Venham a nós os automóveis
Por que não comprar um
utilitário-esporte -- em sua |
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Por definição,
utilitário é um veículo de passageiros -- cinco, seis
ou mais -- que se presta para transportar carga também.
Deixa de ser "de passeio" apenas. Para isso,
deve ser mais robusto do que um automóvel, especialmente
em estrutura e suspensão. O hoje tão comum adjetivo
"esportivo" ou "esporte" deve ser
entendido como lazer (calça-esporte, paletó-esporte) e
não na acepção mais comum da palavra. Ninguém veste
uma calça-esporte para praticar esporte, correto? |
A tração integral pode ser um grande aliado no tráfego por lama ou neve, mas quantos SUVs passam por eles em algum momento de sua vida útil? |
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| Contar com tração nas
quatro rodas ajuda, caso se precise enfrentar estradas de
piso irregular e/ou enlameadas ou subidas com piso
escorregadio, como é comum nas casas situadas nas regiões
montanhosas em época de chuvas. Nos países onde cai
neve e há formação de gelo nas ruas e estradas, a tração
integral ajuda bastante. É por isso que nos países
desenvolvidos do hemisfério norte há tanta oferta de
automóveis e peruas (station wagons) com tração nas
quatro rodas. Um veículo utilitário-esporte, para atingir seus objetivos de uso, precisa de grande distância mínima do solo, possibilitando-o trafegar sobre terreno acidentado. Ou seja, seu centro de gravidade é inerentemente elevado em relação a um automóvel típico. Os pneus dos SUVs precisam ser aptos a proporcionar tração sobre piso mole, como lama ou areia. Por isso, seu desenho é "esburacado", no sentido de possuir sulcos largos e profundos. É o que os fabricantes de pneus chamam de relação mar-terra, em que os sulcos são "mar" e o restante da banda de rodagem, "terra". Um pneu de automóvel para uso geral apresenta uma relação mar-terra 20-80, em que 20% corresponde a sulco e 80% a parte que toca o solo. Num SUV, a relação aumenta para 30-70 ou 35-65. |
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Com chassi separado da carroceria e suspensão traseira de eixo rígido reforçada, os SUVs em geral são desconfortáveis e transmitem mais impactos e oscilações para os passageiros |
| Para poder transportar
pelo menos cinco passageiros e bastante carga, o SUV
precisa ser relativamente grande, volumoso... e pesado. A
tração integral contribui para o maior peso do veículo,
devido à segunda árvore de transmissão, ao segundo
diferencial, às duas semi-árvores de tração
adicionais. Os três elementos citados -- altura do veículo, pneus feitos para enfrentar lama, maior peso -- são a antítese dos elementos que levam ao que se chama habitualmente de boa estabilidade, a que envolve todo o comportamento veicular: agilidade, resposta de direção, manutenção da trajetória na curva, frenagem. Ou seja, todos eles elementos de segurança ativa (que evita acidentes diretamente), mas que ensejam a segurança preventiva (a que evita acidentes indiretamente, pois reduz a fadiga do motorista e o mantém mais atento). |
Muitos motoristas vêm neles maior segurança em caso de colisões, mas isso só se aplica se o impacto for contra um automóvel. Contra outro SUV, os riscos são maiores que entre dois carros de passeio |
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| Há outro aspecto
despercebido, que é a segurança em caso de acidente. A
idéia predominante é que a bordo de um SUV tem-se maior
chance de sobrevivência do que os ocupantes de um carro
"normal" no caso de colisão. A idéia é
corretíssima -- desde que o acidente não aconteça
entre dois SUV's. Isso porque esses veículos, com poucas exceções, são constituídos de chassi de longarinas com a carroceria aparafusada a ele. O resultado é que a capacidade de absorver a energia do impacto, mediante deformação progressiva, é muito menor que a de um automóvel de carroceria de construção unitária (monobloco). Assim, num acidente SUV contra SUV, as probabilidades de ferimentos graves ou morte são maiores do que automóvel x automóvel. Na questão de conforto, as características da suspensão de um SUV típico deixam o rodar desconfortável, comparado com o de um automóvel. Principalmente no que diz ao eixo traseiro rígido e pesado usado na maioria dos SUV's até hoje, igual ao das carroças do século 19. O eixo rígido é incapaz de acompanhar ("copiar") as imperfeições da estrada, provocando as mais estranhas reações. Poucos modelos, como BMW X5 e Mercedes-Benz ML, trazem eficiente suspensão traseira independente. |
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Mesmo nos melhores e mais caros utilitários, todo o comportamento dinâmico -- da estabilidade à frenagem -- fica atrás de um automóvel de tecnologia similar, em função de maiores peso e altura |
| Há, ainda, o tão falado
"prazer de dirigir". Todo veículo deve
proporcionar esse prazer. E não há como comparar o real
prazer de dirigir um bom automóvel com o de um SUV, por
melhor e mais caro que este seja. Há quem afirme gostar
"de dirigir no alto, devido à ampla visibilidade",
embora até hoje ninguém tenha demonstrado alguma
vantagem prática disso. Por estar alto e diante de um
capô comprido, pode-se não ver o que está
imediatamente à frente -- uma criança, por exemplo. Sem
falar na dificuldade de estacionar em uma vaga apertada
sem danificar o veículo alheio. Finalmente, a maior amplitude dos movimentos longitudinais e transversais do veículo, resultantes de sua altura. Os ocupantes são levados a oscilar mais nesses dois eixos, algo extremamente desconfortável e capaz de provocar enjôo de movimento. É como nos navios, em que os passageiros da primeira classe, no alto, sentem mais o mar revolto do que os da terceira classe na linha d'água ou mesmo abaixo. Portanto, status à parte -- e não cabe discuti-lo --, a opinião do Best Cars Web Site é de que fiquem os SUVs para quem realmente necessite deles. E venham a nós os automóveis. |
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