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O INCANSÁVEL
POINTER INGLÊS
Exímio caçador de aves, o Pointer tem qualidades de sobra
para conquistar corações com sua nobreza, meiguice e vitalidade
sem limites. No Brasil ele é mais conhecido como perdigueiro.
Na Itália e na Espanha, países onde a caça é um esporte muito
valorizado, está há anos entre as dez raças mais populares.
De porte aristocrático, olhar meigo, saúde ferro, extremamente
ágil, ativo e dócil, o Pointer Inglês é um cão de caça por
excelência, mas reúne muitas características cativantes que
fazem dele um companheiro nota dez. Por isso, a raça conquista
admiradores mesmo fora do círculo restrito dos amantes da
caça. As qualidades que encantam os proprietários que apostam
no convívio com o Pointer mesmo em espaços pequenos estão
intimamente ligados ao estilo de trabalho da raça. Ele foi
desenvolvido para caçar em dupla com o homem. Daí ter de ser
muito atento aos comandos e estabelecer uma relação de parceria
com o caçador, mais forte que a de outros cães de caça como
os rastreadores e Terriers, que agem sozinhos. Pegar a caça
na boca sem mordê-la é outro requisito fundamental para o
seu trabalho - por isso dificilmente machuca alguém com seus
dentes. Esse vínculo com o dono e a sua delicadeza são qualidades
apreciadas em cães de companhia. Um Pointer típico é alegre
e resistente, suportando bem todo tipo de brincadeira. "Isso
deixa os pais de crianças pequenas bastante tranqüilos, pois
o Pointer as "agüenta" sem revidar, nem mesmo sair de perto",
diz Eduardo Galina, proprietário de 16 Pointers em São Paulo.
Eles costumam aceitar bem até mesmo estranhos. "Um Pointer
agressivo é impensável foge completamente à sua natureza",
diz o criador Denis Nogueira Pinto, do Canil First Dog, em
Juiz de Fora - MG.
ADAPTAR BEM
Ida Sznajder tem uma Pointer Inglês que mora há dois anos
com ela e o filho num apartamento em Higienópolis, bairro
central de São Paulo. Ela diz que quando ganhou o filhote
achou que estava recebendo um presente de grego; afinal, o
espaço de que dispunha era pequeno para uma raça ativa e de
porte grande. Mas errou. "Ela é muito brincalhona e apegada
a nós; respeita os limites dentro de casa e recebe bem as
visitas. Um ou dois passeios diários são suficientes para
que ela se mantenha tranqüila", diz Ida. Ricardo Rodrigues
Camargo, proprietário de um casal no bairro paulistano de
Vila Madalena, conta que seus Pointers são muito comportados
e sociáveis na rua, e maravilhosos com crianças. "Quando meus
filhos eram pequenos, costumavam brincar de cavalinho com
meus cães", lembra. "Eles quase não latem, por isso não criam
um clima desagradável com os vizinhos", diz Camargo. Ele compensa
a falta de espaço em sua casa, que tem apenas um quintal pequeno,
com passeios matinais na pracinha ao lado e viagens ao campo
nos fins de semana. As qualidades que fazem do Pointer um
bom companheiro são muito apreciadas também pelos caçadores.
Afinal, os Pointers não trabalham o tempo todo. Muitos convivem
estreitamente com seus donos. Algumas acabam mesmo ficando
no canil ou no sítio, mas tem gente que vive tranqüilamente
com eles dentro de casa. O criador Washington Luís Lincoln
de Assis, proprietário do Canil Royal Bang, em Marília - SP,
diz que seus quinze cães vivem no sítio mas toda semana um
ou dois deles ficam com ele e a família em seu apartamento.
Apesar de tirar duas ou três ninhadas por ano, Assis nota
que a procura por Pointers como companhia está crescendo.
"Na década de 80, 90% dos cães que eu vendia eram para caça;
desde 1993, pelo menos 30% são para companhia", diz. Ele conhece
casos de Pointers que moram em São Paulo e em Campinas e passam
boa parte do tempo deitados nos tapetes da sala aos pés dos
donos, sem nunca terem saído para caçar. O uso da raça para
companhia também acontece na Itália, país com um dos melhores
plantéis de Pointers Ingleses da atualidade. "A demanda maior
é mesmo para caça, mas já vendi cães para grandes centros
urbanos como Roma e Milão, alguns inclusive para apartamentos",
diz o criador italiano Massimiliano Topino. "A raça é inteligente
e adora a companhia das pessoas, o que faz se adaptar bem
a qualquer tipo de ambiente", opina. Na Espanha, porém, é
mais raro ver um Pointer Inglês habitando as cidades. O criador
espanhol Francisco Arriazo Calavia, proprietário do Canil
Del Farracal, em Navarra, diz, no entanto, que é perfeitamente
possível conviver com um Pointer até num apartamento: "Se
assumirmos o compromisso de suprir as suas necessidades de
exercícios com passeios diários e eventuais dias de liberdade
na praia ou no campo, ficaremos plenamente satisfeitos." Já
na Inglaterra, ver um Pointer morando na cidade é uma cena
inusitada. "Aqui quem tem um Pointer vive no campo, dificilmente
se vê um passeando pelas ruas", diz a inglesa proprietária
do Canil Pipeaway e tesoureira do The Southern Pointer Club,
Mollie Thomas. Para ela, o Pointer precisa do cheiro do mato
para continuar sendo um Pointer. "Apesar de ser um excelente
companheiro que adora ficar o dia todo ao lado do dono, é
uma maldade submetê-lo ao confinamento das cidades", diz.
SEM MONOTOMIA
Apesar das opiniões contrárias, experiências bem-sucedidas
mostram que ter um Pointer na cidade é possível, mas requer
algumas precauções para que a convivência seja tranqüila e
feliz para ambos os lados. Para começar, a raça tem uma vitalidade
incrível, e precisa de exercícios físicos vigorosos e constantes,
importantes tanto para o seu desenvolvimento físico quanto
para o seu equilíbrio mental. "Ao seu lado não existe monotonia",
diz Patrícia Lilian Rizzo Ferreira, proprietária do Canil
Caçador do Pantanal, em Campo Grande - MS. Além de passeios
diários e longas caminhadas, os cães que moram nas cidades
- principalmente os que vivem em apartamentos e em quintais
pequenos - precisam correr soltos esporadicamente. Por isso,
o tipo de dono mais indicado para um Pointer é alguém que
goste tanto de esportes e da natureza quanto ele. Caso contrário,
o cão pode se tornar destrutivo, problemático e infeliz. A
companhia do Pointer em passeios de bicicleta é uma boa opção
para exercitá-lo. "Chego a percorrer sete a oito quilômetros
sem parar, com os meus", diz Pinto. "Posso correr à velocidade
que quiser, pois eles me acompanham sem cansar." Nadar também
é um excelente exercício. "O Pointer que nada é muito mais
musculoso, bonito e atlético", comenta Patrícia. Se a sua
casa tem piscina, pode ser difícil mant6e-lo longe dela. Outra
alternativa bastante interessante para quem tem um Pointer
na cidade é treiná-lo para agility, esporte praticado em grandes
espaços abertos, num circuito de vários obstáculos a serem
transpostos e que requer treino de obediência. O adestrador
e sócio da empresa Alternativa's Dog Show especializada em
treinamento de cães para esse esporte, Elias Teixeira de Oliveira,
diz que a raça foi uma das primeiras a ser usada por ele.
"Posso afirmar que eles se saíram muito bem."
PULSO FIRME
Apesar de dóceis e apegados, os Pointers são também cães auto-suficientes.
Sua capacidade de decidir aonde ir e quando parar é uma qualidade
necessária para executar a tarefa de localizar e apontar a
caça à frente do caçador durante o trabalho no campo. Essa
característica do seu temperamento tem um lado positivo para
a convivência, pois o Pointer não é um cão que viva requisitando
carinho. De outro lado, pode ser difícil torná-lo estritamente
obediente. Ele não chega a ser um cão teimoso, mas tem traços
de independência. Os criadores lembram que sua energia precisa
ser controlada com pulso firme, desde filhote. É recomendável,
por exemplo, delimitar áreas de acesso livre e restrito ao
filhote dentro de casa. Pelo menos até ele completar um ano,
a vigilância deve ser constante. Quando tiver de ficar sozinho,
o melhor é prendê-lo num cercado. Quanto à sua saúde, não
inspira maiores preocupações. Desde que criado num ambiente
adequado, com boa alimentação e em perfeitas condições de
higiene, não costuma apresentar problemas. O pêlo curto não
retém muita sujeira nem tem cheiro forte, mas costuma cair
na muda. Mesmo fora desta época, os criadores recomendam escovações
semanais, com uma luva de borracha. A freqüência dos banhos
vai depender da cor da pelagem e do tipo de vida que o cão
leva. Os que têm maior extensão de branco podem ser lavados
com shampoo clareador, e as "malhas" escuras podem ser protegidas
do sol com filtro solar para não desbotarem. Nenhum dos criadores
e veterinários entrevistados tem conhecimento de doenças hereditárias
típicas da raça. Já houve casos relatados de bordas das pálpebras
viradas para dentro (entrópio), displasia coxofemural ( problema
de encaixe entre o fêmur e a bacia) e monorquidismo (ausência
de um testículo), que os entrevistados julgam acidentais.
O livro Cães e Gatos - Um guia de saúde, de Johannes Odendaal,
não cita o Pointer como raça suscetível a doenças hereditárias.
Entre os problemas não transmissíveis geneticamente, criadores
e veterinários apontam três que podem afetar o Pointer com
maior freqüência: otite, obesidade e calosidades. Suas orelhas
pendentes abafam o canal auditivo, criando condições favoráveis
a inflamações. Mas basta uma limpeza quinzenal com algodão
e óleo infantil ou álcool para prevenir o problema. Como o
pêlo curto do Pointer não oferece proteção à pele, podem aparecer
calos. Por isso, evite deixá-lo dormir diretamente sobre o
chão duro e áspero. O mais adequado é forrar a cama com uma
grossa camada de jornais ou cobertores. Por último, como os
Pointers têm bastante apetite, se não estiverem na ativa engordam
mesmo. Além de prejudicar a sua estética e comprometer a agilidade
típica da raça, o excesso de peso pode acarretar problemas
cardíacos e de coluna, por exemplo. O jeito é adequar a alimentação
ao seu nível de atividade. Para os que trabalham no campo,
uma ração especial para cães muito ativos pode ser uma boa
idéia. Já os mais sedentários podem precisar de ração "diet"
para manter a forma
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