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Esperteza ou malandragem?

Hirvonen - clique para ampliar a imagem

Uma polêmica manobra da Ford, que levou Löeb a atuar como
limpa-trilhos, ajudou Hirvonen a vencer o Rali da Turquia

Texto: Marcio Kohara - Fotos: divulgação

Latvala - clique para ampliar a imagem

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H. Solberg - clique para ampliar a imagem

P. Solberg - clique para ampliar a imagem

Mikko Hirvonen conquistou a vitória do Rali da Turquia, oitava etapa do Campeonato Mundial de Rali (WRC). Com a segunda vitória na temporada, o piloto da Ford retomou a liderança do Mundial de Pilotos. Foi um fim de semana agitado e uma grande polêmica foi o centro das atenções. Isso aconteceu devido a uma manobra tática da Ford e faz com que a vitória de Hirvonen, assim como a marca histórica da Ford de uma centena de ralis na zona de pontuação, perca um pouco de seu brilho.

Na sexta-feira, três Ford Focus — os de Hirvonen, Jari-Matti Latvala e Gigi Galli — estavam no topo da competição até a oitava especial das nove realizadas no dia. Na nona especial, porém, a equipe fez com que os três carros diminuíssem o ritmo e até chegassem a parar no meio da estrada. Graças a essa manobra, Sebastien Löeb (Citroën) foi elevado à liderança da etapa turca ao fim daquele dia. A intenção, claro, não era ajudar Löeb, mas fazer com que o francês fosse o primeiro a largar também no sábado, dia com 137,8 quilômetros cronometrados — a ordem de largada no sábado é definida pela classificação no fim do primeiro dia.

Com isso, o francês ficaria mais um dia na posição desfavorável de limpa-trilhos (já que era o líder do campeonato, fator que define a ordem de largada no primeiro dia), tendo seu desempenho prejudicado pela falta de aderência da pista. E também seria alvo de seus adversários, que teriam a vantagem de já saber quais os tempos realizados pelo francês. Diga-se de passagem, não há regra que impeça que as equipes lancem mão desse tipo de expediente, desde que não sejam flagradas pelos fiscais dos postos de controle que estão espalhados na pista. Como não são muitos (em média um a cada cinco quilômetros), não há muito com o que se preocupar. Mas não deixa de ser uma atitude eticamente discutível.

Como é natural, a Citroën não gostou nem um pouco da atitude tomada pela Ford. Olivier Qesnel, chefe de equipe da marca francesa, foi bem claro ao dizer que atitudes como essa poderiam fazer com que a marca dos dois chevrons deixasse a categoria. “Talvez devêssemos sair [do WRC]. Como posso pedir para meus chefes assinarem os cheques se coisas como estas estão acontecendo?”, protestou. Convenhamos, soa como uma desculpa numa hora conveniente — num momento em que a marca francesa ameaça de fato deixar o Mundial.

Em sua defesa, Malcolm Wilson, chefe das duas equipes da Ford, disse que as regras não foram quebradas. E a mudança na regra da ordem de largada — defendida pela Citroën na temporada passada — não foi defendida por ele, mas permite esse tipo de atitude por parte das equipes. Além disso, o inglês alegou que pode abrir mão de novo uso da tática, caso acredite que sua equipe se beneficie com a manobra. Enfim, o assunto ainda vai causar muita polêmica na categoria. E certamente tirou do centro das atenções a grande aparição dos pilotos da Ford e as dificuldades das estradas da cidade do Kemer, na costa mediterrânea sul da Turquia.

O fato é que os pilotos da Ford foram beneficiados pela estratégia tomada pela chefia. Se na sexta-feira Hirvonen tinha vantagem de 15 segundos sobre Löeb antes de lançar mão da estratégia, durante o sábado o finlandês constituiu uma boa vantagem de 34 segundos sobre o francês. Com isso, mesmo largando em primeiro no domingo (quando as posições também são definidas pelas posições no fim do dia anterior), Hirvonen conseguiu se manter na liderança do rali e garantir a vitória. O finlandês fechou o rali com um pneu furado, o que lhe custou alguns segundos na segunda passagem do estágio Olympus.

O segundo colocado foi Jari-Matti Latvala, que mais uma vez mostrou que vai muito bem quando não tem problemas mecânicos ou comete erros. O jovem finlandês, muito rápido e de grande potencial, certamente será um dos nomes que dominarão a competição no futuro. Mas, enquanto vai adquirindo a consistência necessária para ser um campeão, Latvala intercala grandes resultados com algumas decepções. Continua

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Data de publicação: 17/6/08

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