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Ele conquista novos fãs com seu charme e facilidade em se
adaptar à ausência dos donos Surpresa geral. O Lhasa Apso
passa por uma expansão inédita para a raça. Nos últimos dez
anos, multiplicou por mais de cinco vezes a quantidade anual
de filhotes registrados - no mesmo período esse indicador
não chegou a duplicar para o conjunto das raças da Cinofilia
nacional. Tudo indica que esse companheiro de densa pelagem
continua em alta. O interesse por ele é perceptível nos 50
pet shops de São Paulo onde as edições já publicadas da Cães
& Cia são comercializadas. Os freqüentadores desses estabelecimentos
fazem do Lhasa Apso o décimo assunto mais procurado entre
os cerca de 400 temas disponíveis. Há um universo em inegável
expansão para os cães pequenos e peludos. Trata-se dos lares
nos quais coincidem o pouco espaço físico e o desejo de ter
um cão de companhia. Neles, os cães fofinhos mais populares
- o Lhasa Apso, o Maltês, o Shih Tzu e o Yorkshire ganham
força cada vez maior. Para quem trabalha fora e precisa deixar
o cão sozinho, o destaque é para o Lhasa. Por ser o mais calmo
entre os pequenos peludos, pode ser deixado sozinho por longos
períodos, se acostumado à solidão desde filhote. Não late,
perturbando a vizinhança, nem incomoda os donos, bagunçando
a casa para esquecer a solidão. Prefere esperar, em paz, que
volte gente para casa, cochilando e brincando sozinho. Um
estilo discreto, revelado também durante os afazeres domésticos
dos donos, quando o Lhasa fica por perto, mas sem disputar
a atenção. Nem por isso falta calor na relação com um Lhasa
Apso. Apenas as demonstrações de afeto se concentram em determinados
momentos. Na volta do dono ao lar, por exemplo, as saudades
explodem e o Lhasa costuma oferecer uma festiva recepção.
O aconchego e o carinho são reservados para quando o dono
relaxa no sofá ou chama o cão. O Lhasa não é, certamente,
um adepto de longas caminhadas. Apesar de movimentar-se com
desenvoltura, bastam alguns quarteirões para vê-lo querer
voltar para casa. Por outro lado, é o maior dos quatro cães
peludos mais populares, e seu tamanho não facilita levá-lo
por muito tempo no colo. Realmente, trata-se de um ser destinado
à vida caseira. Quanto à pelagem, se for deixada crescer à
vontade, alcança o chão com menos de um ano de idade. A maioria
dos donos está deixando seus Lhasas com os pêlos longos, apenas
um pouco aparados. Porém, há diversas possibilidades de cortes,
para atender todos os gostos. Um lacinho na cabeça ou algum
outro acessório tem tudo a ver com o charme de um cão como
esse. Os cuidados mais freqüentes destinados à pelagem do
Lhasa são a escovação e o banho. O ideal - as escovadelas
diárias para evitar o excesso de nós - não é a prática mais
comum. Para alguns donos desagrada ver seus Lhasas incomodados
com os puxões devido à presença de nós. Quando a pelagem é
boa - com pêlos lisos e ásperos, nem lanosos, nem sedosos
-, a ausência de nós é uma característica elogiada. Porém,
parte dos Lhasas encontrados no Brasil possui excesso de subpêlo,
que é lanoso, ou pêlos sedosos, e aumentam as chances de aparecerem
nós. Quem não tem esse problema, desfruta momentos agradáveis
com o cão, durante a escovação. Ninguém melhor do que os próprios
donos - os reponsáveis pela revolução expansionista do Lhasa
- para revelar como é ter esse cão. O padrão define o temperamento
dele como alegre, autoconfiante, alerta, estável e um tanto
reservado com estranhos. Saiba como são os Lhasas dos donos
entrevistados por Cães & Cia, e conheça melhor esse astro
em ascensão.

SER LHASA É...
"Sempre que a campainha de casa toca, Nina começa a latir
e só pára quando alguém da casa vem atender a porta", Maria
Manuela. "Quando tocam a campainha, Lucy late à porta. Depois
de observar a pessoa e se acostumar com a presença dela, a
aceita", Renato. "Quando escuta um barulho diferente, Tango
dispara e late à porta, como se protegesse a família de algum
possível invasor", Florana."É só a campainha tocar e Bruce
corre até a porta e late", Rosana.
FICAR COM UM PÉ ATRÁS COM OS ESTRANHOS
"Para o estranho, Nina dá alguns latidos. Se ele fizer carinho
nela, ela faz festa. Se o estranho a ignorar ou for hostil,
late e o circunda, desconfiada, e é capaz de mordê-lo, se
ele vier diretamente em minha direção", Maria Manuela. "Bruce
recebe o desconhecido, observando-o, Em geral faz festa. Duas
ou três vezes latiu para entregadores", Rosana."Woody late
muito para algumas pessoas completamente estranhas, como ocorreu
com um pedreiro e uma empregada da vizinha", Maria Angela.
ESPERAR TRANQÜILO O DONO VOLTAR
(se for acostumado a ficar sozinho) "Nina jamais protestou
por ter de ficar sozinha. Ela parece perceber quando ficaremos
o dia todo fora e cochila tranqüila", Maria Manuela. "Lucy
desde o início fica sozinha no apartamento, dormindo ou mordiscando
e transportando brinquedos ou algum objeto ao alcance. Adora
a ponta de um tapete! Mas nada disso me traz problemas", Renato.
VIVER EM PAZ COM OS VIZINHOS
"Nunca tive reclamação dos vizinhos. Nina não late o suficiente
para ser notada", Maria Manuela. "Os vizinhos se surpreendem
ao descobrir que tenho Lucy, porque ela praticamente não late",
Renato. "Meus vizinhos só têm elogios a Woody", Maria Angela.
BRINCAR COM O DONO
"Depois de crescer, Nina substituiu os brinquedinhos dela
por objetos, como uma meia ou o ursinho da minha filha. Gosta
de correr e de derrapar no piso, arrancando risadas", Maria
Manuela. "Bruce gosta de pegar uma roupa ou sapato e mostrar
para todos, provocando para brincar de pega-pega", Rosana.
"Quem resiste quando Woody traz o morango que apita ou outro
brinquedo na boca? Ou quando corre pelo jardim, como louco,
por uns cinco minutos?", Maria Angela. "Tango adora os brinquedinhos
dele e quando ganha um novo, balança o rabo feliz", Florana.
SER OBEDIENTE
"Basta um chamado ou um 'não' de qualquer pessoa da casa e
Nina logo obedece", Maria Manuela. "Bastou um 'não' para que
Lucy aprendesse para sempre a não subir na minha cama. Dizendo
'quieta' e acalmando-a, consegui que não ficasse mais agitada
no banho", Renato. "Bruce é ótimo aluno e atende sempre os
chamados", Rosana.
SER LIMPO
"Duda adquiriu o hábito de fazer as necessidades no jornal,
em uma semana", Adriana. "No primeiro dia, Bruce carimbou
o meio da sala. Passei o jornal na sujeira e pus as folhas
na área de serviço. Ele aprendeu logo a usar o lugar certo",
Rosana. balançando o rabo, andando ao meu redor e dando rápidas
lambidas", Renato. "É a maior alegria quando alguém da casa
chega. Bruce late e balança o rabo de felicidade", Rosana.
"Ao entrar em casa, Nina só tem olhos para mim. Balança a
cauda, me lambe e late", Maria Manuela.
MORDISCAR SEMPRE QUE POSSÍVEL
"Quando filhote, Nina limitava-se a morder seus brinquedinhos.
Agora rói ossinhos - um a cada dois dias", Maria Manuela.
"Uns cinco pares de chinelos, foi o que Tango destruiu, enquanto
seus dentes cresciam. Agora mordisca os brinquedos e 'detona'
um ossinho a cada dois dias", Florana. "As marcas dos dentinhos
de Lucy estão nos pés de mesas e cadeiras, entre outros móveis
- lembrança da época do crescimento dos dentes. Agora, com
um ano, dá suas mordiscadas no que estiver ao alcance, mas
sem causar incômodo", Renato.
PROTESTAR UM POUCO PELA SOLIDÃO
(se o hábito é ter sempre companhia) "Tango fica sozinho das
8 h da manhã, quando vou trabalhar, até as 9 h, quando chega
a empregada. Ao me ver sair, faz chantagem emocional, com
uma expressão bem triste", Florana. "Raramente deixo Woody
sozinho e quando acontece é por cerca de três horas. Ele não
é destruidor, mas, às vezes, faz xixi fora do lugar certo,
o que considero uma forma de protesto", Maria Angela.
SER UM COMPANHEIRO PRESENTE
"Faço os afazeres domésticos e Nina permanece por perto, em
repouso. Mudo de cômodo, Nina também", Maria Manuela. "Mesmo
depois de eu ter ficado fora o dia todo, Lucy me observa entretido
nos trabalhos de casa ", Renato. "Bruce me segue pelos ambientes
da casa, discreto, contemplativo. Tira sonecas até com música
alta, perto da caixa de som", Rosana. DAR BOAS-
VINDAS ÀS VISITAS
"Nina brinda os conhecidos com três minutos de festa. Depois
volta para o canto dela", Maria Manuela. "Woody trata muito
bem as visitas, com alegria", Maria Angela. "A visita chega
e Bruce interrompe o repouso. Faz uma recepção discreta, mas
festiva", Rosana. "Tango festeja a visita. Se ela não der
bola, volta ao canto dele. Se der, brinca mais um pouco e
mostra-se simpático", Florana.
TER INTIMIDADE COM ESCOVA E BANHO
"Adoro escovar Bruce por dez minutos, todos os dias. Ele gosta
e fica quietinho. No banho, também fica ranqüilo, mas não
gosta. Dou dois por mês e outros dois ele toma no pet shop.
A pelagem é aparada, para ficar um pouco acima do chão", Rosana.
"Evito escovar Nina para não machucá-la ao puxar os nós -
ela está com os pêlos com comprimento médio. Uma vez por semana,
toma banho e é escovada no pet shop, para ficar limpa e bonita",
Maria Manuela. "Toda semana Woody vai ao pet shop tomar banho
e, uma vez por mês, apara as pontas dos pêlos. Uma vez por
semana, escovo-o.
A CABEÇA
DO DONO FICA ASSIM...
Melhor? Não há. "Lucy é o sonho de qualquer dono. Estou totalmente
apaixonado por ela", Renato. "Minha filha Liz, que não mora
mais em casa, deixou Woody, filhote, comigo por algumas semanas.
Na época eu não queria cães, mas me apaixonei por ele logo
que o vi. Passou um ano e meio e Liz insiste: quer ganhar
outro Lhasa quando Woody for papai", Maria Angela. "Tango
me deixa livre para a minha rotina e é muito carinhoso, um
cão iluminado", Florana. É lindo! Eu quero esse cão. "Eu nunca
tinha visto um Lhasa. Naquela feira de animais estava Nina.
Era um filhote lindo. Segurei-a e não consegui mais largar.
Ainda por cima, o vendedor garantiu que a raça era boa para
pequenos espaços. Levei-a, no ato", Maria Manuela. Opção inteligente.
"Moro sozinho em apartamento e trabalho fora. Depois de pesquisar
por meses no site da Cães & Cia, e importar dois livros sobre
o Lhasa, concluí: aquele era o cão de companhia que procurava,
pois pode ficar só e é lindo", Renato. "Deduzi que o melhor
para mim seria o Lhasa, depois de pesquisar na internet, em
vários sites. A raça era indicada para apartamento e para
ficar sozinha. As fotos eram uma graça. Foi chegar ao canil
e me apaixonar", Adriana. "Meu marido viu um cão lindo na
rua, averiguou que era um Lhasa Apso, encomendamos todos os
números da Cães & Cia sobre a raça e constatamos que era ideal
para apartamento. Compramos Bruce", Rosana. Ele gosta, embora
às vezes fique inquieto, por puxar um nó", Maria Angela. TER
CIÚME DO DONO
"Estou grávida, e Tango chega a morder a mão do meu marido
se ele acaricia muito a minha barriga", Florana. "A adoração
de Nina por mim é tamanha que, às vezes, ela começa a latir
ao ver alguém me abraçando" Maria Manuela. "Até dos seus brinquedos
Woody tem ciúme. Quando alguém pega um, enquanto não o devolve,
ele não sossega", Maria Angela.
SINALIZAR QUANDO SE SENTE INCOMODADO
"Preciso de uma hora e meia para lavar, secar e escovar Bruce
e ele não gosta. Quando o pego para dar banho, ele rosna,
mas não morde", Rosana. "Se tento dar comida ao Tango antes
da única hora que ele a aceita - no fim da tarde - a reclamação
é imediata. Ele dá três passos para trás e late indignado",
Florana. "Às vezes, enquanto brinco com Lucy, mexo no rabo
dela, para provocá-la. Ela dá uma virada e faz cara de que
não gosta. Se insisto, ela simplesmente vai embora e não aceita
mais brincar", Renato.
FAZER PASSEIOS RÁPIDOS
"Costumo levar Lucy para andar todos os dias e ela gosta muito.
Mas as caminhadas não são longas, porque Lucy logo cansa",
Renato. "Cada dia caminho por cerca de quatro quarteirões
com Nina, na guia. Para não trazer sujeira para casa, aparo
os pêlos das patas e a pelagem, para evitar que ela 'varra'
a rua", Maria Manuela. "Nos fins de semana costumo dar a volta
ao quarteirão com Tango. Vamos com calma, pois Tango gosta
de parar em cada casa que tem cão. Ao completarmos a volta,
ele faz de tudo para entrar", Florana.
PARA
COMPRAR BEM O LHASA APSO
Conheça as dicas de duas grandes conhecedoras de Lhasa Apso:
Ana Beatriz Knoll, juíza de todas as raças e criadora da raça
há 20 anos pelo Canil Excalibur Quest, e Vania Breim, juíza
de todas as raças e groomer, que, como handler, já apresentou
Lhasas muito premiados em exposições. Observar a qualidade
da pelagem: "A pelagem certa do Lhasa é longa, áspera, cai
junto ao corpo e é um pouco dura. Em muitos exemplares, porém,
é incorretamente lanosa, o que forma nós e dificulta a escovação.
A característica fica bem perceptível a partir dos três a
quatro meses de idade. Quando os pais têm boa pelagem, aumentam
as chances de o filhote tê-la também", Vânia. Notar o focinho
e a dentição.: "Ninguém quer um Lhasa com uma bela pelagem,
mas com os dentes de fora, o que o deixa feio.
O prognatismo (dentes de baixo mais à frente do que os de
cima) exagerado tem grande chance de ocorrer no Lhasa, devido
à sua mordedura típica ser em tesoura invertida (dentes de
baixo ligeiramente mais à frente do que os de cima)", Vânia.
"Prefira um filhote de Lhasa com as pontas dos dentes de cima
e de baixo se tocando ao fechar a boca ou com os dentes de
baixo ligeiramente mais atrás do que os de cima.
O prognatismo se acentua até os cinco meses. Se o filhote
já for prognata, provavelmente será prognata demais quando
adulto", Ana Beatriz. Boa pigmentação e bela maquiagem : "As
regiões das almofadas das patas, dos lábios e ao redor dos
olhos devem ser pretas (nunca cor-de-rosa ou marrom) a partir
dos 60 dias. Essa boa pigmentação contribui para formar um
conjunto harmônico", Ana Beatriz. Acostume o Lhasa Apso às
pessoas estranhas.: "Suavize o instinto protetor desse pequeno
guardião, para ele não ficar pouco tolerante com estranhos.
Lembre-se: no país de origem ele é chamado de Apso Seng Kye,
ou seja, Cão Leão Sentinela Alarme", Vânia. Não recomendável
para crianças com menos de seis anos "O Lhasa é tranqüilo,
mas protesta ao se sentir incomodado. Crianças pequenas podem,
com movimentos e atitudes bruscas, receber rosnados de alerta
do Lhasa e até ser mordidas, passando a temê-lo", Ana Beatriz.
PARA SABER MAIS
Livros:
1)The Complete Lhasa Apso, de Norman e Carolyn Herbel, Howell
Book House , tel. (00xx1-212) 654-7503.
2)Your Lhasa Apso, de Robert J. Berndt, Denlinger Publisher
Ltd., Fairfax, Virginia, EUA. Clube: Clube do Lhasa Apso,
Rio de Janeiro, tel. (21) 571-7787. Agradecemos aos entrevistados,
inclusive aos criadores Fernanda Colagrossi, Regiane Filka
e Wagner Fernandez, e às donas de Lhasa, Maria Iracy Souza
Pereira e Silvia Brito, aos petshops Raio de Sol (Jacarepapaguá)
e Companhia dos Bichos (São Paulo). Reportagem: Rodrigo Flores.
Coordenação e texto: Marcos Pennacchi. Revisão técnica (secretariada
por Fabio Bense): Ana Beatriz Knoll, Hilda Drumond e Vania
Breim (Introdução e Para comprar bem o Lhasa). Adriana Matos,
Florana Taddeo, Maria Angela Habib, Maria Manuela Ranieri,
Renato Alvarenga, Rosana Pimentel (Introdução e Depoimentos).
Direitos
autorais do texto: Cães&Cia, é proibida
a reprodução total ou parcial do texto
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