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Foi
um fim-de-semana insólito na ilha da Sardenha, na disputa da sexta etapa
do WRC, o Rali da Itália. Uma série de erros dos adversários deu a
Jari-Matti Latvala, da equipe BP-Ford, a segunda vitória de sua
carreira, sendo o responsável pela quebra da invencibilidade de
Sebastien Löeb (Citroën-Total) nesta temporada. Insólito? Sim.
Jari-Matti, nem de longe, era o favorito à vitória. O jovem finlandês
vinha de uma série de maus resultados, já que desde o
Rali da Noruega não subia sequer
ao pódio. E, neste meio-tempo, um acidente gravíssimo quase o matou em
Portugal, depois de um erro de
pilotagem e de uma série de quase 20 capotagens.
Latvala tem a audácia exagerada típica dos jovens pilotos, que nem
sempre sabem o limite a que pode chegar o carro. E, justamente por isso,
sofre muitos acidentes que comprometem seus resultados. O finlandês é um
piloto muito rápido — mais que seu companheiro de equipe, por exemplo —,
mas nem sempre garante que conseguirá sobreviver à disputa de um rali.
Latvala terá de começar a encontrar seu limite sem comprometer a
velocidade, sob o risco de sua equipe perder a paciência com ele. É um
fator que comprometeu a carreira do belga François Duval, um jovem
talento do WRC e um piloto rápido que, não há muito tempo, abandonou a
categoria pelos acidentes.
Assim, no rali seguinte ao de Portugal, na
Argentina, a direção da BP-Ford
exigiu que o finlandês andasse num ritmo mais lento para que conseguisse
terminar a prova sem acidentes. Ele conseguiu e foi o sexto colocado,
apesar dos problemas elétricos. Já na Sardenha, os holofotes se
centravam sobre a disputa entre Löeb e Mikko Hirvonen, também da
BP-Ford. E a pergunta que todos se faziam era quando Hirvonen
conseguiria quebrar a invencibilidade de Sebastien. Assim, Jari-Marri
chegava sem nenhuma pressão. Largando lá atrás (em sétimo), podendo se
valer da pista mais limpa deixada pelos adversários, Jari-Matti pôde
fazer aquilo que faz melhor dentro de seu Focus WRC: acelerar. E
acelerou tanto que liderou o rali do começo ao fim.
No fim do primeiro dia, Latvala apareceu no topo da tabela com uma
enorme diferença sobre os adversários. A explicação? Löeb e Hirvonen
mais uma vez se envolveram em uma briga tática, tentando fazer com que o
adversário largasse na frente no dia seguinte. E Dani Sordo, da
Citroën-Total, já tinha sofrido com problemas em seu turbo, o que causou
enorme atraso. Por sua vez, Latvala seguiu acelerando. A briga tática
entre Hirvonen e Löeb rendeu cenas curiosas na noite de sexta-feira.
Mikko saiu furioso de seu Focus, por ter andado rápido demais e
permitido que Sebastien ficasse na terceira posição — e tendo a
possibilidade de marcar Mikko no dia seguinte. “É a segunda maior
besteira de toda a minha carreira”, disse Hirvonen sobre o ocorrido — a
primeira foi um acidente na Superespecial que o tirou do
Rali da Finlândia de 2004. “Isso é
muito ruim. Eu não acreditei que ele poderia reduzir tanto no trecho
final. A equipe fez tudo certo, eu é que errei!”
A equipe enviou uma mensagem de texto ao celular que fica com seu
navegador, Jarno Lehtinen, com a projeção de tempo que acreditavam ser
segura para que ele ficasse atrás de Löeb no fim do dia. Só que Hirvonen
achou que a equipe havia exagerado e andou um pouco mais rápido. O
problema disso é que ele ficaria exposto ao francês no dia seguinte, que
correria sabendo os tempos do piloto da Ford e ainda teria uma pista um
pouco mais limpa do que os adversários.
Continua
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