC. Agradecemos também à consultoria das
criadoras americanas Lorraine Blosser, tel. (001520) 476-3718
e Kathy Ringerling (001314) 756-8321. Reportagem: Carmen Olivieri.
Edição de texto: Marcos Pennacchi. Foto: Luiz Henrique Mendes.
Prop.: Marcelo Abrileri.
Direitos
autorais do texto: Cães&Cia, é proibida a
reprodução total ou parcial do texto
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