Roteiro igual, vencedor não

Vettel

Em meio ao racha entre FIA e Fota, uma dobradinha incomum no
GP da Grã-Bretanha: Vettel em 1º. e Webber em 2º., da Red Bull

Texto: Marcio Kohara - Fotos: divulgação

Vettel e Webber

Webber

Barrichello

Massa

Vitória fácil num Grande Prêmio monótono: este parece ter se tornado o roteiro básico para as etapas do Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 2009. Com poucas exceções — as três primeiras etapas da temporada —, o que tem se visto pelas pistas do mundo é o roteiro acima, com uma ou outra pequena variação sobre o tema.

Foi assim também no GP da Grã-Bretanha. Aqui vale um parêntese: é uma tecnicidade, mas o nome correto da etapa é GP da Grã-Bretanha e não da Inglaterra, pois, apesar de Silverstone estar situada na Inglaterra, a federação de automobilismo filiada à FIA que organiza o evento gere o automobilismo na Grã-Bretanha e não apenas na Inglaterra, sendo adotado o sistema olímpico.

O clima fora da pista era de consternação. Silverstone foi sede da primeira etapa da história do Campeonato Mundial de Fórmula 1, há 59 anos, e tem sido a casa da categoria na Inglaterra nos últimos 22 anos de forma ininterrupta. Mas deve deixar de sediar a etapa bretã da Fórmula 1 a partir do ano que vem. Graças a um acordo milionário, Donnington Park toma a primazia de Silverstone para receber a etapa naquele país a partir do ano que vem. Isso se as dificuldades financeiras do novo organizador não comprometerem as reformas na pista.

Mas não era exatamente esta a notícia que ocupava as manchetes dos canais especializados em Fórmula 1 no fim-de-semana. Afinal, logo na quinta-feira houve o anúncio do racha definitivo entre a FIA e a associação das equipes, a Fota. Depois de meses de negociações entre as duas partes, chegou-se a um ponto de intransigência mútua, o que causou o fim das negociações. Sem acordo, a única saída acabou sendo a concretização da ameaça — que já rondava a F1 — de um racha, que faria com que a principal categoria do automobilismo mundial se dividisse em duas, a Fórmula 1 da FIA e a categoria paralela criada pela Fota.

Dentro da pista, a repetição do roteiro. Mais uma vez, um carro dispara na liderança, com vantagem técnica sobre os demais. Os outros seguem, ou tentam seguir, o ritmo do líder, mas, como normalmente tem acontecido, não são capazes de impedir a vitória do rival. Houve uma diferença fundamental, porém: desta vez, os carros que dominaram a cena na tradicional pista inglesa eram azuis. Pela primeira vez no ano, quem houve melhor na pista seca e fria de Silverstone foram os carros azuis da Red Bull, que simplesmente passaram por cima da concorrência. Sebastian Vettel e Mark Webber tiveram em mãos um carro que recebeu algumas novidades na parte técnica — nova configuração no difusor traseiro e no bico dianteiro. E foi o carro que mais se adaptou às condições da pista inglesa.

Por isso, desde o começo, os azuis com a marca da bebida energética logo apareceram como os carros a serem batidos. De forma curiosa, pela primeira vez no ano os da Brawn não figuraram entre os melhores do grid. Mesmo em Xangai, quando Vettel venceu a corrida, era quase certo que, em pista seca, os carros da Red Bull não andariam mais rápido do que os da Brawn. E isso aconteceu justamente no epicentro da recém-surgida “Buttonmania”, a febre em torno do nome do líder Jenson Button. Se o inglês não esteve nas manchetes nos dias próximos ao GP graças à confusa situação política da Fórmula 1, pelo menos antes disso todas as atenções estavam voltadas para seu nome. Continua

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Data de publicação: 23/6/09

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