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Depois de muitos anos tentando bagunçar a ordem natural das coisas
dentro da Fórmula 1, finalmente os
“caras-que-ficam-ali-no-ar-condicionado” — o pessoal da Federação
Internacional do Automóvel, ou FIA — logrou êxito. E o que vimos no
Grande Prêmio da Austrália, abertura do Campeonato Mundial de 2009, foi
o início de uma nova era na categoria maior do automobilismo. E não é
apenas modo de dizer.
Equipes pequenas dominando e vencendo uma corrida? Ultrapassagens a
rodo? Emoção na Fórmula 1? Fazia tempo que nada disso acontecia na
categoria, ao menos se considerarmos as corridas em condições normais de
temperatura e pressão. E, pelo menos nesta primeira impressão que
tivemos da F-1 com o regulamento aprovado pela FIA para esta temporada,
parece que esses fatos serão vistos com uma frequência maior daqui em
diante.
A nova Fórmula 1, com seus carros desengonçados — de asas dianteiras
enormes e traseiras minúsculas —, de pneus lisos
(slick) e com o dispositivo de recuperação de energia cinética, KERS,
parece que será mais interessante. Foi isso o que vimos no GP da
Austrália. E pode ser essa a resposta para atrair novamente seus fãs,
que andavam um tanto decepcionados com os caminhos que a categoria vinha
tomando.
É um cenário que chega a causar espanto em quem acompanha a Fórmula 1.
Quase nada do que aconteceu nas ruas do Albert Park, em Melbourne,
lembra aquela categoria sisuda que correu em Interlagos pouco menos de
cinco meses atrás. Mas acredite, é tudo verdade.
Quem diria que aquela categoria bipolar, um tanto monótona, que havia
acabado de viver um fim de temporada emocionante entre dois pilotos,
viraria a “bagunça” — por falta de melhor termo — deste começo de ano?
Uma categoria em que os pilotos que povoavam o fundo do grid, de forma
repentina, aparecem entre os ponteiros. Pois é, parece que as mudanças
implantadas pela FIA funcionaram, pelo menos neste primeiro momento.
Aliás, aquele que dissesse com convicção no GP do Brasil do ano passado
que teríamos a Honda como equipe privada, impulsionada com um motor da
Mercedes-Benz, correndo com Jenson Button e Rubens Barrichello, chefiada
por Ross Brawn, sob o nome deste engenheiro inglês e andando cerca de um
segundo mais rápido que seus adversários em Melbourne, certamente seria
interditado. Talvez nem se precise ir tão longe: coisa de um mês atrás,
a Honda ainda não tinha um desfecho claro sobre seu futuro. Mas hoje, na
porta do hospício, alçado ao nível de profeta, quem previsse tão quadro
teria reputação tão positiva quanto a do economista turco Nouriel
Roubini, o Dr. Apocalipse (Dr. Doom), dito o único economista a prever o
colapso da economia mundial.
Sim, não será para sempre que veremos equipes pequenas — e independentes
do bolso profundo das grandes fábricas de automóveis — liderando e
vencendo corridas na categoria. Certamente as grandes equipes estão
planejando o contra-ataque, que fará com que elas voltem a ter o
controle da situação. Pode ser que não demore. Mas, enquanto o gato
dorme, os ratos fazem a festa. A Brawn agradece.
Continua
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