Redescobrindo a identidade
Hunaudières
Bugatti se volta ao luxo e Bentley à
esportividade, como no início do século
Texto: Henrique Mendonça - Edição: Fabrício Samahá
A britânica Bentley, reconhecida hoje pelos modelos de alto luxo -- espécie de variação menos sofisticada dos Rolls-Royces --, apresenta um superesportivo no mesmo salão (o de Genebra -- saiba mais) onde a italiana Bugatti, que vinha produzindo nos últimos anos superesportivos, mostra um modelo luxuoso. Coincidência? Não. Ambas as marcas pertencem ao Grupo Volkswagen e estão retornando às suas origens: a Bentley nasceu nas pistas no começo do século, quando a Bugatti fazia refinados modelos de alto luxo. Conheça os detalhes dos carros-conceito que definem o novo rumo destas legendárias marcas.
Bentley Hunaudières: tradição das pistas
Motor W16 de 610 cv, carroceria de alumínio e fibra de carbono: para homenagear Le Mans

O próprio nome diz tudo: Hunaudières é um circuito de Le Mans no qual nasceu a legenda Bentley, com cinco vitórias em 1920. E é exatamente esta a vocação do protótipo -- esportividade --, fator que não se via nos carros da marca desde que foi absorvida pela Rolls Royce.

Enormes rodas de 20 pol e pneus traseiros de 335 mm, para passar ao solo toda a potência

Seu atrativo principal encontra-se sob o capô: um motor W16, de 8 litros e 64 válvulas, originado da junção de dois blocos V8. A usina de força rende 610 cv, que são repassados ao chão, em tração integral permanente, por largas rodas de 20 pol cromadas -- assim como a grade, spoiler e saias -- e pneus 265/30 na frente e 335/30 atrás.

Couro e metais misturam-se no interior do Hunaudières

A carroceria composta por fibra de carbono e alumínio prima pela leveza, ao contrário dos atuais modelos da marca, que pesam cerca de 2.500 kg. No interior, que combina couro e metais, nota-se que o luxo da marca não foi esquecido -- mas é restrito para dois. Com a entrada de várias marcas de luxo (Cadillac, BMW, Audi) na "onda de Le Mans", talvez o Hunaudières dê origem a um protótipo para a famosa corrida.

Bugatti EB 218: força e elegância
Depois do esportivo EB 110, a marca italiana retoma a linha sofisticada com o conceito EB 218

Apesar de a marca italiana ter construído apenas superesportivos nos anos 90 (o EB 110 em diversas versões), o desenho de seu conceito de luxo é familiar. Afinal, os dois últimos protótipos da marca tinham um estilo semelhante. A receita, elaborada por Giorgetto Giugaro, é um estilo moderno contrastando com detalhes de antigos modelos da marca, numa união de força e elegância. Por fora, este luxo não só é visto pelas formas sóbrias e elegantes, como pelas quatro portas e grandes dimensões.

O luxo interno constrasta com a potência do motor W18: 543 cv

No interior, madeira nobre e couro de primeira, mostradores ovais de fundo branco e um relógio no centro do painel transmitem muito luxo. Embora a vocação do modelo seja o conforto, seu motor não deixa nada a desejar -- e pelo contrário. Trata-se de um W18 (junção de três V6) de 6,3 litros, desenvolvido pela Volkswagen, o primeiro deste tipo planejado para carros "de passeio". Os 18 cilindros rendem 543 cv a 6.800 rpm e um torque de 66,3 mkgf. Para a infelicidade dos mais abonados, todo esse luxo limita-se a um carro-conceito -- mas que poderá ser produzido em série para concorrer com o futuro Mercedes Maybach.

Quatro portas, formas clássicas: possibilidade de entrar em produção


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