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Fabrício
Samahá,
Editor
Falar em aniversário de
10 anos de um site pode parecer, aos mais jovens leitores, assunto de
muito tempo atrás. De fato é essa a percepção que temos, ao lembrar
uma época de lentas e instáveis conexões discadas, de computadores
modestos no desempenho e impressionantes no preço.
Por outro lado, parece que foi ontem.
Como também não parece que já se vão 25 de meus 32 anos desde que
comprei a primeira revista de automóveis. Materializava-se no papel uma
paixão que vinha desde bem pequeno — conta a família que eu passava as
viagens de olho na estrada, apontando os carros mais interessantes e
dando seus nomes antes mesmo que os adultos presentes pudessem fazê-lo.
Nunca mais parei de lê-las e de ampliar a coleção procurando edições
anteriores.
Acho que nasci para escrever sobre automóveis. Aos 10 anos, começava um
pequeno jornal com notícias a respeito deles, escrito à máquina (preciso
contar o que era uma máquina de escrever?) e ilustrado com fotos
recortadas de revistas, jornais e dos catálogos que eu obtinha nas
concessionárias. Aos 12 ele se tornou uma ampla revista mensal, com
cerca de 100 páginas, que fiz até os 15. Sempre em exemplar único. Isso
pôde mudar quando veio meu primeiro computador, em 1989, mas o tempo se
escasseou e o passatempo de garoto foi abandonado.
Mesmo sem a revista artesanal, os carros e eu nos aproximamos ainda mais
nos anos que se seguiram. Vieram a habilitação, o primeiro automóvel, as
experiências práticas com testes de concessionária. E mais revistas. Uma
delas, Autoesporte, me chamava atenção pelo conteúdo técnico e a
precisão de informações. Havia lá um tal Bob Sharp, editor de testes e
técnica, a quem passei a escrever regularmente — pelo correio, claro —
comentando, sugerindo, esclarecendo conceitos. Aprendi muito naquele
período.
Em fevereiro de 1996 fui à redação conhecer o Bob e o diretor da
revista, Fernando Calmon. Levei meus exemplares artesanais, que causaram
sensação — "Ele fazia isso sozinho!", falava o Bob, surpreso. Nosso
contato se estreitou dali em diante até que, em setembro do mesmo ano,
fui convidado pelos dois a escrever artigos para Autoesporte. O
primeiro, sobre a tendência aos carros de quatro portas, foi publicado
na edição de dezembro.
Talvez pela saída de ambos da revista (Bob tornou-se gerente de imprensa
da General Motors; Fernando seguiu carreira solo no jornalismo
especializado), talvez pela distância entre a redação em São Paulo e
minha cidade, Pindamonhangaba, minha participação lá não decolou —
prosseguiria ate 2001, mas com freqüência e entusiasmo cada vez menores.
Eu percebia o desejo de escrever sobre o tema que quisesse, com o
formato e a extensão que me conviessem, sem me limitar ao que outras
pessoas achavam o melhor ou o correto. Precisava me tornar independente,
como nos tempos da revista artesanal.
Página pessoal
Eu havia conhecido no início de 1997 a internet, ainda tão limitada
sob todos os aspectos, mas com enorme potencial. E foi ali que nasceu a
idéia: abrir um espaço de página pessoal — ainda não se falava em blog à
época — para expor meu trabalho, minhas opiniões, conversar virtualmente
com quem tivesse os mesmos interesses. Inscrevi-me no site de hospedagem
Geocities e escolhi alguns nomes de usuário que, como constatei, já
existiam. O terceiro ou quarto foi Best Cars. Estava vago.
Em 22 de outubro de 1997, num endereço longo e difícil de memorizar
dentro do Geocities, aparecia o Best Cars Web Site. O sufixo "web site"
se justificava, pois eu teria de apresentar a muitas pessoas não só um
produto, mas toda uma mídia que ainda engatinhava. E seria mais difícil
do que eu podia imaginar.
A internet era tão recente que várias assessorias de imprensa dos
fabricantes não a acessavam. No Salão do Automóvel de 1998, para
contornar esse obstáculo, cheguei a levar disquetes (lembra-se deles?)
com uma demonstração de conteúdo, que poderia ser vista sem conexão à
rede. E os contatos em busca de publicidade? Descobri algumas agências e
passei a enviar propostas, telefonando dias depois. A uma delas — que
cuidava da conta da Fiat —, informei o endereço do site para que
fizessem uma visita, a que ouvi a pergunta: "Mas não tem arroba?". Isso
talvez explique por que levamos quase quatro anos para ter o primeiro
anúncio.
Em contrapartida, acessos ao site, palavras de estímulo e até
colaborações não demoraram a surgir. O consultor Iran Cartaxo, por
exemplo, começou ainda no primeiro ano. Como se repetiria com muitos
outros, passou a escrever no site por iniciativa própria, depois de
sugerir a abertura de seções (primeiro a de competições, mais tarde o
Consultório de Preparação). Não menos curioso é que, pelo caráter de
romper fronteiras inerente à internet, passaram-se anos até eu poder
conhecer pessoalmente alguns colaboradores. Continua |