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Se
alguém, há pouco mais de um mês, dissesse que Sebastien Löeb poderia
perder a liderança do Campeonato Mundial de Rali, seria taxado de louco.
A sensação que imperava era justamente a contrária. Até aquele momento,
com cinco vitórias em cinco etapas, a questão não era se o pentacampeão
do WRC seria hexa, mas quando seria.
Pois bem. Passaram-se menos de 40 dias e foram disputadas apenas mais
três etapas do Mundial, mas depois desse período a situação do
campeonato é justamente oposta à daquele momento. A má fase do francês
começou a se manifestar no Rali da
Sardenha, quando ele conseguiu um terceiro lugar, acabando com sua
impressionante sequência de vitórias na temporada. Seu navegador cometeu
um erro e soltou o cinto de segurança com o carro em movimento, o que
lhe custou ainda mais uma posição. Depois, o erro na Grécia, no
Rali Acrópole, que o fez capotar
e abandonar a prova.
Agora, Löeb bobeou mais uma vez no Rali da Polônia, oitava etapa do
campeonato. Bateu o C4 WRC num toco de árvore, ainda na sexta-feira, e
foi obrigado a não disputar algumas especiais, perdendo minutos
preciosos no rali e pontos preciosos no campeonato. Nesse cenário, quem
se deu bem foi Mikko Hirvonen, que pela primeira vez em sua carreira
venceu dois ralis consecutivos — e assume a liderança de um campeonato
que parecia perdido de antemão. O piloto da BP-Ford se aproveitou muito
bem dos erros e problemas do pentacampeão e, justamente por isso, tem-se
agora um campeonato totalmente aberto.
A etapa polonesa voltou a fazer parte do WRC depois de 36 anos de
espera, pois foi palco de uma das etapas da temporada de estreia do
Campeonato Mundial de Rali e nunca mais figurou no calendário. Em sua
volta, recebeu os competidores na pequena cidade de Mikolajki, com 4.000
habitantes, no nordeste do território polonês. E o rali foi uma grata
surpresa: muito veloz, desafiador, recheado de saltos e com curvas bem
rápidas. Guardadas as proporções, é uma mistura do Rali da Finlândia com
trechos que lembram o Rali da Austrália, disputado até 2007.
Na sexta-feira pela manhã os tempos de Hirvonen e Löeb estavam bem
próximos. Na especial número 2, Grabówka, a vantagem era do francês por
ínfimo meio segundo, mas na seguinte (Pianki) Hirvonen deu o troco e
ficou três décimos à frente do francês. Löeb exigia o máximo do C4 WRC,
o que o deixava mais exposto a cometer erros. E foi o que aconteceu logo
na quarta especial. Na especial Paprotki, a última daquela manhã, Löeb
permitiu que o carro escapasse um pouco na saída de uma curva. Para seu
azar, no acostamento, logo no local em que o C4 escapou, havia um toco
de árvore. O choque foi inevitável e Löeb não conseguiu mais fazer o
Citroën andar. Fim dos trabalhos do francês, pelo menos no primeiro dia.
No sábado, sem dano estrutural no carro, o pentacampeão relargou graças
às regras do Super-Rali. Mas, 20 minutos atrás do líder Hirvonen, Löeb
só poderia chegar aos pontos se desse sorte e contasse com o azar
alheio. Hirvonen, por sua vez, seguiu acelerando e se manteve à frente
dos adversários no decorrer da prova. Em grande parte do rali foi
escoltado por Jari-Matti Latvala (também da BP-Ford) e Dani Sordo
(Citroën). Mas dominou de forma tranquila o rali polonês, sem que sua
posição fosse realmente colocada em risco durante todo o fim-de-semana.
Continua
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