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Certamente não foi o fim-de-semana dos sonhos de Felipe Massa e dos
torcedores brasileiros. Talvez não tenha sido o fim-de-semana dos sonhos
de Lewis Hamilton e da McLaren, ou mesmo de Fernando Alonso, de
Sebastian Vettel ou de Jarno Trulli, três dos principais destaques da
corrida.
Talvez, talvez, talvez. Provavelmente, ninguém imaginou um fim-de-semana
como este. E, mesmo que o mais imaginativo escritor ou roteirista do
mundo pudesse imaginar um fim destes para um campeonato, seria muito
difícil acreditar que poderia acontecer na realidade. Mas aconteceu. O
Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, fechamento da temporada 2008 do
Campeonato Mundial de Fórmula 1, foi uma decisão de campeonato épica,
improvável, inacreditável, para testar os corações de todos os que
acompanharam a disputa entre Lewis Hamilton e Felipe Massa.
Desde 1997, pelo menos, não tínhamos um fim de temporada tão tenso como
este de Interlagos. Mas este de Interlagos, se não teve os requintes
inusitados de Jerez — como o empate triplo na classificação e o clímax
ao estilo Dick Vigarista —, teve o título mudando de mãos duas vezes em
menos de quatro minutos. E, quando mudou pela última vez, foi quando o
boxe da Ferrari já comemorava o título, a meio quilômetro de distância
da linha de chegada. Definitivamente, nos acréscimos. Entra no rol das
decisões mais emocionantes da história da categoria — e fecha com chave
de ouro uma ótima temporada da principal categoria do automobilismo
mundial.
Mesmo com uma confortável diferença de cinco pontos de vantagem sobre
Massa no Campeonato Mundial, por todo o fim-de-semana da corrida
pairavam dúvidas sobre a capacidade de Hamilton de vencer o campeonato.
Um quinto lugar, que já garantiria o título que escapara na última
temporada, não parecia ser uma tarefa tão difícil na pista paulistana.
E o que dizer da chuva, que teve um papel decisivo neste domingo? Chuva
que havia aparecido, pela última vez, em um encerramento de temporada no
distante ano de 1991 — quando obrigou até que o GP da Austrália fosse
encerrado com apenas 15 voltas. Uma chuva forte, inesperada, que
despencou sobre Interlagos pouco antes da prova e fez com que a largada
da corrida fosse atrasada em 10 minutos, para que as equipes pudessem
trocar os pneus e fazer os acertos necessários para a segurança dos
pilotos.
E a chuva que, a oito voltas do fim da corrida, quando o resultado
parecia decidido, deu novamente o ar da graça aos poucos e complicou a
vida de todo mundo, reabrindo o campeonato que parecia definido. A
precipitação da parte final da prova começou tímida, tão tímida que os
destemidos pilotos que preferiram manter os pneus para pista seca
tiveram melhor desempenho que os adversários. Mas que, na última volta,
apertou de tal forma que permitiu que Hamilton tirasse uma diferença de
17 segundos sobre Timo Glock (que mantinha os pneus para seco) e
conquistasse a quinta colocação necessária para o título.
Não há como negar: foi difícil. Como Lewis Carl Hamilton sofreu para
conquistar o primeiro título de sua carreira! Na verdade, o resultado de
apenas quatro das 71 voltas da etapa paulistana não permitiria que o
inglês se tornasse o campeão mundial mais novo da história da categoria
(23 anos e 300 dias, superando a marca de Fernando Alonso, com 24 anos e
58 dias quando confirmou sua conquista em 2004).
Continua
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