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Monte Carlo, 23 de maio de 1993. Ayrton Senna vence o Grande Prêmio de
Mônaco e chega, pela última vez em sua carreira, à liderança do
Campeonato Mundial de Fórmula 1. Foi também a última vez em que um
piloto brasileiro liderou um campeonato da principal categoria do
automobilismo mundial.
França, 7 de julho de 1985. Nelson Piquet vence ainda na pista de Paul
Ricard, na cidade de Le Castellet. Foi a única vitória de um piloto
brasileiro nesta etapa do campeonato mundial.
França, 22 de junho de 2008. Felipe Massa vence a etapa francesa e acaba
com estes dois tabus que incomodavam os torcedores dos pilotos
brasileiros — e também os “pachecões” de plantão. O brasileiro venceu a
prova, agora disputada na pista de Magny-Cours, e assumiu a liderança do
campeonato de pilotos. Não foi uma das apresentações mais brilhantes da
carreira de Felipe, mas a sorte se mostrou decisiva nesta conquista.
O fim de semana foi praticamente perfeito para os carros vermelhos.
Muito superiores na pista francesa, os Ferraris não deram chances para a
concorrência. Ainda mais num momento em que a McLaren já sabia que não
teria força total — Lewis Hamilton trazia uma punição de Montreal, em
decorrência do acidente dos boxes —, enquanto a BMW-Sauber tinha
consciência de que o misto de curvas rápidas e curvas lentas não
favorecia seu F1.08.
No meio desta tranqüilidade, Kimi Räikkönen mais uma vez mostrou que se
sente em casa pilotando um Ferrari em Magny Cours, e foi superior
durante todo o fim de semana. Com mais uma aparição dominante, tudo
indicava que o finlandês repetiria o feito da edição anterior do
GP da França. Foi assim na
classificação: com um carro mais leve, conseguiu marcar a pole. Mas
também estava assim durante a corrida, já que o Ferrari de número 1
abriu uma boa distância sobre o de Massa nos primeiros trechos de
corrida. Mas o vencedor foi o brasileiro.
Que fique claro, não se desmerece aqui a vitória de Felipe — pelo
contrário. É claro que Massa vinha fazendo um trabalho competente. A
pole position na classificação foi perdida por uma diferença de apenas
cinco centésimos de segundo, tendo um carro mais pesado em suas mãos. E,
depois, vinha perdendo terreno para o finlandês, mas também abria boa
diferença para o terceiro colocado. Ou seja, se a vitória em condições
iguais dos carros não parecia lógica, pelo menos o segundo lugar parecia
garantido.
Mas veio o golpe de sorte para o brasileiro — e de azar do finlandês —,
que decidiu a corrida. Até a 32ª volta, tudo parecia definido: Kimi
tinha uma confortável vantagem de 6,6 segundos sobre Massa e levaria seu
carro até o fim sem maiores dores de cabeça. Acabara de marcar aquela
que seria a volta mais rápida da corrida — a quinta consecutiva, a
terceira maior seqüência da história da Fórmula 1.
Só que, daquele momento em diante, o Ferrari de número 1 começou a
perder rendimento e a chamar a atenção por uma peça grande que parecia
solta na parte traseira. Era o escapamento do carro de Kimi que se
soltara, sem explicação, e começava a comprometer o desempenho. O ritmo
de prova do finlandês caiu de forma assustadora, o que permitiu que
Massa pulverizasse a diferença, de um segundo a um segundo e meio por
volta.
Continua
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