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Na lama, na neve e na poeira

Parecem carros de rua, mas enfrentam desafios
rigorosos: é o WRC, Campeonato Mundial de Rali

Texto: Fulvio Oriola - Edição: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

Uma das categorias mais importantes do automobilismo no mundo, o WRC (World Rally Championship ou Campeonato Mundial de Rali) da FIA ainda não desfruta de muito prestígio no Brasil, mas na Europa tem público semelhante -- se não maior -- ao da Fórmula 1. Isso acontece porque, ao contrário da maioria das competições, o WRC é disputado em estradas públicas, fechadas para as provas, o que propicia uma proximidade muito grande do público com os carros e pilotos.

Chega a ser uma proximidade perigosa, porque o público fica praticamente na linha da estrada para ver as corridas. Outro fator que ajuda a promover a categoria é a relativa semelhança dos carros com os modelos de rua, que o espectador pode comprar na loja. É portanto uma excelente ferramenta de marketing para os fabricantes, que investem nos ralis para divulgar seus modelos comerciais -- embora, na verdade, eles só se pareçam externamente com os de competição.

A Mitsubishi lidera o atual campeonato, com Tommi Mäkinen ao volante do Lancer Evolution
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Por definição, o rali é uma competição onde cada carro precisa ir de um ponto ao outro no menor tempo possível. O campeonato é divido em 14 etapas, e cada etapa em diversos estágios: Estágios Especiais, Superespeciais e Estágios de Deslocamento.

Especiais são os trechos cronometrados de velocidade, onde cada carro larga sozinho com um intervalo de dois minutos. Os trechos dos Especiais podem ter, no máximo, 400 km, onde a velocidade média não pode ultrapassar 110 km/h, com tolerância de 20% (132 km/h). Já os Superespeciais são estágios opcionais, que podem ou não fazer parte de determinada etapa. Nestes estágios, dois carros se confrontam largando ao mesmo tempo, num circuito fechado de 1,5 a 5 km, em pistas adjacentes com o mesmo comprimento.

Clique para ampliar a imagem Dois Fords Focus estão em segundo e terceiro lugares. Competem na Classe WRC, que permite motor de dois litros com turbocompressor e tração integral, mesmo quando não disponíveis no carro de produção

É um show à parte para os fãs, já que os carros costumam andar lado a lado a maior parte do tempo, separados apenas por um guard-rail, e cruzando a linha de chegada com uma diferença muito pequena. Por fim, os Deslocamentos são trechos de viagem entre os pontos de chegada de um Especial e de largada da próxima "perna" do rali. Os Deslocamentos não contam tempo e devem seguir as leis locais de trânsito. 

Resumindo: o que vale mesmo num rali são os Estágios Especiais. Os tempos de todos os Especiais são somados ao final de cada etapa e os vencedor é quem somar o menor tempo. Em seguida é dada uma pontuação aos seis primeiros, pelo mesmo critério da F1: para o 1º. colocado 10 pontos, e 6, 4, 3, 2 e 1 para os pilotos seguintes. No final da temporada, o piloto de maior pontuação é declarado Campeão Mundial de Rali.

A quarta posição está com o Peugeot 206 WRC. Para cumprir o regulamento, adota pára-choques salientes que aumentam seu comprimento para 4 metros
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Cada equipe é composta de pelo menos dois competidores: o piloto e o co-piloto (não mais chamado de navegador), que é o responsável por passar ao piloto as instruções da planilha -- um roteiro -- de cada percurso a ser cumprido. Ambos podem dirigir em uma mesma prova, Cada rali é realizado em apenas um tipo de piso (asfalto, cascalho, terra ou gelo), o que facilita a escolha de rodas e pneus, relações de câmbio e diferencial, acertos de suspensão, motor, etc. Os pneus, a propósito, têm número limitado para cada prova.

A assistência mecânica é permitida apenas nos parques de serviço, mas pilotos e co-pilotos podem realizar reparos durante a prova, desde que sem auxílio externo e com ferramentas e peças que tenham levado no carro. No mais, é permitido um reconhecimento do circuito pelas equipes uma semana antes do rali, em carros de passeio e sempre seguindo a legislação local. Continua

Os campeões dos últimos 11 anos
Ano Mundial de Pilotos Mundial de Construtores
2000 Marcus Grönholm - Peugeot Peugeot - 206 WRC
1999 Tommi Mäkinen - Mitsubishi Toyota - Corolla WRC
1998 Tommi Mäkinen - Mitsubishi Mitsubishi - Lancer Evolution V
1997 Tommi Mäkinen - Mitsubishi Subaru - Impreza WRC
1996 Tommi Mäkinen - Mitsubishi Subaru - Impreza
1995 Colin McRae - Subaru Subaru - Impreza
1994 Didier Auriol - Toyota Toyota - Celica GT4
1993 Juha Kankkunen - Toyota Toyota - Celica GT4
1992 Carlos Sainz - Toyota Lancia - Delta Integrale Evoluzione
1991 Juha Kankkunen - Lancia Lancia - Delta Integrale 16V
1990 Carlos Sainz - Lancia Lancia - Delta Integrale 16V

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