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Combustível do futuro

Mercedes Necar

Tecnologia da célula a combustível se desenvolve e
ganha viabilidade para os veículos do amanhã

Texto: Fernando Calmon

O automóvel elétrico existe desde o começo do século. Foi abandonado pelo mesmo motivo -- baterias -- que está levando ao fracasso os poucos modelos disponíveis atualmente no mercado. A Honda anunciou a descontinuação do modelo EV Plus e a GM não consegue encomendas suficientes para o pioneiro EV1, apesar do apelo ecológico. De 1996 a 1998 venderam-se apenas 2.400 unidades, contra mais de 40 milhões de veículos convencionais, no mercado norte-americano.

As limitações são impostas por baterias pesadas, volumosas, de baixa autonomia, pouca energia armazenada e longo tempo de recarga. Tudo isto torna o veículo lento, nada prático e, ainda pior, caro demais. Críticos também lembram que a geração de eletricidade só faz transferir o problema da poluição em ruas e estradas para as usinas térmicas ou atômicas. Já os híbridos (eletricidade e combustão), como o Toyota Prius, reúnem alguma possibilidade de sobrevivência.

O Necar 3 (à esquerda e no alto), um Classe A com célula de combustível
apresentado em 1997, já evoluiu para o Necar 4. Rendimento é cada vez melhor

O sonho, porém, não acabou. Guiar um automóvel com aceleração instantânea, sem caixa de câmbio e nenhuma emissão de gases poluentes, que ao se deslocar só deixa passar ruído de vento e dos pneus sobre o pavimento, será viável dentro de cinco anos. O Ministério da Energia dos EUA e grandes grupos internacionais como Daimler-Chrysler, GM, Ford e Renault-Nissan apostam numa nova alternativa.

Trata-se das células a combustível, que se diferenciam das baterias porque enquanto estas são meros acumuladores, aquelas geram a bordo sua própria energia elétrica. Para entender bem o que é uma célula a combustível, deve-se ter em conta de que não se trata de nenhum motor ou meio mecânico de propulsão.

Em recente Automec, feira da indústria de autopeças realizada na capital paulista, o seminário de maior destaque, sobre células a combustível, teve o título equivocado de "Motor do Século 21". A célula é um gerador eletroquímico de energia elétrica que alimenta, sem necessidade de ineficientes baterias, um prosaico motor ou motores elétricos, se o fabricante optou por colocá-los diretamente junto às rodas. Assim eliminam-se de uma só vez motor a combustão interna, caixa de câmbio e diferencial.

O combustível da célula é o hidrogênio, que em reação química com o oxigênio do ar gera eletricidade e tem como subproduto basicamente água. Torna-se assim a fonte mais limpa de energia para utilização veicular, praticamente sem nenhum poluente. O hidrogênio pode ser armazenado a bordo, mas em contato com o ar é extremamente explosivo e ocupa muito volume. Assim, exigiria a utilização de pesados tanques que retirariam quase toda sua vantagem nas aplicações em veículos leves de passageiros. Em ônibus, por exemplo, a dificuldade não existe.

Projeto específico para motor elétrico, o EV1 da GM foi alongado em meio metro e ganhou dois lugares nesta versão com célula a combustível
Agora já é possível resolver esta limitação gerando a bordo o hidrogênio e o utilizando imediatamente para transformação em energia que alimenta o motor elétrico. Pode-se obter o hidrogênio a partir de gasolina ou álcool colocado num tanque comum do carro e aproveitando-se toda a infra-estrutura atual da rede de postos de abastecimento.

Estudou-se a gasolina, mas continuaria a ocorrer alguma emissão poluente, sem diminuir a dependência do petróleo, riqueza finita e que, um dia, será mesmo reservada à utilização em aplicações mais nobres. Entre os dois tipos de álcool -- etanol, usado em mistura à gasolina ou diretamente no Brasil, e metanol, que abastece os carros de F-Indy/Cart --, a eficiência maior ocorre com o metanol. No mercado brasileiro, entretanto, a grande produção do álcool etílico viabilizaria melhor sua transformação em hidrogênio. Continua

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