Tradição australiana

Além de nosso Omega, a Holden produziu na Austrália
numerosas versões de seu carro grande desde 1978

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

Quem vê hoje o Holden VT Commodore rodando pelas ruas brasileiras, rebatizado como Chevrolet Omega, não tem idéia da tradição que essa marca australiana do grupo General Motors carrega. Já há 23 anos a Holden fabrica, com mecânica local, versões de produtos desenvolvidos na Alemanha pela subsidiária Opel.

O primeiro foi o VB Commodore, em outubro de 1978, que deu início à internacionalização da marca. Desde então seguiram-se os modelos VC (1980), VH (1981), VK (1984), VL (1986), VN (1988), VP (1991), VR (1993), VS (1995) e o atual VT (todos seguidos pelo nome Commodore), lançado em 1997. O VB era uma variação do Opel Rekord, que em geração anterior havia dado origem a nosso Opala.

O primeiro, o VB de 1978 (no alto), era similar ao Senator alemão, mas a semelhança
diminuiu com as mudanças posteriores: o VL 1986, à esquerda, e o VN 1988

Motor, câmbio e suspensão, contudo, eram desenvolvidos na Austrália em função das condições locais -- um processo tão extenso que custou pouco menos que o projeto de um automóvel 100% novo. A versão perua chegava em 1979, partilhando com o sedã os motores de 2,85 e 3,3 litros, de seis cilindros, e os V8 de 4,2 e 5,0 litros.

Em 1984 a Holden adaptava à mesma carroceria um novo desenho com seis janelas laterais, no modelo VK, que o fazia parecer maior e ajudou a erguer as vendas. A mudança seria complementada em 1986 pelo VL Commodore, que recebia nova frente, traseira e painel, desenvolvidos na Austrália. Havia um motor de seis cilindros e 3,0 litros, de origem Nissan, e um câmbio automático de controle eletrônico. Além de 33% mais potente, consumia 15% menos. O 3,0 teve também versão com turbocompressor.

O VN e o VP Commodore (ao lado) derivavam do Omega feito também no Brasil, mas eram mais largos e com estilo próprio

Naquele ano, contudo, a Opel lançava o Omega, sucessor do Rekord, tal e qual foi lançado no Brasil em 1992. Um novo Commodore chegava só em 1988, o VN, para levar a Holden à liderança de vendas no país no ano seguinte. Foi também eleito Carro do Ano pelas três revistas automobilísticas mais importantes. Embora derivado do Omega, o automóvel era mais largo e tinha linhas próprias para atender ao mercado local.

Na mecânica a novidade era o motor V6 de 3,8 litros a injeção, fornecido pela Buick e tão potente quanto o V8 carburado anterior. O V8 de 5,0 litros, também com injeção, equipava a versão SS com 220 cv. A perua era agora fabricada sobre entreeixos mais longo. Dois anos depois, após sete de ausência, retornava o picape Holden, derivado do automóvel e denominado VG Utility. A linha VN teve mais de 215 mil unidades fabricadas, o que incluiu o Holden de número quatro milhões.

Rebatizada VS em 1995, aquela geração trouxe de volta o picape derivado do sedã, variação interessante e inédita no mundo

Em 1993 saía o VR Commodore, remodelado em 80% dos componentes externos, que foi o carro mais premiado da indústria australiana. Segurança era o ponto alto: foi o primeiro do país a oferecer bolsa inflável, além de ter suspensão traseira independente, bitola dianteira mais larga e freios antitravamento (ABS). Os motores 3,8 e 5,0 permaneciam, mas o V8 tinha uma opção de 250 cv. Chegou a 165 mil unidades.

Finalmente, em 1997, nascia o correspondente ao segundo Omega europeu (de 1994): o VT Commodore, projeto australiano visando também à exportação. Além de linhas muito modernas, era o maior modelo da série e oferecia bolsas infláveis laterais, primazia no país, e suspensão traseira independente em todas as versões. O motor V6 3,8 ganhava versão com compressor e, dois anos depois, o V8 5,0 dava lugar a um 5,7 similar ao do Chevrolet Corvette americano. Na linha 2001 o picape foi atualizado com a série VU (saiba mais) e a denominação do sedã passou a VX.

Última versão: no VX Commodore, a traseira do Omega que está chegando
ao Brasil e frente ao gosto australiano, com grade em dois segmentos

Desde 1978, a Holden produziu mais de 1,7 milhão de unidades do Commodore. Ele representa para os australianos um carro acessível e popular, assim como Toyota Camry, Ford Taurus e outros modelos de grande porte nos Estados Unidos. Apesar da origem européia, a marca assumiu tal independência que ele manterá a tração traseira, preferida por muitos, quando o Opel Omega passar à dianteira nos próximos anos.

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