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SHAR
PEI: MUDANÇA DE VISUAL
Esse chinês teve seu aspecto alterado em consequência da Revolução
Comunista. Hoje, luta para ser como antes. Conheça sua fascinante
história. O Shar Pei não está entre as raças mais comuns de
serem vistas desfilando pelas ruas. Nem é daqueles que todo
mundo conhece pelo próprio nome. Mas ainda assim, é reconhecido
por grande parte das pessoas. Estranho? Não. Vários motivos
fizeram o Shar Pei ser amplamente explorado pela mídia. A
história e a imagem desse cão repercutiram. Veio da China
onde a tradição de comer cachorros não o poupava; foi quase
extinto devido à matança aos cães ordenada por Mao Tsé Tung;
tornou-se alvo de um trabalho de preservação iniciado pelos
americanos na década de 70, após um apelo dos poucos chineses
que se interessavam por ele; e por fim é dono de uma aparência
totalmente inusitada. Só no ano de 1981, o jornal O Estado
de São Paulo publicou cerca de dez reportagens sobre a raça,
enfocando principalmente o visual exótico e a luta para que
não desaparecesse de uma vez por todas. Em meados da década
de 80, ninguém menos que a apresentadora Xuxa lançou a música
"Meu Querido Xuxo". Xuxo era o Shar Pei dela, que chegou a
participar do programa. Quem era criança nessa época, certamente
nunca esquecerá o acontecimento do cãozinho estrelando na
tela. As feiras de animais domésticos, que Cães & Cia promovia,
também tiveram uma participação importante na divulgação da
raça. Realizados em estados como São Paulo, Minas Gerais,
Rio de Janeiro e Brasília, contavam com uma média anual de
público de 200 mil pessoas. Por dois anos, o Shar Pei foi
tema principal da campanha publicitária. Aparecia em tamanho
gigante nos outdoors. Na televisão era veiculado nos mais
diversos horários, inclusive nos nobres. Na primeira feira
o sucesso foi tanto, que na segunda criou-se um personagem
da raça: um homem vestido de Shar Pei, que cantava com as
crianças. O engraçado é que as pessoas, diante de uma foto
da raça, costumam exclamar coisas do gênero: "é aquela chinesa"
ou "é o cão mais enrugado do mundo". A idéia das rugas abundantes
é inerente ao Shar Pei. Mesmo porque, o filhote é, de fato,
um mar de rugas. Na infância, ele merece não só o "título"
de cão mais enrugado, como também de espécie animal mais enrugada.
O adulto, ao contrário do que se pode pensar, não tem que
ser tão pelancudo. Mas isso é uma novidade com apenas dois
anos de vida. Faz parte de uma série de alterações feitas
pelos chineses no padrão oficial da raça, redigido por eles
e adotado pela Federação Cinológica Internacional (FCI). Nesse
novo padrão que entrou em vigor em 1994, lê-se que a pele
em excesso no tronco é indesejável e as pregas pronunciadas
devem se restringir à cabeça e à cernelha, região onde o dorso
se encontra com o pescoço. Já no anterior, de 1981, a descrição
é praticamente oposta: "em continuação às rugas da face e
barbelas do pescoço, as numerosas pregas de pele recobrem
o corpo todo." Entre outras alterações, estão as proporções
físicas de forma geral, incluindo o tamanho da cabeça, a altura
e o peso. O Shar Pei, como nós mais conhecemos, tem um "cabeção".
Tanto que a versão antiga do padrão dizia que a cabeça era
bem grande em comparação ao corpo, passando a idéia de desproporção.
Comparava inclusive o focinho do Shar Pei com o de um hipopótamo,
pois de tão largo quase se confundia com a largura do crânio
- uma característica peculiar àquele mamífero gigantesco.
Hoje, pelos novos moldes determinados para a raça, uma cabeça
muito grande, com aspecto pesado é considerada "falta". Ou
seja, os exemplares que a apresentarem perdem pontos em exposições.
A comparação com o focinho de hipopótamo, que bem passava
a idéia de gigantismo, também foi eliminada. Quanto à altura,
o Shar Pei "cresceu". Se anteriormente as medidas estabelecidas
variavam entre 40 e 51 centímetros (medidos na parte mais
alta do dorso, a cernelha), hoje o padrão pede altura entre
48 e 58,5. Vale dizer que houve um engano na tradução brasileira
do novo padrão, na qual consta que a medida deve variar entre
47,5 e 57,5. Na prática, a mudança é radical. O Shar Pei que
antes podia ser um pouco maior que o Cocker, pode, agora,
ter a altura de um Dálmata. O peso que antes simplesmente
não era determinado, passou a ser limitado entre 18 e 29 quilos.
O resultado do Shar Pei descrito pelas regras atuais é um
cão menos robusto e atarracado. Ele é mais alto e tem limite
máximo de peso, o que exige uma ossatura mais leve e traz
uma aparência mais longilínia, ainda que essa palavra seja
um pouco exagerada para descrever a raça.
MUDOU POR QUÊ?
Conforme conta Nelson Lam, presidente do Hong Kong Shar-Pei
Club e responsável pelas alterações do padrão, as mudanças
previstas têm como objetivo resgatar certas características
do tipo original da raça. Objetivo, aliás, muito comum na
criação de cães de forma geral. O tipo físico original do
Shar Pei foi se perdendo na própria China, a partir do final
da década de 40. Foi o preço pago pelo mundo canino em consequência
da Revolução Comunista no país, em 1949. Nessa época, a raça
quase foi extinta. A posse de cães e outros animais de estimação
virou um luxo proibido. "Abriu-se uma exceção para os cães
de camponeses que comprovadamente os usavam para caça", conta
Nelson Lam. Os demais só poderiam ter o direito de existir
se seus proprietários arcassem com multas altíssimas. Caso
contrário, a sentença era a execução, cumprida pelos soldados
de Mao Tse Tung. Os cães "não trabalhadores" do país viram
alimento para o povo esfomeado. Por sorte, o Shar Pei original
era um excelente caçador. Por azar, o número de caçadores
era relativamente pequeno, restando poucos exemplares vivos.
E mesmo entre esses nem todos escaparam da morte, e desta
vez por uma seleção dos próprios caçadores, que utilizavam
apenas os serviços dos exemplares considerados bons na caça.
Os outros eram servidos à mesa. Os poucos Shar Peis sobreviventes
tiveram que enfrentar ainda outro problema: os efeitos da
desnutrição. Alimentando-se apenas com sobras das mesas dos
camponeses, começaram a diminuir gradativamente de tamanho.
Como lembra a bióloga e geneticista Helena Schulz Pereira,
a desnutrição impede que o tamanho ideal determinado pelo
potencial genético seja atingido. "Os filhotes de pais desnutridos
tendem a nascer menores e mais fracos, e assim sucessivamente,
até que o problema da desnutrição seja resolvido". Porém,
mesmo quando a desnutrição acabou, o tamanho das novas gerações
continuou menor. O fator responsável por isso provavelmente
foram os acasalamentos consangüíneos e inter-raciais, já que
havia pouquíssimos exemplares. "Os Shar Peis diminuíram dos
cerca de 58 centímetros para aproximadamente 45", diz Lam.
"Daí, queremos novamente a altura maior." Os malefícios da
reprodução entre parentes e da mistura de raças perduram até
hoje. Apesar de o padrão pedir tamanhos maiores, a maioria
dos cães não os atingem. E até o texto do padrão novo se mostra
complacente quanto à tal realidade: "se um exemplar não estiver
bem dentro dos parâmetros de tamanho descritos, não deve ser
severamente penalizado. Há de se compreender que o Shar Pei
perdeu seu talhe por volta de 1949." Além do grupo de Shar
Peis que caçava pequenos animais da região, como roedores
e até mesmo rãs, havia um outro destinado à rinhas clandestinas,
prática que atingiu maior popularidade entre as décadas de
60 e 70. Transformá-lo num ótimo cão de combate foi mais um
motivo para a miscigenação. Houve muito Shar Pei acasalando
com raças de luta, como o Buldogue Inglês, o Bullmastiff e
Bull Terrier. Resultado: os filhotes que provinham daí, herdavam
características desses cães. "A soma de todos os exemplares
puros da raça, inclusive os que estavam nas regiões vizinhas
à China, não chegava a cem", conta Lam. Em 1974, o Shar Pei
figurou no Livro Guiness dos Recordes como o cão mais raro
do mundo. Um ano antes, alguns chineses, encabeçados por Matgo
Law, de Hong Kong, lançaram um apelo de salvação à raça, publicado
em revistas americanas: "quem sabe se conseguirmos enviar
alguns dos nossos cães para o seu país, eles poderão, algum
dia, se tornar tão populares como o Pequinês ou o Chow-Chow",
escreveu ele. Deu certo. Vários criadores americanos mostraram
grande interesse pela raça. Mas havia um problema. A maioria
dos exemplares disponíveis era aquela vinda da consangüinidade
e da mestiçagem. Portanto, não tinha as características originais
do Shar Pei pré-revolução comunista. De acordo com Robert
Horsnell, que mora na China e na época criava a raça, entre
1970 e 1976 foram enviados aos Estados Unidos cerca de 100
exemplares, poucos deles com o físico do tipo original. "Em
1974 consegui reunir apenas 6 exemplares puros para exportação",diz
Horsnell, hoje membro do Hong Kong Kennel Club. O padrão com
data oficial de 1981, o que sofreu as alterações, foi na verdade
redigido pelos criadores chineses na década de 70. Daí terem
feito, hoje, tantas mudanças em suas descrições, já que refletiam
direitinho as características da maioria dos cães existentes
na época, que eram frutos de acasalamentos incorretos.
TIPO ORIGINAL
Em 1986, um grupo de criadores e amantes da raça, dirigido
por Nelson Lam e aflito com os caminhos do Shar Pei que se
distanciava cada vez mais do tipo original, fundou o Hong
Kong Shar Pei Club. O objetivo da entidade era conscientizar
as pessoas de como deveria ser um verdadeiro exemplar. Dois
anos depois, em 1988, o clube lançava o novo padrão da raça,
já exigindo as características do tipo físico original do
Shar Pei. Apenas em 1994, a FCI o adotou. Lam lembra que reunir
as informações necessárias que mais fielmente retratavam os
Shar Peis originais para a elaboração do padrão, foi tarefa
difícil. Exigiu muito tempo e pesquisa, principalmente junto
aos criadores chineses, pois o material escrito sobre a raça
mostrava-se insuficiente. Além disso, a comunicação era complicada,
pois muitos criadores falavam dialetos diferentes.
TENDÊNCIAS
Hoje, segundo Lam e Horsnell, é possível encontrar exemplares
do tipo original em Hong Kong e em alguns outros lugares da
China. "Mas ainda não despertam tanto interesse na maioria
dos ocidentais, que estão mais acostumados com o tipo bem
enrugado e pesado, resultantes da consangüinidade e da miscigenação",
comenta Horsnell. Por outro lado, diz Lam, desde que o padrão
entrou em vigor, em 1994, cresce o número de criadores, sobretudo
europeus, que se esforça em produzir exemplares mais parecidos
com os originais. Conforme informou a Cães & Cia o presidente
do clube do Shar Pei da França, Yves Surget, de cerca de um
ano para cá, muitos criadores europeus têm se empenhado em
buscar o tipo original, sugerido pelo novo padrão. "No entanto,
como a iniciativa ainda é muito recente, a maioria dos exemplares
na Europa ainda apresentam o tipo físico descrito pelo padrão
antigo", afirma. Aqui no Brasil, a situação é semelhante.
Ainda mais, porque mesmo que a maior parte dos criadores brasileiros
siga as regras da FCI, há muitos cães importados dos Estados
Unidos. Como se sabe, os EUA não seguem a FCI. Entre os americanos,
o padrão não mudou. Lá, continua-se buscando uma altura menor,
com ossatura pesada. A cabeça desejada pelo padrão é grande
em relação ao corpo e na descrição do focinho permanece a
analogia com o do Hipopótamo. A única mudança que começa a
engatinhar nos rumos da criação do Shar Pei nos EUA é em relação
a diminuir a quantidade de rugas. Segundo a criadora americana
Joann Redditt, editora da revista The Barker, publicação oficial
do Chinese Shar Pei Club of America e autora de três livros
sobre a raça, a preocupação por parte dos americanos em não
produzir exemplares com abundância de rugas é em função, principalmente,
das complicações de saúde que podem acarretar e não do resgate
ao tipo físico original.
OLHO NAS RUGAS
As rugas do Shar Pei requerem atenção especial. Quanto mais
abundantes, mais atenção. Entre as dobras acumulam-se facilmente
sujeira e umidade, podendo ocasionar seborréia, dermatite
e micose. Como explica o veterinário carioca Jorge Pereira,
recomendado por vários criadores da raça, os sintomas em geral
são os mesmos para todos esses problemas, como falhas e manchas
na pelagem, coceira, eventuais feridas na pele e mau cheiro.
"Para dar um diagnóstico seguro, só fazendo biópsia", diz.
A prevenção resume-se em manter o cão sempre bem seco. Depois
de enxugá-lo, leve-o ao sol a fim de eliminar os resquícios
de umidade. As rugas da cabeça são muitas vezes as vilãs de
problemas de vista. Quando caem na frente dos olhos, forçam
as pálpebras e cílios a entrar nos olhos (entrópio). A irritação
decorrente pode evoluir para lesões na córnea, às vezes levando
à cegueira. Nesses casos, para evitar o início do processo,
costuma-se fazer o tacking. Consiste em dar três pontos nas
pálpebras do filhote (entre 15 dias e 1 ano de idade), formando
"pregas". Ao tirar os pontos duas semanas depois, as pálpebras
tendem a não cair mais - a musculatura se desenvolve de forma
adequada para sustentá-las erguidas. Caso não funcione, pode
ser feito mais vezes, desde que seja na infância. No adulto,
pode não ter efeito, pois a musculatura está desenvolvida.
Opta-se então por uma cirurgia definitiva que retira parte
da pálpebra. Deve ser usada como último recurso. Ao contrário
do tacking, deixa cicatriz. Em exposições isso penaliza o
exemplar, pois o denuncia como antigo portador de ectóprio
ou entrópio - uma falta pelo padrão.
PESQUISA
O excesso de consangüinidade da qual a raça foi vítima propiciou
também problemas de saúde. Um deles é a febre familiar do
Shar Pei. Devido a um mau funcionamento dos rins e fígado,
há dificuldade em eliminar as toxinas do corpo. O cão subitamente
fica com febre alta. Pode ter dores nas juntas, dificultando
a movimentação. Os sintomas tendem a desaparecer sozinhos,
mas podem voltar a qualquer momento e acabam levando à morte.
A doença não tem cura. Romana Arnold, diretora do Chinese
Shar-pei Club of America, comentou à Cães & Cia que a entidade
já arrecadou U$ 75 mil em doações de criadores para iniciar
em breve uma pesquisa na esperança de detectar a doença antes
de manifestar-se. "Em parceria com veterinários da universidade
de Missouri tentaremos descobrir qual é o gene responsável
pela febre", conta. "Assim poderemos evitar que esses cães
entrem na reprodução." A raça também pode manifestar hipotiroidismo,
um distúrbio da glândula tiróide. O cão perde pêlo e a pele
engrossa muito e escurece. Em casos extremos, ocasiona esterilidade,
principalmente das fêmeas. O tratamento é à base de hormônios.
Cláudia Dantas, criadora da raça e estudante de veterinária,
diz que o Shar Pei é propenso à hipertermia. "Por ter a pele
grossa e abundante, o calor fica retido no organismo e a temperatura
corporal pode subir tanto a ponto de se fatal." Por isso,
é importante não submetê-lo a atividades físicas em horários
muito quentes e nem deixá-lo exposto ao sol, a não ser de
manhã. Existem também exemplares com mordedura prognata (dentes
da frente da arcada de baixo fecham acima da arcada superior).
Apesar de não ser uma doença, é considerado um defeito originado
pelas miscigenações. O padrão pede mordedura em tesoura (igual
à humana). O ronco é uma característica típica da raça, causada
pela passagem do ar pelo palato (céu da boca), que possui
conformação mais alongada que a comum. Em alguns casos é necessária
uma cirurgia corretiva para que o cão possa respirar melhor.
Normalmente, não costuma provocar problemas para os exemplares.
Como é de praxe, os cães que apresentem quaisquer desses problemas
não devem ser acasalados para evitar que a tendência genética
se expanda. Como dica de acasalamento, vale lembrar que o
Shar Pei pode ter a pelagem até 2,5 centímetros de comprimento
na região da cernelha. Quando vai até 1,5 é chamada de horse
coat. Já a mais longa recebe o apelido de brusch coat. A recomendação
do clube americano é não cruzar por muitas gerações seguidas
exemplares brush, evitando que os pêlos se alonguem demais
ou percam a textura áspera. "A cada três gerações, em média,
coloque um horse coat", diz Romana, a diretora.
SER SHAR PEI É:
Aprender rapidamente os hábitos de higiene · Gostar de ficar
deitado ao lado dos donos, na maior tranqüilidade. Nada de
grandes agitos e correrias. · Dar-se bem com pessoas estranhas
· Nem sempre gostar de outros cães, herança das raças de luta
· Viver bem em lugares grandes ou pequenos · Ser caseiro,
de fácil adaptação · Não precisar de mais de 15 minutos de
passeio por dia · Latir pouquíssimo · Gostar de crianças,
ainda que canse logo e não aguente horas de folia · Chamar
atenção onde quer que esteja · Conquistar corações com um
jeito especialmente envolvente e cativante.
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PADRÃO OFICIAL
CBKC: n°309a de 20/4/94 FCI n° 309 de 25/1/94 País de
origem: Hong Kong (raça Chinesa). Nome do país de origem:
Shar-pei;
APARÊNCIA GERAL:
forte e compacto. Shar Pei significa pele de Areia. A
pele deve ser flexível e áspera, enquanto a pelagem é
curta e eriçada. Na sua infância, ostenta pesadas pregas
por todo o corpo. No cão adulto, as pregas pronunciadas,
ficam limitadas á cabeça e cernelha.
PROPORÇÕES IMPORTANTES:
o comprimento do tronco, do esterno à nádega, é, aproximadamente,
igual à altura na cernelha; as fêmeas podem ter o tronco,
sutilmente, mais longo. O comprimento do focinho é, aproximadamente,
igual ao do crânio.
COMPORTAMENTO - TEMPERAMENTO:
ativo e ágil. Calmo, independente leal e afeiçoado às
pessoas.
CABEÇA REGIÃO CRANIANA:
o crânio é arredondado e largo na base, mas achatado e
largo na frente. Stop: moderado.
PREGAS:
as pregas da pele, na cabeça, devem ser profundas sem,
entretanto, obstruir os olhos. A descrição chinesa da
forma da cabeça é "Who Lo Tau", que significa, cabaça.
Essas rugas fazem, na fronte, uma marca, que reporta ao
Símbolo da Longevidade na China. Essa característica é
essencial para a raça, porque, a Marca da Longevidade,
aparece, apenas, em felinos, como os tigres e os leões.
Em cães, apenas, nas raças do tipo mastife.
REGIÃO FACIAL:
Trufa: grande, larga, preferencialmente preta, sendo permitidas,
as tonalidades mais claras, em cães de pelagens mais claras.
Focinho: de comprimento moderado, largo na base, reduzindo,
suavemente, para a trufa. Boca: língua e gengivas, preferencialmente
, em preto-azulado. Somente aos exemplares de pelagem
clara é permitido a língua rosa ou apresentando pontas
rosa, por exemplo, fulvo ou creme claro. Maxilares fortes.
O formato da boca, vista de cima, também, é de céu da
boca arqueado, conhecida como: "Roof Title Mouth" ou,
com maxilar amplo, em forma de boca de sapo, conhecida
como: "Toad Mouth". Ambos os tipos de boca destinam-se
a conferir uma mordida firme. Dentes: mordedura em tesoura,
perfeita, regular e completa, isto é, os dentes, da arcada
superior, ultrapassam os, da arcada inferior, bem próximo,
sendo inseridos, ortogonalmente aos maxilares. Olhos:
tamanho médio, formato amendoado, o mais escuro possível.
Olhos claros são indesejáveis. Tanto a visão, quanto o
funcionamento das pálpebras, não podem sofrer interferência
da pelagem ou das dobras da pele. Qualquer sinal de irritação
do globo ocular, conjuntiva ou pálpebras é altamente indesejável.
Orelhas: pequenas, finas, de formato triângular equilátero,
com a ponta, suavemente, arredondada. As extremidades
caídas, apontando para o crânio, na direção dos olhos.
Inseridas afastadas e portadas próximo ao crânio; orelhas
eretas são menos desejáveis, mas permitidas.
PESCOÇO:
forte, musculado, com alguma barbela. A pele solta deve
ser moderada.
TRONCO:
pele em excesso no tronco, em exemplares adultos, é indesejável.
Cernelha: apresenta ligeira dobra de pele. Dorso: muito
forte e reto. Peito: largo e profundo. Garupa: ilíaco
forte. Cauda: existem diversos tipos. O mais comum é a
enroscada , e a duplamente enroscada, podendo fazer uma
rosca grande ou pequena. A cauda deve ser firme e deitada
sobre a garupa.
MEMBROS ANTERIORES:
ombros musculados, bem acoplados e inclinados. Anteriores
de comprimento moderado, sutilmente, mais longos que a
profundidade do peito. Boa ossatura. Metacarpos suavemente
inclinados, fortes e flexíveis.
POSTERIORES:
fortes e musculados, moderadamente angulados e jarretes
curtos.
PATAS:
tamanho médio, compactas, dedos bem arqueados, bem almofadados.
MOVIMENTAÇÃO:
vigorosa, fluente e equilibrada.
PELAGEM
Pêlo: curto, duro, eriçado e o mais reto possível. Sem
subpêlos. O comprimento máximo é de 2,5cm. Jamais tosado.
COR:
unicolores, preto, preto azulado, preto com insinuações
em marrom, ruivo e fulvo. Creme é aceitável porém, menos
desejável.
TALHE E PESO
Altura na cernelha: 47,5 a 57,5 cm. Peso: 40-65lbs. Se
um exemplar não estiver, bem dentro, dos parâmetros acima,
não deverá ser severamente penalizado. Deve compreender-se
que o Shar Pei tradicional perdeu seu talhe por volta
de 1949. Os camponeses preferem o tamanho maior que eles
chamam de "High Head Big Horse". O tamanho, entretanto,
deve atingir os 23" na cernelha e as fêmeas levemente
menores. Acima de 57,5cm é indesejável por receio de mestiçagem.
FALTAS:
qualquer desvio dos termos deste padrão deve ser considerado
como falta e penalizado na exata proporção de sua gravidade.
Cabeça: e mandíbula excessivamente pesada. Boca: muito
grande, lábios muito caídos, que possam interferir na
mordida, por ser utilizado no esporte da caça. Dentes:
prognatismo ou retrognatismo. Olhos: entrópio, ectrópio.
Orelhas: grandes, que pendam lateralmente, não apontando
para os olhos. Tronco: selado ou arqueado. Cauda: caída.
Patas: espalmadas. Pelagem: pêlos maiores que 2,5cm. Cor:
cores mescladas com marcação castanho, sarapintado. Tigrado
é inaceitável; essa coloração indica mestiçagem. NOTA:
os machos devem apresentar dois testículos de aparência
normal, bem desenvolvidos e acomodados na bolsa escrotal.
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PARA SABER MAIS
Livros:
da autora Joann Reditt:
1) Chinese Shar-pei Puppy Book
2) Understanding the chinese Shar-pei (ambos da Orient publications
Inc, Arlington, Virginia - EUA.
3) Chinese Shar-Pei a Happy Healthy Pet, da editora Howell Book
House, Nova York-EUA.
4) Shar-pei, de Anna Katherine Nicholas, T. F. H. Publications,
Neptune City, NJ-EUA.
5) The complete Chinese Shar-Pei, de Dee Gannon, Howell Book
House, Nova York-EUA.
6) The chinese Shar-Pei, de Ellen Weathers debo, T.F.H. publications,
Neptune City, NJ-EUA.
Clubes:
Shar-Pei Club de France, 26 C. Bid. V. Hugo - 76260 Eu (filiado
a FCI). The chinese Shar-Pei Club of America, Inc. P.º Box 113809,
Dept DW. Anchorage, Alaska 99511 (filiado ao AKC).
Agradecemos aos entrevistados e a Gisele Agostinho de oliveira
(Sharskin Dog Kennel), Suzie Colin (Canil W rinkled Eyes), Corinne
Coffin (Canil Baggy Shar-Pei), Eva Maria Fonseca (Canil Amur
Asharl), Nara Rosa (Canil Riverside's); e aos veterinários Arany
Bomfim Mariana, Lúcia Moreno de Souza, Luís Pereira e Rubem
Bittencourt Cardoso Júnior, inclusive pela revisão técnica desse
texto, feita também por Hilda Drumond, diretora cinotécnica
da ACB e por José Peduti Neto, juiz de todas as raças pela CBKC.
Reportagem: Mariana Viktor, Rodrigo Flores e Flávia C. Soares.
Texto: Flávia C. Soares Foto: Luiz Henrique Mendes Prop.: Dynasty
Kennels
Direitos
autorais do texto: Cães&Cia, é proibida a
reprodução total ou parcial do texto
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