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PASTOR
BELGA: MIL HABILIDADES
O temperamento desses versáteis cães é muito semelhante, mas
cada variedade tem suas próprias características. Poucos brasileiros
conhecem bem esses elegantes Pastores Belgas. Já em sua terra
natal e outros países vizinhos, como Holanda e França, além
dos EUA, são mais populares. Só para dar uma idéia: enquanto
no Brasil, no ano passado, foram registrados apenas 265 exemplares,
na França, segundo o Clube Français du Chien de Berger Belge,
alcançaram um total de 4.775 registros. Há quatro variedades
de Pastores Belgas. Fisicamente, as únicas distinções que
apresentam estão na cor e no tipo de pelagem. Tanto que o
padrão oficial, responsável pela descrição das características
das raças, é o mesmo para todos. "Se fossem raspados, seria
muito difícil dizer quem é quem", comenta Maria Angélica Garcia,
do Stanovoi Kennel, Fortaleza - CE. O Groenendael, de pelagem
longa e negra, é o mais difundido aqui, embora ainda seja
confundido com o Pastor Alemão preto. Os outros três são praticamente
desconhecidos. Só aparecem na cor bege mesclada com preto,
combinação denominada fulvo-encarvoado. Porém, cada um tem
um tipo de pelagem: longa, no Tervueren; curta, no Malinois,
e dura e levemente encaracolada no Laekenois, que é o mais
raro dos quatro no mundo. Apenas na Holanda, é bastante conhecido
e criado. No Brasil, sequer há notícias.
VÁRIOS DONS
No temperamento, possuem muito em comum. Afinal, a origem
deles é a mesma. Todos descendem de antigos cães de pastoreio
da Europa. No final do século 19, as variedades, com a aparência
que conhecemos hoje, começaram a ser selecionadas, e assim
surgiram as diferenças temperamentais. A cinóloga Hilda Drumond
explica: "a partir do momento que há um processo de seleção
de cruzamentos para fixar certas características físicas,
a carga genética vinculada a elas também influi nas características
temperamentais". Para detectar as diferenças entre os três
Pastores Belgas mais conhecidos - Groenendael, Tervueren e
Malinois, Cães & Cia falou com dois criadores europeus, dois
americanos e um canadense, que os conhecem bem. Veja no texto
ao lado da foto de cada um, os traços temperamentais de alto
destaque (os mais marcantes na variedade) e aqueles que também
merecem ser ressaltados. Os Pastores Belgas são incrivelmente
rústicos e habituados à vida ao ar livre. Adaptam-se a qualquer
ambiente climático devido à pelagem densa e espessa, que resiste
ao clima de estações bem marcadas da Bélgica, com calor, neve
e chuvas. Muito ativos, adoram correr por horas seguidas.
Daí a necessidade de viverem em ambientes espaçosos, onde
possam se exercitar à vontade. Senão, passear na rua, duas
ou três vezes por dia, é condição obrigatória para o bem-estar
desses cães. Ágeis e de estrutura especialmente feita para
andar bastante, podem vigiar grandes áreas sem se cansar.
Toda essa vitalidade em conjunto com o alto grau de obediência
e a devoção em servir ao homem, os tornam aptos a várias outras
atividades. São excelentes competidores em esportes caninos,
como o agility, que exige rapidez para vencer obstáculos,
e o flyball, prova de habilidade em pegar uma bola e trazer
ao dono. Desempenham igualmente bem trabalho de busca e salvamento,
guia de cegos, guarda e cão de polícia - função para a qual
são muito utilizados na Bélgica. Aliás, a atuação de cão policial
salvou os Pastores Belgas da extinção durante as duas Grandes
Guerras. Ao contrário da maioria das raças, que nesses períodos
foi quase dizimada, eles foram preservados graças à habilidade
nos serviços militares como mensageiros, patrulheiros de fronteiras
e auxiliares da Cruz Vermelha, entre outras tarefas. O Malinois
faz até parte do livro dos recordes, o Guiness Book, como
o maior farejador de drogas de todos os tempos. Durante a
ECO 92, no Rio de Janeiro, também foi escolhido para fazer
a segurança do Presidente Bush, dos Estados Unidos. São cães
muito afetuosos. Como bem explica a criadora e juíza francesa
Françoise Sarlat, do Chenil Bressuire, os Pastores Belgas
precisam ter contato conosco para ficarem felizes. "Se permanecerem
soltos no jardim, sem nenhuma atenção, tornam-se tristes".
Com crianças, vale a virtude dos sábios: paciência, uma qualidade
típica dos cães de pastoreio. O alto instinto protetor em
relação às pessoas próximas, faz com que andem circundando
o dono em vez de seguirem ao lado, característica tão peculiar
que o próprio padrão a comenta. Defendem com coragem extrema
a propriedade e os donos. Outra característica interessante
é que não abandonam o território para perseguir um invasor
em fuga. Trata-se de mais uma herança da vida de pastor, na
qual não podiam largar o rebanho sozinho. De pessoas estranhas
não gostam nem um pouco. Caso não sejam devidamente apresentados
pelos donos, avançam mesmo. O ataque também apresenta uma
peculiaridade. Mordem e soltam, repetidamente. Dessa maneira,
ficam menos expostos ao agressor, pois não permanecem agarrados
a ele, sujeitos a revides. Como cães de alarme, deixam um
pouco a desejar - latem para qualquer coisa, seja o gato no
telhado ou o ladrão pulando o muro.
COMO NASCERAM
Por reunirem muitas aptidões, em suas origens, no século 18,
foram utilizados para ajudar os pastores a vigiar e conduzir
os rebanhos de ovelhas em grandes migrações. Quando não estavam
nessas missões, tomavam conta da casa e da família. A aparência
atual desses cães só começaria a surgir no final do século
19. Em 1891, o veterinário Adolphe Reul foi incumbido de estabelecer
e aperfeiçoar uma raça de pastoreio nacional. Reuniu mais
de cem cães em Curenghen, Bruxelas, e descobriu que entre
eles havia um grupo com características homogêneas: porte
médio, altura entre 50 a 55 centímetros, peso aproximado de
18 quilos, olhos marrom-escuros, orelhas pequenas, eretas
e triangulares, tórax estreito, garupa com linha superior
horizontal e cauda longa. Diferiam apenas no comprimento,
textura e cor da pelagem. No ano seguinte, era redigido o
primeiro padrão do Pastor Belga, reconhecendo três variedades:
pêlo longo, curto e duro, sem restrição de cores. A partir
de 1899, começaram a restringir as colorações aos tipos de
pelagens, dando origem ao Groenendael, Tervueren, Malinois
e Laekenois. Em 1900, as quatro variedades dos Belgas foram
reconhecidas como raça pela entidade belga Societé Royal Saint
Hubert. Desde aquela época, o cruzamento entre as variedades
é proibido - norma seguida tanto pela Federação Cinológica
Internacional (FCI), como pelo American Kennel Club (ACK).
A entidade americana, entretanto, os reconhece como raças
distintas, exceção ao Laekenois, ainda não aceito.
DESAFIO
O número reduzido de Pastores Belgas no Brasil propicia um
dos maiores desafios da criação de cães, no mundo: evitar
as conseqüências da consangüinidade. Ou seja, do acasalamento
entre parentes. José Olivio, do Canil Stanovoi, comenta: "há
exemplares com dorso arqueado para cima, o que prejudica a
movimentação e implica em menor resistência para andar". Rosangela
Rodrigues Remo, do Canil Berger Noir, Volta Redonda - RJ,
aponta muitos cães com altura fora do padrão - pernaltas ou
baixos demais. Ambos os casos também comprometem o bom desempenho
da raça como andarilha. Shalom Somoggi, do Canil Royal Belgians
Ranch, de São Paulo - SP, acrescenta que existem cães com
pelagem rala demais. "A consangüinidade é o principal fator;
podem haver também casos de recém-chegados do exterior, em
fase de adaptação climática." Exemplares com musculatura pouco
desenvolvida são freqüentes. Das duas uma. Ou é consangüinidade,
que pode afetar a boa predisposição genética muscular. Ou
é falta de exercício. Outro defeito são orelhas muito longas.
Os Pastores Belgas devem tê-las de curtas a médias. No início,
elas ficam caídas. Levantam entre o primeiro e o sexto mês
de vida. Ao escolher um filhote opte por aquele que tiver
as menores, entre toda a ninhada. Por serem mais leves, as
chances de levantar aumentam. Shalon avisa: "é normal que
o filhote levante uma delas e a outra permaneça caída por
mais algum tempo". Uma dica do criador é não passar a mão
nas orelhas do filhote até ficarem completamente eretas..
"Pode danificar a cartilagem, impedindo que levantem". Valeska
Ilienko, do Russia's House Kennel, Joinville - SC, aconselha
um teste de comportamento com o filhote, ante de adquiri-lo.
"Jogue uma bola ou ofereça comida para a ninhada", diz. "Escolha
o mais competitivo: aquele que faz de tudo para pegar uma
bola e que sobrepõe aos demais na disputa por alimento. A
atitude de timidez, muitas vezes, implica em cães com desvios
comportamentais e até agressivos".
PREVENÇÃO É SELEÇÃO
A raça é resistente a doenças. Mas como qualquer outra, não
está livre de problemas hereditários. Os criadores e veterinários
estrangeiros, entrevistados por Cães & Cia, citam quatro males
com maior possibilidade de serem de origem genética. Em todos,
a única forma de prevenção é selecionar os cruzamentos, retirando
seus portadores da reprodução.O primeiro é a displasia, problema
de má-formação óssea entre o quadril e as pernas. Comum em
raças de grande porte, a verificação da doença é feita por
meio de chapas radiográficas. Causa muito muita dor, dificuldade
de movimentação e pode deixar o cão aleijado. Existem cirurgias
paliativas, que podem atenuar a dor e melhorar a movimentação.
A epilepsia também ocorre nos Pastores Belgas. O cão tem convulsões,
salivação intensa e, em alguns casos, perde o controle sobre
as funções intestinais. Pode-se manifestar em exemplares novos,
com cerca de um ano, ou mesmo nos mais velhos, acima dos cinco.
Não há cura definitiva, mas e possível reduzir o número de
crises por meio de medicamentos específicos. Doenças visuais,
eventualmente aparecem. Uma é a atrofia progressiva da retina,
desenvolvida por volta dos seis anos, que causa cegueira.
A outra chama-se pannus. Os vasos sangüíneos dos olhos incham
e cobrem parte do globo ocular, causando cegueira. Aparece,
em geral, entre os cinco e sete anos de idade. Há tratamento
à base de esteróides, como a cortisona, mas não elimina o
mal. Apenas evita que avance. No Brasil, tudo indica que as
importações de Pastores Belgas foram bem felizes. Entre os
cinco criadores brasileiros e os três veterinários entrevistados,
houve unanimidade em afirmar que não existem casos registrados
de nenhum desses problemas.
MALINOIS
Ele é o representante de pêlos curtos da turma. Tem o nome
da cidade belga "Malines", cujo clube cinófilo ajudou a promovê-lo.
É atualmente o cão preferido para o uso policial. Foi apontado
como o que tem a cara de mais bravo e, por unanimidade pelos
criadores, como o que possui a maior fama de mau. Destaca-se
dos outros em características de ataque: é o mais fácil de
adestrar para ataque, e o que tem o mais Forte instinto natural
para atacar. Reúne, com exclusividade, em alto destaque, os
itens Corre e salta ameaçadoramente no portão e Fica próximo
ao portão de forma que os passantes o vejam. Características
de alto destaque: · Cara de bravo · Latidos freqüentes · Corre
e salta ameaçadoramente no portão · Fica próximo ao portão,
de forma que todos os passantes o vejam. · Fama de mau · Forte
instinto natural para atacar · Facilidade de adestrar para
ataque · Excita-se facilmente com ruídos · Ativo, anima o
ambiente Outras características que merecem ser ressaltadas:
· Facilidade para aprender obediência · Dá-se bem com outros
cães
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PADRÃO
OFICIAL
CBKC nº 15 de 07/4/1994 FCI nº 15f de 10/10/1989. Classificação
FCI: Grupo 1: Cães Pastores e Boiadeiros (exceto os suíços).
Seção 1: Cães Pastores. País de origem: Bélgica. Nome
no país de origem: Berger Belge - Groenandael, Malinois,
Tervueren, Laekenois. Nome no Brasil: Pastor Belga - Groenendael
(grafia diferente do belga), Malinois, Tervueren, Laekenois.
Utilização: pastoreio e guarda Prova de trabalho: para
o campeonato, independente.
APARÊNCIA GERAL:
cão mediolíneo, harmoniosamente proporcionado, inteligente,
rústico, habituado à vida ao ar livre, feito para resistir
às intempéries das estações de variações atmosféricas,
tão freqüentes no clima belga. Pela harmonia de suas formas
e o porte, de cabeça erguida, o Pastor Belga transmite
essa elegante robustez que tornou-se o apanágio dos representantes
selecionados duma raça de trabalho. À aptidão inata de
guardião de rebanhos, ele junta as preciosas qualidades
do melhor cão de guarda da propriedade; diante da necessidade,
ele é, sem a menor hesitação, o renitente e ardoroso defensor
de seu dono. Vigilante e atento; seu olhar, esperto e
inquiridor, revela a sua inteligência.
CABEÇA:
bem cinzelada, moderadamente longa e seca. O comprimento
do crânio e do focinho são sensivelmente iguais, no máximo,
com uma vantagem muito tênue para o focinho, o que confere,
ao conjunto, uma sensação de fino acabamento. Trufa: preta,
narinas bem abertas.
Focinho: de comprimento médio e largura diminuindo
suavemente. Cana nasal reta; visto de perfil, as linhas
superiores do crânio e do focinho são paralelas. Boca
com articulação e boa abertura.
Lábios: finos, de oclusão bem ajustada; a boa pigmentação
do epitélio recobre a cor vermelha das mucosas.
Bochechas: secas, bem planas, se bem que, musculadas.
Dentadura: maxilares bem desenvolvidos, providos
de dentes fortes e brancos, alinhados e firmemente engastados
nos alvéolos. Mordedura em tesoura, isto é, os incisivos
superiores ultrapassam, tocando, com a face posterior,
a face anterior dos incisivos inferiores. A mordedura
em torquês, isto é, toque de topo dos incisivos superiores
com os inferiores, preferida pelos pastores e vaqueiros,
é tolerada.
Stop: moderadamente definido. Arcadas superciliares:
não proeminentes, focinho bem cinzelado sob os olhos.
Crânio: de largura média, em relação ao comprimento
da cabeça; com a testa mais para plana que arqueada e
o sulco sagital pouco acentuado; visto de perfil, as linhas
superiores do crânio e do focinho são paralelas.
Olhos: de tamanho médio, e no plano da pele, com
formato ligeiramente amendoado, de cor marrom, preferencialmente
escura, rima das pálpebras preta. Expressão franca, inteligente,
de olhar esperto e inquiridor.
Orelhas: inserção alta, de comprimento proporcional,
nitidamente triangulares, base com a concha bem arredondada,
portadas empinadas e retas.
Pescoço: bem desenvolto. Ligeiramente alongado,
bem musculado, isento de barbelas, alargando-se suavemente
para os ombros. Nuca: linha superior com tênue arqueamento.
MEMBROS ANTERIORES:
ossatura toda consistente, musculatura forte e seca.
Ombros: escápulas longas e inclinadas, bem articuladas
e amoldadas ao tórax, fazendo o ângulo ideal com o úmero,
de forma a proporcionar o movimento fluente dos cotovelos.
Braços: trabalham em planos verticais, paralelos
ao plano medial, corretamente direcionados para a frente.
Ante-braços: longos e bem musculados. Metacarpos: fortes
e curtos; os carpos são bem modelados (nets), sem traços
de raquitismo.
Patas: mais para redondas; dígitos arqueados e
bem fechados;almofadas com sola espessa e flexível, unhas
escuras e grossas.
Tronco: robusto, sem rusticidade . O comprimento,
da ponta do ombro à ponta do ísquio (nádega), nos machos,
é próximo a altura na cernelha. As fêmeas podem ser mais
alongadas.
Antepeito: visto de frente, de pouca largura, sem
ser estreito.
Peito: pouco largo, mas, em compensação, profundo,
como em todos os animais de grande resistência. A caixa
toráxica é estruturada por costelas arqueadas no terço
superior. Cernelha: marcada.
Linha Superior: dorso e lombo retos, amplos, poderosamente
musculados.
Ventre: desenvolvimento moderado, em curva harmoniosa
no prolongamento da linha inferior do peito. Nem cheio,
nem esgalgado.
Garupa: suavemente inclinada e moderadamente larga.
Membros Posteriores: robustos, sem rusticidade,
trabalhando no mesmo plano dos anteriores e aprumados.
Coxas: robustas e fortemente musculadas. O joelho
fica no prumo do ílio.
Pernas: longas, largas, musculadas e corretamente
anguladas com os jarretes, mas sem excesso. Jarretes curtos,
desenvolvidos e musculados. Visto por trás, perfeitamente
paralelos.
Metatarsos: consistentes e curtos. Os ergôs são
indesejáveis.
Patas: ligeiramente ovais, dígitos arqueados e
bem fechados; almofadas espessas com sola flexível; unhas
escuras e grossas.
Cauda: bem inserida, forte na raiz, de comprimento
médio. Em repouso, portada pendente com a ponta, ligeiramente,
recurvada para trás, no nível do jarrete; em movimento,
eleva-se e acentua a curva do segmento distal, sem, entretanto,
em movimento algum, enrolar ou desviar-se.
Pelagem Máscara: tende a envolver os lábios, a
comissura e as pálpebras em uma só área preta.
Cores: Tervueren: a cor fulvo-encarvoado, sendo
a mais natural, ficara como a preferida. O fulvo é saturado
(quente), nem claro nem esmaecido. O exemplar que não
se apresentar com a cor de saturação, desejada, não poderá
pretender a qualificação Excelente e, menos ainda, um
certificado de C.A .C., C.A .C.I.B. ou reserva deles.
Malinois: unicamente o fulvo-encarvoado com máscara
preta.
Groenendael: unicamente o preto unicolor.
Laekenois: fulvo, com traços de encarvoado, principalmente
no focinho e na cauda. Um pouco de branco é tolerado no
antepeito e nos dígitos.
Pêlo: de aspecto, comprimento e direção variados.
Em todas as variedades, o pêlo é, sempre, abundante, denso,
bem texturado, formando juntamente com o subpêlo lanoso
um excelente invólucro protetor.(Este critério foi adotado
para os Pastores Belgas, como o objetivo de distingüir
as variedades da raça).
Pele: elástica, bem esticada por todo o corpo.
As mucosas externas são fortemente pigmentadas.
Talhe: Machos, 62 cm. Fêmeas, 58cm. Tolerância
de 2 cm para o mínimo e 4 cm para o máximo.
Movimentação: lépida e fluente, com
máxima cobertura de solo. O Pastor Belga, em movimento,
parece sempre infatigável. Por seu temperamento exuberante,
há uma tendência marcante mais para o movimento em círculos
do que em linha reta.
FALTAS:
Caráter: agressivo ou medroso.
Trufa, lábios, pálpebras: traços de despigmentação.
Dentadura: prognatismo superior leve, ausência de pré-molares;
ausência do primeiro pré-molar que fica logo atrás dos
caninos, tolerada, sem penalização falta de dois pré-molares
ou apenas um outro, qualquer que seja, degrada um qualificativo.
Olhos: Claros. Ombros: muito verticais.
Posteriores: fracos, jarretes retos
Patas: espalmadas.
Cauda: portada muito alta, formando anel, desviada
do alinhamento do plano medial do tronco. Pêlo:
ausência de subpêlo.
Cor: cinza, cores poucos saturadas ou esmaecidas;
máscara com cores reservas.
DESQUALIFICAÇÕES:
Dentadura: prognatismo superior pronunciado ou
prognatismo inferior; falta de três premolares, qualquer
que sejam ou de dois molares é possível de desqualificação.
Orelhas: caídas ou recuperadas.
Cauda: ausente ou amputada, qualquer que seja o
motivo.
Cor: manchas brancas fora de antepeito ou dos dígitos.
Tervueren e Malinois, ausência de máscara.
Caráter: exemplares inacessíveis ou muito agressivos,
como os hipernervosos e medrosos. No julgamento será levado
em conta o caráter calmo e ousado.
Sexo: machos monórquidos ou criptórquidos.
MEDIDAS:
proporções médias, normais no Pastor Belga macho de 62
cm na cernelha:
altura na cernelha: 62cm; comprimento do tronco
(da ponta do ombro à ponta do ísquio): 62cm; comprimento
do dorso (da cernelha à crista do íleo): 41 cm; perímetro
toráxico, medido logo atrás dos cotovelos, mínimo: 75cm;
profundidade de peito: 31 cm; distância do esterno ao
solo: 31cm; comprimento da cabeça: 25cm; comprimento do
focinho: 12,5 à 13cm.
VARIEDADES:
A - PÊLO LONGO:
curto na cabeça, face externa das orelhas e terço distal
dos membros, salvo a face posterior do antebraço que é
revestido de pêlos longos franjados do cotovelo ao carpo.
Longo e liso no restante do tronco e mais longo e abundante
ao redor do pescoço e antepeito, onde forma uma juba.
Na entrada do pavilhão auditivo a pelagem forma tufos
e abaixo da base das orelhas são eriçados emoldurando
a cabeça. As faces posteriores das coxas são guarnecidas
de pêlos muito longos e muito abundantes formando culotes.
A cauda é revestida de pêlos longos e abundantes formando
uma plumagem. Groenendael: pelagem preta uniforme. Tervueren:
a cor fulvo-encarvoada, sendo a mais natural, ficará como
a preferida. O fulvo é saturado (quente), nem claro nem
esmaecidas. O exemplar que não se apresentar com a cor
de saturação desejada, não poderá pretender a qualificação
Excelente e, menos ainda, um certificado de C.A .C., C.A
.C.I.B. ou reserva deles. Para a máscara, foi definido
um limite mínimo de seis oito pontos de pigmentação da
pelagem: as duas orelhas, as duas pálpebras superiores,
os dois lábios, inferior e superior, devem se pretos.
O pêlo longo só admite a cor fulvo-encarvoado: (ver pelagem
e faltas).
FALTAS: pêlo lanoso, encaracolado ou ondulado,
comprimento insuficiente. Groenendael: reflexos avermelhados
na pelagem, culotes cinza. Tervueren: indesejáveis: cinza,
cores de saturação insuficiente ou esmaecidas, ausência
de encarvoado ou distribuído em placas pelo corpo. Máscara
insuficiente ou de cores reservas. Excesso de encarvoado.
B - PÊLO CURTO:
muito curto na cabeça, face externa das orelhas e segmento
distal dos membros. Curto no resto do tronco; mais denso
na cauda e em torno do pescoço onde se desenha um colar
que nasce na base das orelhas estendendo-se até a garganta.
A face posterior das coxas é franjada de pêlos mais longos.
A cauda é eriçada.
MALINOIS: pêlo curto, fulvo-encarvoado com máscara
preta. Os mesmos 6 pontos de pigmentação mínima da pelagem
tais que, definidos para o Tervueren são mantidos. Qualquer
outra cor, diferente do Fulvo-encarvoado, não é reconhecida
para o Tervueren.
FALTAS: pêlos meio longos, onde deve ser curto,
pêlos duros disseminados entre os pêlos curtos, pêlo ondulado.
Ausência total do encarvoado ou presente em placas, máscara
insuficiente ou de cores reversas. O excesso de encarvoado
pelo corpo é indesejável.
C - PÊLO DURO:
o que caracteriza, sobremaneira, esta variedade, é o grau
de rusticidade e de aspereza do pêlo, que se apresenta
eriçado. O comprimento é, sensivelmente, igual em todas
as partes do corpo: em torno de 6 cm. Nem os pêlos em
torno dos olhos, nem os que revestem o focinho são tão
longos para dar à cabeça o aspecto de Barbet, ou Briart
entretanto, a presença desses pêlos é obrigatória. A cauda
não forma plumagem. Laekenois: Pêlo duro fulvo com traços
de encarvoado, principalmente, no focinho e na cauda.
FALTAS: Pêlos muito longos, sedosos, encaracolados,
ondulados ou curtos; subpêlo aparecendo por entre a pelagem.
Pêlos excessivamente longo em torno dos olhos ou guarnecendo
a mandíbula (barbicha). Cauda em tufos.
CRUZAMENTO INTER VARIEDADES:
qualquer acasalamento entre variedade é proibido, salvo
em casos bem particulares, por concordância das comissões
de criação nacionais competentes (texto lavrado em 1974,
Paris).
Nota: os machos devem apresentar dois testículos
de aparência normal, bem desenvolvidos e acomodados na
bolsa escrotal.
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Agradecemos aos entrevistados, inclusive pela revisão técnica
desse texto, feita também pela cinóloga Hilda Drumond e pelo
juiz de todas as raças, José Peduti Neto. Participaram da pesquisa
de temperamento, os criadores Max Schwartz e Diani Finchi (EUA);
Gordon Woods (Canadá); e Marie Françoise Sarlat e Martine Tartare
(França). Forneceram dados sobre saúde, os veterinários Pierre
Tung (EUA); Bernadete Oliveira, Maria Salete Borges e João Batista
Pereira (Brasil); os criadores Frank Campbell e Linda McCarty
(EUA); José Roberto Paiva (Brasil); além dos citados no texto.
Reportagem: Carmen Olivieri e Rodrigo Flores.Edição de texto:
Flávia C. Saores Foto: Paulo Antônio M. Fasanella Prop.: Luiz
Martini
Direitos
autorais do texto: Cães&Cia, é proibida a
reprodução total ou parcial do texto
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