|





|
Assim, Mikko venceu e assumiu a liderança do campeonato, invertendo de
forma surpreendente um cenário desolador. Em três etapas, saiu de uma
desvantagem de 20 pontos para assumir a liderança com um ponto de
vantagem. Mas não foi um fim-de-semana perfeito para a BP-Ford — longe
disso. Latvala, mais uma vez, tratou de colocar água no chope da própria
equipe. O finlandês vinha andando em bom ritmo, escoltando Hirvonen com
competência. Manter o segundo lugar no pódio era mais um passo para fora
do buraco em que havia se metido no começo da temporada. Só faltava uma
especial: a Super Especial, que fechava o rali. Normalmente é uma etapa
festiva, bem mais curta que as demais.
Mas foi ali que Jari-Matti se enrolou. O piloto cometeu o pior erro de
sua carreira: numa curva lenta, fácil, errou e seu Focus se chocou com a
proteção lateral da pista. Não foi um impacto muito forte, mas
suficiente para que se quebrasse a barra de direção e Latvala tivesse de
abandonar a prova. Como se não bastasse a cena vergonhosa, fora da pista
toda a equipe BP-Ford estava reunida para comemorar aquela que poderia
ser uma espetacular volta por cima em um campeonato praticamente
perdido. Havia uma festa preparada para receber os dois pilotos e
comemorar a dobradinha da Ford. Mas... Latvala jogou tudo fora a menos
de dois quilômetros da linha final.
A equipe ficou em choque. O piloto, sem graça, depois da corrida falou
que entenderia uma demissão depois de uma passagem vexatória como essa.
No fim, com os ânimos mais calmos, a BP-Ford soltou uma nota em que
reitera a confiança no jovem finlandês. Contudo, o erro de Latvala
custou — além dos oito pontos para o piloto — outros oito no Mundial de
Construtores. Parece pouco, mas permitiria à BP-Ford estar a apenas seis
pontos da líder Citroën-Total. Com o erro, porém, a distância sobe para
confortáveis 17 para os franceses (estava em 15).
Graças à barbeiragem de Latvala, Dani Sordo acabou elevado ao segundo
lugar no rali. E numa prova difícil, mas na qual não cometeu nenhum
erro, ele acabou premiado com dois pontos. É o suficiente para
estabilizá-lo na terceira colocação com 39 pontos. Löeb, por seu lado,
ainda conseguiu salvar dois pontinhos ao chegar em sétimo. Parecia que
não seria possível no domingo pela manhã, já que o francês estava em
12º. Mas, andando num ritmo forte e contando com alguns abandonos, como
o de Sebastien Ogier (de Citroën C4) e de Mads Ostberg (com um Subaru
Impreza), Löeb conseguiu entrar na lista dos 10 melhores. Depois, a
equipe solicitou a Conrad Rautenbach e Evgeny Novikov que permitissem
que Löeb os ultrapassasse. Rautenbach, graças ao erro de Latvala, entrou
na zona de pontuação. Novikov não teve a mesma sorte, por culpa de um
erro que cometeu ainda na sexta-feira, quando saiu fora da pista e
perdeu muito tempo.
Quem fechou o pódio foi Henning Solberg, da Stobart-Ford, que fez mais
um rali seguro. Foi o vencedor de uma longa disputa especial a especial,
que envolveu o irmão Petter e Sebastien Ogier. Nas últimas especiais,
porém, Ogier teve problemas com o motor, que o obrigaram a abandonar, e
Petter perdeu tempo ao ficar com o vidro sujo de óleo — ainda ficou em
quarto. Outra disputa interessante foi a dos companheiros de equipe
Matthew Wilson e Krzysztof Holowczyc, da Stobart-Ford. O inglês, no fim,
conseguiu se manter à frente de Holowczyc, o primeiro polonês a marcar
pontos no Mundial.
A quatro etapas para o fim do campeonato, temos um novo líder: Hirvonen,
com 58 pontos, que supera Löeb, com 57. Em terceiro aparece Sordo, com
39, à frente de Henning Solberg, com 27. Com dois pontos a menos estão
Latvala e Petter Solberg. Wilson (19), Frederico Villagra (14), Ogier
(13) e Rautenbach (8) fecham os 10 primeiros. Em Construtores a
liderança permanece com a Citroën-Total, com 106 pontos. Já a BP-Ford
tem 89, seguida de Stobart-Ford (60), Citroën Junior (29) e a
Munchi’s-Ford (18). Agora o WRC desliga os motores e só volta à ação em
quatro semanas para o Rali da Finlândia, de 31 de julho a 2 de agosto na
cidade de Jyväskylä.
|