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Oficializado há pouco pela CBKC, o Pastor Branco avança no Brasil. Em todo o mundo, os apaixonados pela raça lutam pela sua internacionalização Ele foi fortemente discriminado pela cinofilia oficial devido à cor branca. Mesmo assim, os muitos fãs espalhados pelo mundo não o abandonaram. E parece que valeu: sua criação não pára de crescer. O movimento para banir a cor ganhou força na época da Segunda Guerra Mundial. Antes disso, os brancos recebiam registro, que era concedido desde o começo da criação do Pastor Alemão, no início do século. A exclusão veio sustentada por suspeitas de ligação da cor branca ao albinismo e a doenças hereditárias, como surdez, cegueira, esterilidade. E foi adotada pelo mais influente clube do mundo ligado à raça Pastor Alemão, o Verein Für Deutsche Schäferhunde (SV). Mas "proibidos" ou não, filhotes brancos continuaram nascendo de Pastores Alemães comuns. Encantavam alguns criadores, que passaram a cruzá-los entre si. Hoje, até quem é contra o branco já admite que a cor, por si só, não é sinônimo de problemas. Mas, a proibição continua. Hartnut Setecki, assessor de direção da SV, justifica: "Preservar a cor original típica do Pastor Alemão é uma questão de tradição. Levamos muito a sério a criação e não concedemos pedigree a nenhum cão que apre-sente faltas eliminatórias, como é o caso da cor branca". Ele garante que o SV não tem qualquer interesse em promover o reconhecimento dos brancos dentro do padrão do Pastor Alemão. O reflexo disso é mundial. A importante Federação Cinológica Internacio-nal (FCI), que segue o padrão do país de origem da raça, repassa a proibição aos seus 76 países filiados. Até quem está fora da FCI é atingido. Foi o que aconteceu com o American Kennel Club (AKC), que baniu a cor em 1968. Nesse caso, a proibição apenas excluiu os brancos das exposições de beleza, pois a entidade tem como norma dar pedigree a qualquer filhote de raça que tenha pais registrados.

ESTRATÉGIAS

Hoje, o movimento pelo reconhecimento internacional da cor branca ocorre em diversos países. Começou há cerca de três décadas, defendido por vários clubes especializados. Mas nem todos seguem a mesma estratégia. Alguns trabalham pela aceitação da cor, mantendo os demais itens do padrão oficial do Pastor Alemão. Os demais, descrentes de que o poderoso SV venha a abrir mão da proibição em prazo razoável, jogam todas as fichas na criação de uma nova raça, chamada de Pastor Branco. Querem um cão mais de companhia do que de guarda - portanto de temperamento mais dócil. Marcam, assim, uma diferença nítida em relação ao Pastor Alemão comum. Essa foi também uma forma de evitar maior oposição da cinofilia oficial, principalmente no início, quando o preconceito contra a cor branca estava no auge e os criadores não queriam seus cães com fama de ferozes. "Já bastava o preconceito da cor", comenta Joanne Chanyi, tesoureira do White Shepherd Club of Canada. Suas intenções estão bem claras nos padrões que redigiram (sim, no plural, pois cada país fez o seu) e na criação que não deu continuidade à meta de aumentar o arqueamento do dorso e a angulação das pernas traseiras, como fizeram os criadores do Pastor Alemão tradicional. Por sua vez, os criadores do Pastor Alemão Branco priorizaram a fixação da cor. Assim, seus cães também não acompanharam o desenvolvimento das últimas décadas do Pastor Alemão. "O branco é o Pastor Alemão de 20 anos atrás", avalia José Peduti Neto, veterinário especialista em anatomia animal e consultor de Cães & Cia. Mesmo com pequenas diferenças, esses pastores são todos irmãos. Comprovar é fácil. Ao cruzar dois Pastores Alemães, não importa as cores do casal, o branco pode aparecer se os pais tiverem cores tradicionais ou se um for tradicional e o outro branco. É interessante notar que entre os brancos alguns têm o dorso e a ponta das orelhas cor de creme, ou "champagne", e que de dois brancos só nascem brancos.

JEITO BRASIL
Em nosso país, o branco é criado para manter o instinto de guardião e a aparência típica do Pastor Alemão. Isso ajuda a explicar a boa aceitação da cor entre nós (das dez raças mais registradas no país, cinco são de guarda e o Pastor Alemão está em quarta colocação). O crescimento da criação dos brancos tem o mérito de torná-los mais conhecidos e de derrubar pouco a pouco o preconceito contra a cor. "Muitos filhotes brancos com pais tradicionais já foram sacrificados sob a alegação de serem albinos", comenta o presidente e fundador da Sociedade Latino-Americana de Pastor Alemão Branco (Solpab), Antonio Jorge Caracante. Ele exemplifica. "No começo da minha criação, visitei uma senhora que criava Pastores Alemães em Sorocaba - SP. Ela tinha um filhote branco nascido de pais capa-preta. Eu disse a ela que o nariz rosado do cãozinho pigmentaria em dez dias, quis comprá-lo, mas ela não acreditou - nem me vendeu. Em vez disso, o sacrificou", revela. São duas as entidades, no Brasil, dedicadas exclusivamente a esses cães brancos, ambas seguindo o padrão oficial do Pastor Alemão. A Solpab foi a primeira. Nasceu em 1991, inicialmente de âmbito nacional. Em seguida, passou a latino-americana. É responsável por um notável impulso dessa criação no País. Conta hoje com 800 sócios e quatro mil exemplares cadastrados, segundo informa. Há dois anos, de uma dissidência da Solpab, foi constituído o Clube do Pastor Branco do Brasil (CPBB), hoje com mais de 200 sócios e cerca de 700 cães declarados. Ainda que parte desses registros se sobreponha - o CPBB registra cães da Solpab - a quantidade de Pastores Alemães brancos no Brasil é considerável. "Quanto mais o branco ficar parecido ao Pastor Alemão, mais próximo estará da aceitação", diz Caracante, resumindo a filosofia da Solpab. A esperança da entidade é conseguir a aceitação da cor branca como variedade do Pastor Alemão. "Por isso, não aceitamos retirar a especificação 'Alemão' do nome da raça", explica Caracante. Como a cinofilia oficial não autoriza essa possibilidade, o clube optou por atuar de forma autônoma, sem vínculos com outras entidades. "Quando formamos o clube, tínhamos poucos cachorros para trabalhar", conta Caracante. "O mais importante, naquele momento era consolidar a cor e não dava para viajar o país inteiro para conceder o Registro Inicial aos cães. Quando o criador morava longe, exigíamos fotografias em ângulos diversos para avaliar se os cães mereciam o registro", relata. Agora, passada a fase de implantação, o esforço se concentra em buscar as características mais desejáveis. Para avaliar o plantel, a Solpab já tem previstas em seu calendário 21 exposições nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Sorocaba. Programa ainda eventos em Brasília, Recife, Salvador, Curitiba e Porto Alegre. Já o CPBB preferiu se aproximar da cinofilia oficial. E conseguiu. Em maio do ano passado a Confederação Nacional de Cinofilia (CBKC) - maior entidade cinófila nacional - aceitou registrar esses cães. "Com limitações, é verdade. Mas ainda assim, foi um passo importante", define Lia Segadas Vianna, diretora geral, uma das fundadoras da entidade e ex-sócia da Solpab. "Com o reconhecimento incentivaremos o aprimoramento do cão e o promoveremos ainda mais, participando de centenas de exposições por todo o Brasil, ao lado de criadores de todas as raças", entusiasma-se. A CBKC, como entidade brasileira, pode reconhecer raças em nível nacional. Internacionalmente, é filiada à FCI, e tem de seguir suas regras. Não pode, portanto, usar a denominação Pastor Alemão Branco. Por isso, adotou Pastor Branco. Assim, o Brasil tornou-se o único país do mundo em que essa denominação é usada seguindo o padrão oficial do Pastor Alemão tradicional, já que no resto do mundo se convencionou usar o nome Pastor Branco para a nova raça, de temperamento mais dócil e com características físicas um pouco diversas. "É claro que se um dia a SV resolver aceitar o branco, nada impede que voltemos a adotar o nome Pastor Alemão Branco", explica Lia. É obrigação da CBKC manter um livro de registros diferente para as raças com reconhecimento local, do usado para as raças com reconhecimento internacional. Daí o pedigree ter cor verde em vez da azul usada normalmente, e o nome da raça não aparecer em estatísticas oficiais. A entidade não pode também aceitar o cão nas exposições internacionais que promove. O Pastor Branco, em setembro do ano passado, deixou de receber tratamento igual ao das demais raças nas exposições nacionais da CBKC, quando a entidade baixou uma circular proibindo os juizes de conceder a nota máxima - excelente - a cães com registro secundário (nesta mesma circular recomenda os juízes a seguir o padrão do Pastor Alemão). Com isso, o Pastor Branco agora só pode disputar o título de Melhor da Raça e ficou, portanto, impedido de competir por posições mais importantes, como Melhor de Grupo e Melhor da Exposição (Best In Show) e de lutar pelos chamados 'títulos promocionais', como o de Campeão. "A CBKC tem autonomia para isso", informa Suzanne Marlier, secretária de registros da FCI. Mas o impedimento não é uma imposição da FCI. Na Suíça e Holanda, por exemplo, onde o Pastor Branco tem registro secundário, recebe a classificação excelente nas exposições nacionais. Portanto, a proibição brasileira pode ser revogada a qualquer momento, o que será muito bem-vindo pelo CPBB.

REALMENTE FORTE
A opção por considerar os brancos uma nova raça parece ser tendência mundial. Na Europa, por exemplo, apenas no Reino Unido é criado como Pastor Alemão Branco. Os outros países preferiram encará-lo como uma nova raça, com padrão próprio e tudo. Desses, porém, apenas a Suíça, a República Checa, a Holanda e a Dinamarca aceitam o Pastor Branco em exposições gerais, enquanto que os demais o limitam às especializadas. Nos Estados Unidos, a entidade mais antiga - o White German Shepherd Dog Club International (WGSDC), fundada em 1968, mesmo ano em que a cor branca foi proibida nos EUA - defende o nome e o uso do padrão do Pastor Alemão. Linda Gan, presidente do WGSDC, argumenta: "As diferenças atuais entre as duas variedades existem apenas porque a maioria dos criadores da cor branca não se preocupa em selecionar os exemplares", diz. No ano passado, o WGSDC sofreu um racha: parte dos associados saiu para formar a American White Shepherd Association (AWSA) e lutar pelo reconhecimento do branco como uma nova raça. No Canadá, a cor branca não foi eliminada da raça Pastor Alemão. Apenas é considerada indesejada. Mesmo assim, os criadores não estão satisfeitos - afinal, os brancos entram em exposições de beleza, mas raramente levam alguma coisa. Nos últimos vinte anos, somente dois cães receberam prêmio de campeão. Por isso, também lá alguns criadores decidiram partir para a estratégia do reconhecimento à parte. Resultado: o Canadá está hoje dividido entre um grupo que insiste em manter o branco como Pastor Alemão, e outro que acredita numa nova raça. A descrição que os criadores internacionais do Pastor Branco fazem do temperamento da raça nada tem a ver com o do Pastor Alemão e nem com o do Pastor Branco de nosso país. "É um cão para a família, que pode funcionar como vigia ou cão de alarme, mas não de ataque. É daqueles que latem mas não mordem", avisa Gabi Frei-Dora, secretária do Gesellschaft Weisse Schaferhunde, clube oficial do Pastor Branco na Suíça. Ela diz ainda que os brancos são mais tolerantes com estranhos. Joanne Chanyi, do White Shepherd Club of Canada confirma: "Não aposto muito na sua eficiência como guarda. É até usado pela Polícia no Canadá, mas como auxiliar em operaçães de resgate, de alarme e rastreador de drogas." Existem ainda pequenas discordâncias entre os padrões adotados para o Pastor Branco em cada um desses países. Por exemplo: a pelagem longa é aceita em todos os lugares, menos nos EUA, Canadá e Dinamarca. Cães holandeses são um pouco maiores do que os demais e sofrem de alguns problemas como perda precoce de dentes. Joanne informa que seu clube está organizando um encontro em novembro, na Holanda, com a presença de oito países europeus e mais os EUA e o Canadá, para chegar a um denominador comum. Em fevereiro, criadores do Canadá e EUA também se reuniram com essa finalidade. A unificação dos padrões, porém, não será suficiente para vencer a resistência da FCI em reconhecer o Pastor Branco como uma nova raça. "Precisamos nos convencer de que não há qualquer problema com a saúde da raça. Os criadores deveriam mostrar um sério estudo provando isso, e acabar de vez com o preconceito contra a cor, realmente forte", sugere Mario Periconi, membro da Comissão de Standard da FCI.

DÓCIL x FERA
Cães & Cia foi ouvir a opinião de gente que convive e trabalha com a raça no mundo todo. As declarações da suíça Diana Wulthrich confirmam o que os dirigentes de clubes adeptos em formar a nova raça, o Pastor Branco, disseram sobre o temperamento. Diana tem um desses cães dentro de casa, em estreito contato com a família - inclusive com seus quatro filhos pequenos, o mais velho de três anos. E também tem um Pastor Alemão convencional, companheiro de trabalho de seu marido, funcionário da polícia canadense. Para ela, o branco é dócil, para companhia, e o outro, um cão de guarda. "Tenho certeza que o intruso que entrar aqui em casa será mordido pelo capa-preta, e não pelo branco." Já os depoimentos de três brasileiros dizem o oposto. São coerentes com a criação baseada no padrão oficial do Pastor Alemão. Acham que o branco tem o mesmo instinto de guarda. Outros dois detalhes são apontados por esse grupo. Um é a associação da cor branca à imagem de cão dócil, quando não é tão manso quanto sugere. Outro, é o poder de atração sobre as pessoas, por ser ainda pouco conhecido. Frederico Caldas Calgaro, dono de três brancos e dois capas-pretas, diz que muita gente os confunde com o Samoieda, um cachorro branco e dócil, que mais parece um bicho de pelúcia. "Não acho nada seguro pular o muro da minha casa à noite: tenho certeza absoluta de que os meus cães atacam", prevê. Aproximação de estranhos, ele só permite se estiver por perto. Joaquim Inácio Cavalcante, dono de um Pastor Branco e de quatro capas-pretas, comenta que o branco tem um comportamento mais "primitivo" do que os demais. "Ao contrário dos tradicionais, ele marca território pela casa com urina, e disputa liderança com os outros", revela. Luis Alberto Antunes, dono de três brancos e de um casal de capas-pretas, observa: "Não me arrisco a generalizar nada, mas já conheci Pastores Brancos que eram verdadeiras feras".

AGILIDADE
Da Suíça, país onde o Pastor Branco é criado para companhia, o adestrador Roland Wulthrich, marido de Diana, nos relata a sua experiência. "Já adestrei mais de uma centena de Pastores Alemães e posso dizer que em nosso país são mais agressivos do que os brancos, têm maior instinto de ataque. Acho mais difícil obter êxito com um Pastor Branco num serviço de patrulha ostensiva", opina. Já nos EUA, onde há muitos brancos criados como Pastores Alemães, os adestradores têm outras experiências. Demonstram a semelhança de temperamento entre os tradicionais e os brancos. Edward Meyer, do departamento de Polícia de St. Louis desde 1970, adestrou apenas um branco. Ficou muito bem impressionado com a rapidez e precisão com que o cão localizava objetos. "Aprendeu tudo com facilidade surpreendente. Com quatro dias de treinamento, e apenas 18 meses de idade, já encontrava bombas e fazia coisas que os Pastores Alemães normalmente demoram semanas para aprender", garante. A performance foi tão incrível que o cão foi destacado para atuar junto ao departamento anti-bomba, a elite da polícia. "Ele também é ótimo na patrulha urbana, excelente para circular entre o público, já que permite a aproximação de todos que se encantam com sua beleza", garante. Meyer lembra um fato interessante. "Uma vez, esse cão encontrou um grande contrabando de drogas e, pelo serviço, foi condecorado como Top Dog pelo Clube do Pastor Alemão de St. Louis - o mesmo que não aceita a cor branca em seu padrão!", revela. O policial e adestrador do departamento de Polícia de Minneapolis (EUA) há 25 anos, Bill Lundquift, treinou o seu primeiro branco e teve uma boa impressão da capacidade dele em aprender. "Peguei-o com três anos, boa parte deles passada num quintal, e mesmo assim tornou-se um bom cão de guarda", afirma. "Os pequenos problemas que existem devem-se ao fato de o treinamento ter começado muito tarde", diz. O policial elogia a percepção. "Uma noite fazíamos ronda e ele pressentiu estranhos atrás de nós a três quarteirões." Garante, ainda, que o cão jamais dormiu no banco de trás do carro durante o trabalho. Contudo, admite que a agitação do branco é maior do que a do tradicional, o que pode atrapalhar o trabalho. Adele Yunch, adestradora da North Field Dog Training, nos EUA, já treinou dezenas de Pastores Alemães e meia dúzia de Pastores Brancos nos últimos dez anos. Concorda com Lundquift. "Ele demora mais para se concentrar e prestar atenção aos comandos. Por outro lado, é um cão ativo, sempre disposto a trabalhar", diz. Fora isso, afirma que as diferenças que existem entre o Pastor Branco e o comum são as mesmas que se pode observar entre dois Pastores capa-preta, por exemplo, ou entre dois Poodles. O currículo de Luger, o Pastor Branco de Pan Coons - criadora da raça há 20 anos nos EUA - mostra que o branco pode se sair tão bem - e no caso dele, até melhor - do que o Pastor Alemão comum em provas de Flyball (esporte canino que exige rapidez e agilidade, bastante popular na Europa e EUA). "Luger é o melhor Pastor Alemão nessa modalidade em todo o mundo", orgulha-se Pan. Segundo a North American Flyball Association, a pontuação obtida por Luger nessas provas soma 4.970 pontos - disparado na frente do segundo colocado, com 3.500. Pan garante que seu cachorro tem, ainda, vários títulos de campeão em provas de obediência e Agility - competições onde os brancos também participam junto aos outros Pastores.

CHECK-UP
Os problemas de saúde mais comuns aos brancos, segundo três veterinários ouvidos por Cães & Cia, são as alergias e outros casos relacionados à sensibilidade da pele, e a displasia (mau encaixe de articulações, que tanto podem aparecer na região coxo-femoral, quanto no cotovelo, mais rara). "Apesar de existirem poucos exemplares para que se possa ter uma estatística confiável, posso dizer que as doenças apresentadas pelos brancos são muito semelhantes às observadas no Pastor Alemão tradicional", diz o veterinário canadense Jerry Breuel. Para ele, a incidência de displasia nos brancos deve variar ao redor de 15 a 20%. Difícil precisar com exatidão, já que não existe um controle efetivo em relação à doença. O veterinário carioca Ragnar Franco Schamall já tratou de aproximadamente 50 Pastores Brancos, dos quais apenas dois apresentavam displasia. Mas ele considera a sua amostragem pequena para ser conclusiva, e estima índices maiores, ainda que abaixo do Pastor Alemão comum. Nos EUA, o clube apenas recomenda a realização de exames de raios X para detectá-la e no Brasil a Solpab e o CPBB estão se mobilizando para fazer o mesmo. Casos de sensibilidade ao sol e a agentes externos (principalmente pulgas), típicos dos cães de pelagem clara, também foram observados por Iris. Provocam inflamações e irritações na pele. "Manchas amareladas na pelagem (que nada têm a ver com a cor champagne de alguns exemplares) também ocorrem, causadas por lambeduras", relata. Já Breuel não confirma problemas de pele causados pela baixa pigmentação dos brancos. "Nunca verifiquei lesões ou danos causados por exposição ao sol", afirma. "Mas alergia a pulgas é mesmo comum", observa - se bem que difícil de avaliar, pois um cão que recebe cuidados adequados pode nunca sentir a picada do inseto.

EXERCÍCIOS E ESCOVAÇÃO
Como todo cão de grande porte e muito ativo, o Pastor Branco precisa de espaço e exercício para conservar-se saudável. Há quem se aventure a manter um em apartamento. É o caso de Dirce Scorpioni Canevalli. Criadora há três anos, tem um Pastor morando com ela na cobertura, em plena capital paulista. "Ele se adaptou muito bem. Mas é preciso levá-lo para passeios diários de aproximadamente trinta minutos", garante. Mas nem todo mundo pensa assim. Eder de Silvio, do Canil Snowdog, em São Paulo, acredita que é preciso mantê-los em lugares espaçosos. "O canil deve ter 2 x 8 metros. Se o lugar for menor, o cão precisa ficar solto para brincar à vontade por algumas horas, todos os dias - ou ser exercido constantemente pelo dono", ensina. A necessidade de exercício varia de cão para cão. "Correr e brincar no quintal é mais que suficiente", diz Eder. "Para cães de exposição, que precisam ganhar forma atlética, o ideal é começar com 15 minutos de trote a cada dois dias. Depois de adultos, diariamente, acrescentando exercícios que incluam tração, bicicleta, natação, ladeira e obstáculos. "O exercício ajuda também a mantê-los mais tranqüilos. Observe também outros detalhes. Ao escolher um filhote, verifique que a pigmentação do nariz, lábios, olhos e almofadas plantares seja o mais escura possível, de preferência preta. Normalmente, a pigmentação se completa em menos de um mês, embora alguns exemplares possam demorar mais. É importante escová-los constantemente e mantê-los sempre limpos, pois a sujeira pode manchar a pelagem branca. Mas a freqüência dos banhos e das escovações vai depender do lugar onde vivem, do clima (banhos demais em clima frio podem comprometer a secagem dos pêlos e provocar problemas de pele) e do comprimento do pêlo. E também da época do ano. "No verão os pêlos caem mais, é preciso escovar diariamente", diz Catherine Viviane Mançano Batista, do Canil Bradshan, no Rio de Janeiro.

PARA SABER MAIS

Entidades:

1) Sociedade Latino-Americana de Pastores Alemães Brancos (Solpab): Rio de Janeiro - Rua Budapeste, 345, Ilha do Governador, CEP 21411-300, Rio de Janeiro, RJ, (021)396-8266. São Paulo - (011)261-8508. Sorocaba - (015)233-1263.

2) Clube do Pastor Branco do Brasil (CPBB): Rio de Janeiro - Av. Barão do Rio Branco, 1398, Centro, CEP 25680-150, Rio de Janeiro, RJ, (021) 289-8245, (0242)42-1684. Exterior: Suíça - GWS (Gesellschaft Weisse Schäferhunde), (00411)950-0384. Canadá - White Shepherd Club of Canada, (001519)847-5206. EUA - White German Shepherd Dog Club International, (001217) 534-6005. Bélgica - Vriendenclub De Witte Herder, (0032)8985-3341.

Livros:
1) De Amerikaans-Canadese Witte Herder (em holandês), por Ruut Tilstra, por Zuid Boekprodukties, Lisse - The Netherlands, 1995.
2) Weisse Schäferhunde (em alemão), por Peter & Gaby von Döllen e Monika Bender, 1996. Pedidos pelo fone (004 947) 911-3086. Internet: http://www.bart.nl/~evert/whitefacts.html


Agradecemos aos entrevistados, inclusive aos brasileiros pela revisão técnica deste texto. Reportagem: Rodrigo Flores. Redação: Léa de Luca. Edição de texto: Marcos Pennacchi. Foto: Paulo Fasanela e Luís Prado Prop.: Snowdog Kennel - São Paulo - SP
Direitos autorais do texto: Cães&Cia, é proibida a reprodução total ou parcial do texto

 
   
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