No aniversário do Best Cars, comemorado dia 22 de outubro, acompanhe a trajetória do site contada pelo editor, os colunistas e colaboradores
Fabrício Samahá, Editor
Bob Sharp, Colunista
Fabiano Pereira, Colaborador
Francis Castaings, Colaborador
Fulvio Oriola, Colaborador
Gino Brasil, Colunista
Iran Cartaxo, Consultor de Preparação
Marcelo Ramos, Colaborador
Márcio Kohara, Colunista

Fabrício Samahá, editorFabrício Samahá,
Editor

Falar em aniversário de 10 anos de um site pode parecer, aos mais jovens leitores, assunto de muito tempo atrás. De fato é essa a percepção que temos, ao lembrar uma época de lentas e instáveis conexões discadas, de computadores modestos no desempenho e impressionantes no preço.

Por outro lado, parece que foi ontem.

Como também não parece que já se vão 25 de meus 32 anos desde que comprei a primeira revista de automóveis. Materializava-se no papel uma paixão que vinha desde bem pequeno — conta a família que eu passava as viagens de olho na estrada, apontando os carros mais interessantes e dando seus nomes antes mesmo que os adultos presentes pudessem fazê-lo. Nunca mais parei de lê-las e de ampliar a coleção procurando edições anteriores.

Acho que nasci para escrever sobre automóveis. Aos 10 anos, começava um pequeno jornal com notícias a respeito deles, escrito à máquina (preciso contar o que era uma máquina de escrever?) e ilustrado com fotos recortadas de revistas, jornais e dos catálogos que eu obtinha nas concessionárias. Aos 12 ele se tornou uma ampla revista mensal, com cerca de 100 páginas, que fiz até os 15. Sempre em exemplar único. Isso pôde mudar quando veio meu primeiro computador, em 1989, mas o tempo se escasseou e o passatempo de garoto foi abandonado.

Mesmo sem a revista artesanal, os carros e eu nos aproximamos ainda mais nos anos que se seguiram. Vieram a habilitação, o primeiro automóvel, as experiências práticas com testes de concessionária. E mais revistas. Uma delas, Autoesporte, me chamava atenção pelo conteúdo técnico e a precisão de informações. Havia lá um tal Bob Sharp, editor de testes e técnica, a quem passei a escrever regularmente — pelo correio, claro — comentando, sugerindo, esclarecendo conceitos. Aprendi muito naquele período.

Em fevereiro de 1996 fui à redação conhecer o Bob e o diretor da revista, Fernando Calmon. Levei meus exemplares artesanais, que causaram sensação — "Ele fazia isso sozinho!", falava o Bob, surpreso. Nosso contato se estreitou dali em diante até que, em setembro do mesmo ano, fui convidado pelos dois a escrever artigos para Autoesporte. O primeiro, sobre a tendência aos carros de quatro portas, foi publicado na edição de dezembro.

Talvez pela saída de ambos da revista (Bob tornou-se gerente de imprensa da General Motors; Fernando seguiu carreira solo no jornalismo especializado), talvez pela distância entre a redação em São Paulo e minha cidade, Pindamonhangaba, minha participação lá não decolou — prosseguiria ate 2001, mas com freqüência e entusiasmo cada vez menores. Eu percebia o desejo de escrever sobre o tema que quisesse, com o formato e a extensão que me conviessem, sem me limitar ao que outras pessoas achavam o melhor ou o correto. Precisava me tornar independente, como nos tempos da revista artesanal.

Página pessoal
Eu havia conhecido no início de 1997 a internet, ainda tão limitada sob todos os aspectos, mas com enorme potencial. E foi ali que nasceu a idéia: abrir um espaço de página pessoal — ainda não se falava em blog à época — para expor meu trabalho, minhas opiniões, conversar virtualmente com quem tivesse os mesmos interesses. Inscrevi-me no site de hospedagem Geocities e escolhi alguns nomes de usuário que, como constatei, já existiam. O terceiro ou quarto foi Best Cars. Estava vago.

Em 22 de outubro de 1997, num endereço longo e difícil de memorizar dentro do Geocities, aparecia o Best Cars Web Site. O sufixo "web site" se justificava, pois eu teria de apresentar a muitas pessoas não só um produto, mas toda uma mídia que ainda engatinhava. E seria mais difícil do que eu podia imaginar.

A internet era tão recente que várias assessorias de imprensa dos fabricantes não a acessavam. No Salão do Automóvel de 1998, para contornar esse obstáculo, cheguei a levar disquetes (lembra-se deles?) com uma demonstração de conteúdo, que poderia ser vista sem conexão à rede. E os contatos em busca de publicidade? Descobri algumas agências e passei a enviar propostas, telefonando dias depois. A uma delas — que cuidava da conta da Fiat —, informei o endereço do site para que fizessem uma visita, a que ouvi a pergunta: "Mas não tem arroba?". Isso talvez explique por que levamos quase quatro anos para ter o primeiro anúncio.

Em contrapartida, acessos ao site, palavras de estímulo e até colaborações não demoraram a surgir. O consultor Iran Cartaxo, por exemplo, começou ainda no primeiro ano. Como se repetiria com muitos outros, passou a escrever no site por iniciativa própria, depois de sugerir a abertura de seções (primeiro a de competições, mais tarde o Consultório de Preparação). Não menos curioso é que, pelo caráter de romper fronteiras inerente à internet, passaram-se anos até eu poder conhecer pessoalmente alguns colaboradores. Continua

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Data de publicação: 27/10/07

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