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O
Grande Prêmio da China, terceira etapa do Campeonato Mundial de Fórmula
1, foi surpreendente. E, pela primeira vez, alguém conseguiu parar o
rolo compressor formado pela Brawn GP e Jenson Button nas primeiras
etapas da temporada.
Não foram poucas as surpresas que a etapa chinesa trouxe. Começou já nos
treinos de sexta-feira, quando Lewis Hamilton, cujo carro tinha um
difusor adaptado com um segundo andar, foi o mais rápido nos treinos da
manhã, depois de duas etapas com péssimo desempenho. No sábado, a
surpresa foi o grande domínio dos carros equipados com motor Renault,
tendo Sebastian Vettel, Fernando Alonso e Mark Webber nas três primeiras
colocações do grid; Rubens Barrichello ficou em quarto e Jenson Button
em quinto. É a primeira vez que os motores Renault conseguem tamanha
predominância numa classificação desde 1996, quando Damon Hill, Jacques
Villeneuve (Williams) e Jean Alesi (Benetton) fizeram as três primeiras
posições no grid para o GP de Portugal.
Até aquele momento, porém, a grande favorita para a prova ainda era a
Brawn, que tinha desempenho muito superior ao de seus adversários com os
pneus duros, que seriam usados na maior parte da prova. Nos treinos, a
Brawn aparentava não ter achado um bom acerto para os pneus moles, sendo
menos eficientes em voltas lançadas. Contudo, estes pneus se
deterioravam em poucas voltas, o que indicava que não seriam os
preferidos na corrida, sendo usados apena na classificação e em poucas
voltas durante a corrida, para cumprir o regulamento.
A sensação de que a prova seria mais um passeio da Brawn aumentou no
momento em que saiu a listagem oficial da pesagem dos carros, uma das
novidades da categoria para esta temporada. Lá, aparecia que os três
primeiros do grid estavam com carros 20 kg mais leves que os carros da
Brawn, o que indicava que Red Bull e Alonso partiriam para uma
estratégia de um trecho curto antes da primeira parada — privilegiando a
classificação e complicando a corrida —, enquanto a Brawn teria um
trecho mais longo, mais propício para a corrida.
O problema para as equipes é que a chuva chegou a Xangai antes do
esperado. Na previsão do tempo, desde o começo da semana, parecia claro
que a chuva chegaria à região da maior cidade chinesa apenas no fim da
tarde e início da noite de domingo, juntamente com uma frente fria. As
chances para que o fim da corrida fosse disputado com pista molhada
foram aumentando no decorrer da semana, mas ainda no sábado se
acreditava que a prova seria disputada em pista seca. Até que,
finalmente, duas horas antes da largada, veio a chuva.
Até não era forte, sendo possível observar as cercanias do autódromo nas
imagens abertas, sugerindo uma visibilidade de alguns quilômetros. Mesmo
assim, molhou toda a pista, obrigando a direção de prova realizar a
largada da prova sob bandeira amarela e sob carro de segurança. Quem se
deu mal nessa virada no tempo foi Fernando Alonso, que, em segundo lugar
e com uma estratégia mais arriscada, teria menos tempo para abrir
distância sobre os concorrentes. Alonso recebeu uma notícia ainda pior
no momento em que decidiu fazer sua parada, na sétima volta. Foi o
momento em que o carro de segurança indicava que ele entraria nos boxes
e a corrida começaria.
Continua
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