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MASTIFF: O DESAFIO DE SER GIGANTE

 
 


Veja como a condição de raça mais pesada do mundo influi nas atividades relacionadas à sua criação. Ele é o cão mais pesado do mundo, ocupa lugar no Guinnes Book com um exemplar inglês que chegou a pesar 155,58 kg, mais de 30 kg acima do mais pesado lutador de boxe da história, o italiano Primo Carnero. O Mastiff Inglês é mesmo um gigante, o corpo massudo e longo, com uma musculatura bem definida, a cabeça larga e um pescoço poderoso que impressionam qualquer um. Raça de origem milenar, com mais de 4 mil anos, foi usada em guerras, combates e em espetáculos de arena, onde enfrentou ursos e leões e destacou-se pela ferocidade. Teve, desde que deixou de participar dessas atividades, o seu temperamento abrandado e fixado, o que o faz, hoje, bastante equilibrado. Mesmo com o apurado instinto de guarda, aliado à sua real e aparente força física, que lhe proporcionam um ataque implacável nas situações de ameaça, o Mastiff, quando acostumado aos estranhos desde pequeno, não precisa ser preso pelo dono ao receber visitas, pois se torna dócil e amigável com elas. Deita-se aos seus pés, roça a cabeça nas suas pernas, levanta as patas para pedir carinho e depois dorme tranqüilamente ao lado delas, com roncos profundos e altos, dignos mesmo de um animal cujo peso médio gira em torno dos 90 kg.

HARMONIA
O desafio na criação do Mastiff Inglês é conseguir exemplares bastante grandes, porém com a estrutura física harmônica, o que é uma tarefa difícil num cão que se desenvolve tão rápido. Seu peso pode se multiplicar por 4 só no primeiro mês de vida, ou seja, o filhote que nasce até com 700 g, chega em 30 dias aos 2,80kg. Durante a fase de maior crescimento até 1 ano e meio, pode atingir os 100kg, o que exige um acompanhamento intenso do proprietário para que se obtenha um cão adulto de porte avantajado e bem distribuído. Complementos vitamínicos e aminoácidos, específicos para cães, são necessários e devem ser dosados em função do peso, com acompanhamento veterinário. Seu uso, porém, exige exercícios regulares, úteis também para evitar a obesidade, que entre outros males pode trazer maus aprumos. Eles devem ser moderados nos primeiros 12 meses, como caminhadas de 30 minutos, já que o filhote ainda não está muscularmente preparado para altos impactos. A FCI - Federação Cinológica Internacional, que adota o padrão da Inglaterra, país de origem da raça, não estabelece limites de tamanho, mas exige equilíbrio físico, determinando que: "altura e substância são dois pontos importantes, se proporcionados". Já o do AKC - American Kennel Club apenas estabelece uma mínima de 76cm para machos e 70 cm para fêmeas, o que na opinião de Douglas B. Oliff, autor do livro. "The Mastiff and Bullmastiff Hand-Book", representa um retrocesso, pois apesar de não ser desejado o Mastiff pequeno, o fato de ele ser alto não implica necessariamente em ser grande e massudo.

MAIOR
O objetivo, comum a todos, de aumentar o tamanho da raça, tem sido atingido. Conforme analisam Carlos e Luiz Renato Flaquer Rocha, veterinários e criadores desde a década de 70, se compararmos os exemplares que se apresentavam nas exposições entre as décadas de 70 e 90, veremos que a média de peso e altura subiu de 80 kg e 77cm para 100 kg e 82cm, respectivamente. Sem dúvida, esse progresso é o resultado do trabalho de criadores idôneos, que importam cães para renovar as linhas de sangue e fazem uma seleção estudada dos padreadores e matrizes adequados para que se consiga, ao longo de várias gerações, obter exemplares grandes sem perder as proporções.

ATALHOS
Há indícios de que pessoas inescrupulosas, para conseguir mais rapidamente o cão ideal ou aprimorar outras raças de grande porte, têm utilizado a miscigenação. Os nossos 5 entrevistados (vide nomes na ficha) são unânimes em afirmar que parte do nosso plantel apresenta sinais desta mistura, o que ao invés de trazer a melhora que se espera, produz características indesejáveis, causando um grande prejuízo à raça. O Mastim Napolitano, por exemplo, estaria sendo usado para deixar o Mastiff mais massudo, o que é perceptível em cães com a cor cinza azulado, sem a tão desejada máscara negra, com a linha superior selada, inserção da cauda mais larga e movimentação atípica, pois o Mastiff puro não rebola para andar, além de diminuir a altura. Pressupõe-se que o Dogue Alemão, por sua vez, seja colocado para aumentar a altura, conseqüentemente, afinando a estrutura, estreitando o corpo, deixando-o mais longilíneo, com a cabeça e focinho mais compridos e a pelagem mais rala. Acredita-se que até o São Bernardo (sabidamente usado para salvar o Mastiff da extinção no pós segunda guerra, quando o plantel estava quase dizimado, e de certa forma até contribuiu para acalmar o temperamento da raça) continua sendo misturado até hoje. A base deste pensamento é que ainda aparecem, 50 anos depois, cães com pelagem mais longa e manchas brancas na cara, nas patas e no peito, características do São Bernardo. O criador Trieste de Lucca Perri é da opinião que "alguns filhotes, até de ótimas linhagens, nascem com manchas brancas por herança genética de outros antepassados". Silvia E. Crusco dos Santos, especialista em Reprodução Animal, explica que, apesar de ser remota, existe a possibilidade de certos genes voltarem a se manifestar após um longo período. Portanto, não se pode afirmar categoricamente que este cruzamento se estenda até os dias atuais. O fato é que os produtos das misturas, independente das raças usadas , sempre trazem "efeitos colaterais". Mesmo os exemplares que nasçam com a tipicidade física do Mastiff Inglês, carregam geneticamente as características dos seus ancestrais e podem transmiti-las no futuro, dificultando ainda mais o trabalho de aprimoramento. Pessoas que praticam a mestiçagem ainda acabam gerando documentos falsos. Essas iniciativas, portanto, devem ser condenadas em todos os aspectos. Outro método para gerar massa muscular rapidamente é a aplicação de anabolizantes, "o que causa esterilidade", informa Carlos Flaquer Rocha. Artifícios como esses em nada acrescentam à boa criação.

FICHA

Compra do filhote:
" O filhote já deve ter ossatura forte, patas grossas, peito largo, cabeça pronunciada e quanto mais mascarado melhor. Se o interior das orelhas for preto, significa que a parte de fora, que costuma nascer clara, também escurecerá, como se deseja". Carlos e Luiz Renato Flaquer Rocha, do Canil Chaputepek, São Paulo - SP. "Deve-se dar preferência à mordedura em torquês ou tesoura, pois os adultos são prognatas e os filhotes que já nascem com um leve prognatismo (aceito pelo padrão) tendem, com o crescimento, a acentuá-lo mais do que o desejado", Trieste de Lucca Perri, Canil Vista de Manduri, São Paulo - SP. "É fundamental exercícios físicos e complementos vitamínicos ajustados ao desenvolvimento do peso do filhote para que cresça com boas proporções", Francisco Antonio Arrobas Martins, Canil Arrobas, São Paulo - SP. "Até 1 ano de idade os exercícios devem ser moderados, pois a estrutura óssea é pesada, mas a musculatura ainda é fraca para aguentar muito esforço. Somente a partir de 1 ano e meio pode-se exercitá-los com mais intensidade e até submetê-los a provas de agility". , Maria Rita F. da Rocha, Canil dos Tapuias, São Paulo - SP.

Cuidados: "O Mastiff não pode ser criado em lugares com o piso escorregadio. Muito pesado, sua patas entortam, os dedos ficam espalmados e os jarretes (calcanhar) fecham", Ibrahim Elias Hercheui, Canis Bamborê e Hin.

Adultos: " O peso do Mastiff se desenvolve até os 3 anos, sendo que a altura estaciona antes, por volta de 1 ano e meio. A testa é lisa e deve apresentar rugas quando o cão estiver em atenção, mas nunca em excesso. Em função do peso de formam calos de apoio nas juntas, que só devem ser retirados se inflamarem, pois servem de proteção", Trieste.

Cor: fulvo-abricó, fulvo-prateado ou fulvo-tigrado escuro. Em qualquer desses casos, as orelhas, a trufa e o focinho são de cor preta que se extende por entre os olhos, ilhados com preto (Padrão CBKC de 11/04/94).

Pelagem: densa (dupla), curta,levemente maior sobre o pescoço, ombros e garupa.

Problemas: como toda raça de porte pesado, pode apresentar displasia coxo-femural (desajuste da cabeça do fêmur).

Agradecemos aos criadores pelas longas entrevistas e revisão deste texto, feita também por Hilda Drumond. Reportagem e redação: Flávia C. Soares. Edição de Texto: Marcos Pennacchi Foto: Luiz Henrique Mendes Prop.: Canil Vista de Manduri
Direitos autorais do texto: Cães&Cia, é proibida a reprodução total ou parcial do texto

 
   
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