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  INFORMAÇÃO<Guia de raça << SCHIPPERKE >>
   

SCHIPPERKE: AMIGO DEDICADO

 
 


Companheiro obediente e superprotetor, esse pequeno cão leva ação e alegria aonde passa É difícil não se empolgar com o Schipperke, esse pequeno cão da Bélgica, carinhosamente chamado de Schip. De espírito alegre, ágil e sempre em atividade, está constantemente na companhia do seu dono e ao mesmo tempo mantém-se empenhado em tomar conta dele e de tudo ao redor. Seu instinto de proteção é extremamente aguçado, uma característica marcante da raça. Apesar do Schipperke não ser propriamente um cão de guarda - fato evidenciado pelo pequeno porte insuficiente para assustar os intrusos -, os donos e criadores são unânimes em dizer que se sentem seguros na companhia dele. Para a secretária do clube da raça na África do Sul, Ingrid Dinsmore, uma convicta dona de Schips há 39 anos que nunca mais quis ter outro cão, "não existe um companheiro mais fiel e protetor". O autor americano do livro Schipperkes, Darwin Martin, comenta que esse cão, de tão dedicado quando faz a guarda do lar, da família e propriedades, perde até a noção das limitações do seu tamanho. Os próprios padrões da raça das maiores entidades cinófilas endossam essas qualidades. A Federação Cinológica Internacional (FCI) o define como "um pequeno guarda, ágil, incansável, permanentemente atento e muito severo perante os objetos sob sua guarda". Já o American Kennel Clube (AKC), dos Estados Unidos, enfatiza o interesse da raça por tudo ao redor e a excelência e confiabilidade como vigia, sempre pronta a defender seus donos e propriedades.

HÁBIL APRENDIZ

Coerente com o forte instinto protetor e com o estado de alerta constante, o Schip é reservado com as pessoas desconhecidas. "Sem intimidade com estranhos", descreve o padrão da FCI. "Moro sozinha e me sinto protegida ao lado dos meus cães", comenta Polly Coler, que cria Schipperkes há 18 anos, em Hamilton, Ohio, nos EUA. "Se alguém chegar em casa ou se aproximar do portão, os Schips latem sem parar", diz. Os Schipperkes do criador há 14 anos, Earl Flatcher, em Conway, Missouri, nos EUA, quando vão a qualquer lugar ficam superatentos. "Ao menor sinal de perigo ou de aproximação de estranhos, dão o alarme e avançam, se preciso." Não gostam de intimidade nem mesmo com os amigos ou visitas mais assíduas. "Podem tolerar um amigo constante, mas não permitem qualquer contato físico." Ingrid acha interessante ver como os cães dela "estudam" por um longo tempo quem entra em casa. "Rodeiam e observam a pessoa; se ela esboçar uma atitude agressiva, avançam." Já com as crianças, a raça é mais receptiva e dócil. Ingrid presenciou os seus Schipperkes fazerem amizade com várias delas. Anos atrás ensinava poesia em casa para alunos de oito a dez anos. Nos primeiros contatos, os cães se mostraram um pouco desconfiados, como fazem com qualquer estranho. "Não atendiam ao chamado das crianças e mantinham distância", comenta. "Mas depois das primeiras aulas já saíam correndo para recepcioná-las no portão, deixavam passar a mão e brincavam felizes". As três filhas de Ingrid são as preferidas dos seus Schipperkes. "Ai de mim se fizer menção de bater nas crianças na frente dos cães", diz. "Eles se enfiam entre nós, me empurram e não páram de latir até eu parar." Não reagem a eventuais maus tratos. "Se alguma criança puxar os pêlos ou empurrar os cães, eles correm à procura de um lugar seguro, geralmente perto do dono", afirma a presidente do clube da raça nos EUA, Margie Brinkley. O Schipperke está entre os cães mais obedientes. Em um estudo realizado pelo canadense Stanley Coren, no livro A Inteligência dos Cães, a raça foi a 15ª em inteligência para trabalho e obediência, entre 133. O proprietário de um Schipperke na Flórida-EUA, Allan Webb, está convencido de que o cão é obediente como o Border Collie que tem, raça classificada em primeiro lugar por Coren. Os Schipperkes de Margie são bons exemplos. Uma de suas fêmeas em uma competição internacional, julgada por árbitros de vários países, como a França, a Bélgica e a Alemanha, arrebatou o título mundial de obediência e dois machos também faturaram títulos nessa categoria, nos EUA. Habilidade de aprender com facilidade é outro ponto forte do Schipperke. Assimila tudo com rapidez, segundo observam todos os nossos entrevistados. Flatcher ilustra que com apenas seis meses de idade, ainda filhotões, seus cães já tinham aprendido os comandos básicos como senta, deita, rola, fica, não, quieto, junto etc. Quanto aos hábitos de higiene, levaram apenas uma semana para aprender. "Uma senhora de Illinois que comprou um filhote da minha criação, telefonou dizendo estar impressionada, pois em apenas uma semana ele já fazia as necessidades no local certo", assegura.

ATRÁS DA ATRÁS DA PORTA
De tão curioso, o Schipperke é definido pelo autor Darwin Martin como incansável. O padrão da FCI comenta: "O Schipperke está sempre curioso com o que se passa atrás de uma porta ou com um objeto mudado de lugar." Webb conta que um de seus Schips ficou dias rodeando um móvel novo que ele colocou na sala. "Quando chego com qualquer coisa nas mãos, meus cães vêm logo xeretar", diz Polly. "Se for um pacote, então, é pior! Como não conseguem entrar nele, esperam tirar tudo para ver o conteúdo", diverte-se. O Schipperke está sempre em movimento. "Inquieto e incansável" são as referências à raça no padrão da FCI ou "ativo" no do AKC. "Meus Schips se mexem o dia inteiro; parece que não dormem", cita Margie. "Andam atrás da gente o tempo todo e correm sem parar", acrescenta. Os cães da criadora americana Pat Bolyard, de Lebanon, em Oregon, também passam o dia em movimento. "Não descansam um minuto - seguem o dono, correm e brincam entre eles ou com os brinquedos." Os de Webb também são muito ativos. "Não sossegam mesmo com o calor da Flórida", diz. Pat lembra da grande energia dos Schipperkes de um criador amigo. "Ficava impressionada ao vê-los não parar nunca: passavam horas com as crianças, pulando juntos de um sofá ao outro", diz. Atração por água é outra característica da raça. Os Schipperkes de Flatcher, por exemplo, adoram o rio da fazenda. "Pulam na água e ficam submersos até a base do pescoço." Já os exemplares de Margie e Webb, sem água corrente à disposição, costumam sentar dentro do bebedouro. "Se na minha propriedade houvesse um rio ou lago, com certeza não perderiam a chance de entrar nele", afirma. De porte pequeno - com cerca de apenas 30 centímetros de altura -, muito obediente, comportado e sem cheiro forte, o Schipperke é uma companhia excelente dentro do automóvel. Os de Polly amam viajar. "Basta pegar a chave do carro e eles vêm correndo, na maior felicidade", comenta. "O bom é que na viagem ficam quietos, sem pular de um lado para outro." Além de companheiros, ainda tomam conta do veículo. "Quando saio do carro ou paro num farol, não permitem a aproximação de estranhos - latem e avançam", diz Webb. O Schip se dá bem com os cães em geral e com os cavalos. Polly comenta sobre um amigo que cria os Schipperkes com os eqüinos. "Quando vou visitá-lo, fico admirada de ver os cães comerem e descansarem junto aos cavalos ou correrem pela propriedade, ao lado deles". Allan cansou de ver Schipperkes na Alemanha, mantidos junto aos estábulos. "Acho a idéia ótima", comenta. "Além de adorarem os cavalos, os Schips acabam com os ratos, comuns nas estrebarias." Para conviver bem com gatos, aves e outros animais, é recomendável acostumar o Schip desde pequeno, de preferência. Foi o que fez Ingrid, moradora em um sítio com gatos, galinhas, pombas e outros bichos. "Ficaram amigos", relata. "Meus Schipperkes brincam com as galinhas e correm atrás dos patos sem agredi-los."

CORES INCOMUNS
Uma das razões para a americana Pat escolher a raça foi a praticidade no trato. "Eu queria um cão pequeno para me fazer companhia, que não desse trabalho para cuidar", revela. De fato, basta escová-lo uma vez por semana para evitar o embaraçamento causado pelo subpêlo, muito denso. Os banhos não precisam ser freqüentes. Se viver em ambiente com pouco espaço, como um apartamento pequeno, convém sair com ele na rua para uma caminhada diária. Os que têm pelagem preta - a cor mais comum - não devem ficar sob o sol forte, que queima os pêlos e os deixa avermelhados. Os Schipperkes nascem com os ergots (quintos-dedos) geralmente apenas nas patas da frente. Costuma-se amputá-los, assim como à cauda, dos três aos cinco dias de vida (às vezes, o Schipperke nasce sem cauda). Ela é removida bem rente, na primeira junta - o cão fica praticamente anuro (sem rabo). "Como alguns países proíbem amputações em cães e há criadores contrários a esse tipo de cirurgia, na Suécia, Escandinávia, França e Holanda é comum ver os Schipperkes com a cauda inteira", comenta a presidente do clube da raça na Inglaterra, Diane Forknall. Segundo os padrões da FCI e do AKC, a cauda deve ser ausente ou imperceptível. A raça é supersaudável, de vida média longa - chega muitas vezes aos 15 anos. Não possui nenhuma doença em particular. O veterinário americano Allan Ross, da Companion Animal Clinic, em Oregon-EUA, já teve Schipperkes e trata de vários. "A raça é muito resistente e dificilmente pega doença", afirma. "Quando acontece de um Schip vir à clínica é devido a problemas corriqueiros, comuns a qualquer cão", enfatiza. A cor tradicional da raça é a preta, mas podem surgir outras: a creme, dourado, preto-e-canela, preto-e-branco, chocolate, fulvo e azul, aceitas pelo padrão da raça da Inglaterra e da África do Sul. Porém, em sua terra natal, a Bélgica, somente os Schipperkes pretos são aceitos oficialmente e não têm direito a pedigree. A FCI, que segue o padrão de origem da raça, e o AKC também só aceitam os pretos nas exposições, mas registram as demais cores. Os não-pretos são muito raros e difíceis de se obter nas ninhadas. A secretária do clube da raça na África do Sul, Ingrid, avalia que a raridade "dos coloridos" garante o sucesso. "As pessoas chegam a pagar o dobro do preço para adquirir um", informa. O presidente do clube da raça na Bélgica, Deschuimere Norman, acredita que essas cores diferentes foram introduzidas no Schipperke por intermédio de outras raças. "Provavelmente, o Schipperke foi cruzado com o Spitz Alemão (Pomerânia) ou com o Pinscher para obtê-las", arrisca. Praticamente desconhecido no Brasil, é nos EUA que o Schipperke alcançou a sua maior expansão. A média de mais de 3 mil filhotes registrados por ano ultrapassa, naquele país, a de raças bem mais populares entre nós, como o Old English Sheepdog, os Setters e o Fox Pêlo Duro.

UM NAVEGADOR
Embora considerado originário da Bélgica, boa parte da história do Schipperke se passa em um país vizinho, a Holanda. Lá, ele foi largamente utilizado em barcos como guarda e caçador dos ratos que atacavam as provisões a bordo. O nome Schipperke é uma homenagem a essa função da raça que em flamengo significa "pequeno capitão". Acredita-se que ele descenda de um cão de pastoreio preto e pequeno, chamado Leauvenaar. O hábito de amputar a cauda surgiu em 1690. Um sapateiro holandês, cansado de ter seus Schipperkes roubados pela vizinhança, resolveu cortar a cauda do último que adquiriu para torná-lo facilmente identificável e ninguém querer pegá-lo. Nesse mesmo ano, a raça fazia a sua primeira aparição em público no Grande Palácio de Bruxelas, na Bélgica. Mas o reconhecimento oficial só ocorreu em 1882 e a popularidade em seu país de origem aumentou apenas três anos mais tarde, depois que a rainha Maria Henriette resolveu adquirir um exemplar

 
PADRÃO OFICIAL
CBKC nº 83 de 30/04/95. FCI nº 83 de 19/05/88. País de Origem: Grã-Bretanha. Nome no país de origem: Schipperke

APARÊNCIA GERAL:
excelente e fiel, pequeno cão de guarda, sem intimidade com estranhos. Inquieto, ágil, incansável, permanentemente atento ao que se passa em volta, muito severo perante os objetos cuja guarda lhe é confiada, muito dócil com as crianças, aprende os costumes de casa, sempre curioso com o que se passa atrás de uma porta ou com um objeto que se mude de lugar, traindo suas impressões digitais por sua voz penetrante; procura a companhia de cavalos, caça topeiras e outros bichos, pode ser utilizado na caça , indicando as tocas dos coelhos; segue a pista de lebres na mata. COR: preta unicolor.

CABEÇA:
semelhante à da raposa. Testa muito larga, diminuindo em direção aos olhos; visto de perfil, é ligeiramente arredondada; focinho afilado, sem ser muito alongado, stop pouco pronunciado.

TRUFA:
pequena

OLHOS:
marrom escuro, cheios, mais para ovais que para redondos, inseridos no plano da pele, vivos e penetrantes.

ORELHAS:
bem empinadas, pequenas, triangulares, de inserção alta, cartilagem bastante forte de modo que não se dobrem a não ser no comprimento, excessivamente móveis, aproximando-se, quando em atenção.

DENTES:
perfeitamente articulados.

PESCOÇO:

robusto e portado reto.

OMBROS:
oblíquos e móveis.

PEITO:
largo na frente, largo atrás dos ombros e profundo, ventre bastante esgalgado.

DORSO:
reto, horizontal, parecendo mais alto na cernelha por causa da juba.

LOMBO:
largo e robusto.

MEMBROS:
perfeitamente retos, e bem aprumados, de ossatura fina.

PATAS:
pequenas, redondas e compactas, unhas retas fortes e curtas (sem ser curvas).

COXAS:
muito largas, longas e bem musculadas, jarretes curtos.

TRONCO:
curto e atarracado.

CAUDA:
anuro (ausente).

PELAGEM:
abundante e resistente ao toque, pêlo raso nas orelhas, curto na cabeça, na face anterior dos membros anteriores e nos jarretes; muito curta no tronco, mas alongada em torno do pescoço, começando pela borda externa das orelhas, forma uma juba e um , peitoral, prolongando-se entre os membros anteriores; também alongada na face posterior das coxas, onde forma um culote cujas pontas são voltadas para dentro.

TALHE:
Peso - a) de 3 a 5 quilos; b) de 5 a 8 quilos. Os exemplares que pesam menos de 3 quilos e aqueles que pesam mais de 8 quilos não poderão ser premiados em exposições.

FALTAS:
olhos claros, orelhas muito longas ou arredondadas, cabeça estreita ou alongada, arqueada ou muito curta, pelagem pouco abundante, ondulada ou sedosa, ausência de juba ou culote, pelagem muito longa, dentes mal inseridos.

DESQUALIFICAÇÕES:

orelhas semi-eretas, pêlos brancos de nascença, prognatismo (superior ou inferior). N

NOTA:
os machos devem apresentar dois testículos de aparência normal bem desenvolvidos e acomodados na bolsa escrotal.
 

PARA SABER MAIS
Clubes da raça:

nos EUA, The Schipperke Club of America, tel.(001541)259-3826. Na Inglaterra, The Schipperke Club, (0044145)521-2479. Na Bélgica, Royal Schipperkes Club, (003256)33-5576. Na África do Sul, The Schipperke Club, (002711)792-7931. Livro: Schipperkes, de Darwin J. Martin, T.F.H. Publications, Neptune City, NJ - EUA.

Criadores:
EUA-Earl Flatcher, tel. (001417) 589-4409. Margie Brinkley, (001541) 259-3826. Polly Coler (001513) 868-1106. África do Sul: Ingrid Dinsmore (002711) 793-3482

Agradecemos aos entrevistados e à revisão técnica feita por Hilda Drumond, diretora cinotécnica da ACB e José Peduti Neto, juiz de todas as raças pela CBKC. Reportagem: Alonso Vera Junior. Redação: Carmen Olivieri. Foto: Luiz Henrique Mendes Prop.: Tulla García, Lima-Peru
Direitos autorais do texto: Cães&Cia, é proibida a reprodução total ou parcial do texto

 
   
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