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Cinquenta vitórias. Se em categorias como a Fórmula 1 este número
parecia não ser de todo inalcançável depois da passagem de Michael
Schumacher e Alain Prost, no Campeonato Mundial de Rali (WRC), até o
começo do século, parecia. Afinal, se monstros como Carlos Sainz, Ari
Vatanen, Hannu Mikkola, Juha Kankkunen e Tommi Makinen, entre tantos
outros, não alcançaram nem mesmo 30 vitórias numa categoria equilibrada
como era o WRC, quem seria capaz de bater esse recorde?
Pois bem: a primeira década do novo século nem acabou e já temos um
piloto capaz de alcançar tal marca. Trata-se, é claro, do francês
Sebastien Löeb, que mais uma vez exibiu sua excepcional habilidade ao
conquistar a vitória no Rali do Chipre, terceira etapa da temporada de
2009. Seja no asfalto, na terra, no cascalho, na neve ou em qualquer
outra superfície, Löeb é, na pior das hipóteses, muito competitivo. E
justamente por estar neste patamar é sempre favorito à vitória. Isso sem
contar a junção de mais dois fatores: sua baixa propensão a cometer
erros — mesmo andando num ritmo muito rápido — e os carros muito
confiáveis da Citroën, que raramente quebram.
Somando todos estes fatores, que nunca se uniram em um único piloto na
história do WRC, chega a ser natural que Löeb chegasse ao recorde de
vitórias. Foi o que aconteceu no Rali do Japão de 2006, quando o francês
passou o recorde de 26 vitórias do espanhol Carlos Sainz. Sabia-se que
não seria difícil que Löeb ampliasse seu recorde, já que, com 32 anos na
época, havia acabado de entrar no auge da forma. Contudo, não se
esperava que o número tão impressionante aparecesse tão cedo. Mas a
grande concentração de vitórias nas últimas temporadas, quando o francês
venceu 23 ralis em 34 disputados (quase 70%), fez com que o número
disparasse.
Há também outro motivo — sem a interferência de Löeb — para a
concentração de vitórias. O aumento de custos da categoria que fez com
que algumas equipes ficassem para trás na corrida tecnológica. Isso gera
um círculo vicioso que faz com que tais equipes diminuam investimentos.
E foi este o fator que tirou da briga equipes fortes como a Subaru e a
Peugeot, que diluíam a concentração de vitórias em outros tempos. A Ford
também "ajudou" nas últimas temporadas, ao apostar em pilotos que ainda
não atingiram o topo. Quando Marcus Grönholm se aposentou, a marca
americana não tinha um substituto à altura. Mikko Hirvonen ainda não
provou ser um piloto capaz de parar Löeb; Jari-Matti Latvala ainda tem
muito a aprender.
De toda forma, isto não tira as virtudes do francês. E não é exagero
dizer que é sempre uma oportunidade imperdível ver um piloto desse
quilate pilotar. É ver a história sendo construída. Certamente, é um dos
pilotos que serão lembrados gerações após gerações.
O rali
A vitória de Löeb no Chipre foi bem a seu estilo. No primeiro rali
disputado em superfícies distintas em mais de uma década (o último neste
formato foi o Rali San Remo, na Itália, de 1996), Löeb abriu vantagem
logo no primeiro dia, como de costume — ainda mais em se considerando
que os trechos de sexta foram disputados sobre asfalto, a superfície
preferida do francês. Nos outros dias, sem surpresa, ele se manteve na
frente sem dificuldades e levou o C4 para a quinquagésima vitória.
Continua
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