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há pouco, na década de 60, que o Pequinês invadiu os
lares brasileiros e tornou-se o mais popular entre os
cães de pequeno porte.
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PEQUINÊS:
BEM MAIS POPULAR LÁ FORA
Pequinês demonstrou, no Brasil, como a popularidade pode destruir
uma raça. Mas revela, no exterior, a força da boa criação.
Foi há pouco, na década de 60, que o Pequinês invadiu os lares
brasileiros e tornou-se o mais popular entre os cães de pequeno
porte. Rapidamente encantou as pessoas com a graça de seu
andar balançante, o aspecto exótico conferido pelo olhos grandes
mais proeminentes do que o focinho achatado, seu temperamento
ao mesmo tempo meigo e ousado, como alguns dizem "capaz de
avançar rosnando para quem o ameace, mas incapaz de morder",
e um passado repleto de mistérios e lendas. Um modismo que
veio a partir de alguns exemplares importados dos EUA e Inglaterra.
Mas quando foi a última vez que você viu um Pequinês? Pois
é, em poucos anos ele fugiu do controle dos criadores e desapareceu.
"Houve uma mestiçagem desenfreada que o descaracterizou, deixando-o
com o temperamento desequilibrado, muito nervoso e agressivo,
além de ter ficado feio, com os olhos esbugalhados e o focinho
alongado. "É incrível, mas no fim da década de 70 já não se
viam mais Pequineses", testemunha Inaiá Carvalho Gomes, criadora
há 28 anos pelo Canil Abaeté, do Rio de Janeiro-RJ. Hoje,
contam-se nos dedos os criadores. "O verdadeiro Pequinês ficou
com a imagem incorreta", avalia Belkiss Dugleia Andrade, criadora
há 38 anos pelo Canil Sagitarius de São Paulo-SP.
MELHOR SORTE
A sorte tem sido mais generosa com a raça no Japão, onde ela
subiu quatro posições no ranking de registros de 1989 para
cá, e ocupa o 22º lugar, entre 110 raças, com 1.722 exemplares
registrados em 1993, estando na frente do Boxer, Dobermann,
Rottweiler e até do Akita, o cão "monumento nacional" do Japão.
Mesmo em outros países, apesar de ter apresentado uma ligeira
queda nos últimos anos, o Pequinês continua bem cotado. Nos
EUA está na 26ª posição com 16.869 exemplares e na Inglaterra
na 22ª com 2.002. "Ele agrada as pessoas, pois está bem adequado
ao padrão tanto no temperamento quanto a aparência", dizem
as americanas Lydia Kritzman, presidente do Everygreen State
Pekingese Club, Seattle-EUA, e Teresa Cook, ex vice-presidente
do The Pekingese Club of Georgia. "Nós promovemos o boicote
aos comerciantes e estimulamos uma criação cuidadosa, resultando
em menor número de registros mas em uma melhora na qualidade
do plantel", declara William Blair, presidente há 35 anos
do The Pekingese Club of America, Virginia-EUA. O canadense
Nigel Aubrey-Jones, criador há 53 anos pelo The St. Aubrey
Kennel, Quebec-Canadá e autor do livro "The New Pekingese"
avalia que seu país, nos EUA e Europa a raça está geneticamente
bem. "Porém, me preocupa observar que alguns criadores, para
não prejudicar a pelagem, deixam de exercitar seus cães. O
exercício é importante, mesmo que haja perda de alguns pêlos
ao correr, para aumentar a musculatura e proporcionar maior
robustez no tronco, além de favorecer a andadura roll (bamboleio)
típica, com um balanço lento, sem oscilações que podem ser
causadas por falta de musculatura nas pernas traseiras". A
qualidade se reflete nas exposições. No Canadá e EUA, cerca
de 230 Pequineses participam em cada especializada, e nas
gerais, por volta de 50. Na Westminster, a mais famosa exposição
dos EUA, o Pequinês foi o melhor do grupo dos Toys em 1994,
conforme lembra Fernando Araújo Filho, criador há 16 anos
pelo Bréia's Kennel, Petrópolis-RJ. Nas pistas nacionais,
seja no Rio de Janeiro, São Paulo ou Rio Grande do Sul, apresentam-se,
quando muito, 4 exemplares. O nosso momento é, portanto, de
resgate: precisamos de novos criadores e importações.
FICHA
Compra do filhote: a partir dos 60 dias, já desvermifugado
e com a primeira dose das vacinas. O focinho deve ser bem
achatado.
Cuidados: "os olhos proeminentes merecem atenção para
evitar arranhões e batidas. Necessitam de higiene freqüente
com água boricada, para retirar as remelas. A ruga em cima
do focinho precisa ser limpa com algodão e água para evitar
assaduras e mau cheiro". Soraia Mattos Plentz, Canil Imaruí,
Porto Alegre-RS.
Pelagem: longa, lisa, com juba profusa e bom subpêlo.
Deve ser escovada 3 vezes por semana, para se manter sem nós.
Cores: todas, exceto o albino e fígado. A pigmentação
preta é essencial no nariz, lábios e contorno dos olhos.
Peso: machos - 5 kg e fêmeas - 5,5 kg.
Reprodução: a inseminação artificial é usada se o macho
não conseguir acasalar. Como a cabeça dos filhotes é grande,
nos EUA é comum a prática prevenida de cesária.
Agradecemos aos entrevistados inclusive pela revisão (brasileiros)
do texto final, da qual participou também Hilda Drumond. Reportagem
e redação: Flávia C. Soares. Edição de texto: Marcos Pennacchi.
Foto: Luiz Henrique Mendes Prop.: Canil Konfu
Direitos
autorais do texto: Cães&Cia, é proibida
a reprodução total ou parcial do texto
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