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FOLHA DE SÃO PAULO - 15/01/2005 Em montagem despojada do texto de Nelson Rodrigues, o diretor Alexandre Reinecke explora o apelo de mídia do elenco"Sete Gatinhos" fica entre comercial e ousado "Sete Gatinhos" fica entre comercial e ousado CRÍTICO DA FOLHA Esforçando-se para fazer "um teatro que o público gosta" e depois de um desajeitado "Arsênico e Alfazema" montado às pressas, Alexandre Reinecke começa a dar provas de ser um competente diretor comercial. Lança-se ao desafio de montar os "Os Sete Gatinhos", de Nelson Rodrigues, sabendo que o que pesa mais hoje nessa "ousadia" não é o choque com o pudor do público. Nelson não atrai mais por ser maldito, mas por ser um clássico, apto a revelar a assinatura de quem dirige seus textos.Fica clara a intenção do diretor em querer reunir o melhor de dois mundos. Tem nas mãos um elenco cúmplice, que cumpre marcas precisas, e o habilita assim a fazer um espetáculo despojado, baseado na atuação, como é ponto de honra no teatro experimental. Por outro lado, não despreza o apelo de mídia do casal Dalton Vigh e Bárbara Paz, que apresenta uma nitidez de ritmos e tons sem perder o bom mocismo jamais. Paz é um interessante exemplo de atriz que foi de um passado televisivo trash a uma passagem marcante pelo teatro alternativo, se instalando agora no comercial como uma precoce consagração. As inovações da direção, ao sintetizar todo o cenário no signo único de uma balança, são bastante eficientes para dar conta da cinematográfica quebra de unidade de lugar do texto: táxis, alcovas e salas de estar são sugeridos pela marcação em teatro e dança, embora às vezes o belo efeito roube o foco da trama, como nas cenas de incorporação de Zuzu Abu. Por outro lado, a idéia de introduzir Nelson Rodrigues enquanto personagem, lendo rubricas, ajuda tanto para distanciar criticamente o despudorado melodrama rodrigueano como para reforçar a teatralidade das frases. Com isso, lucra Seu Noronha, o pai que prostitui as filhas quase em delírio místico, que Javert Monteiro faz com empatia, mas com um tom um pouco convencional. Apresentar a fábula inverossímil como um esboço na cabeça do autor tem momentos de requinte, como a trilha feita unicamente pelo som de sua máquina de escrever, e essa opção de sacrificar a grandiloqüência pela elegância formal, embora esvazie o "grand finale", acaba se impondo enquanto risco. Acima de tudo, como o gato de Alice, paira o sorriso de Nelson Rodrigues. (SERGIO SALVIA COELHO) Os Sete Gatinhos Texto: Nelson Rodrigues Direção: Alexandre Reinecke Com: Dalton Vigh e Bárbara Paz Onde: Teatro Folha (shopping Pátio Higienópolis, av. Higienópolis, 618, piso 2, Higienópolis, tel. 3823-2323) Quando: ter. e qua., às 21h; até marçoQuanto: R$ 10 |volta| |
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