| Texto e ilustrações: Iran
Cartaxo |
Melhorar o desempenho de seu carro: esse é
um desejo que pode perseguir desde o dono do mais pacato
carro 1.000 até, acredite, usuários de potentes
Ferraris e Porsches. É um anseio que independe do carro
e surge do proprietário: a vontade de possuir algo
diferenciado, do que possa se orgulhar e que reflita sua
personalidade única. Mas nem tudo é uma simples
questão de decisão. Entre a intenção e o desejo
realizado existem muitos obstáculos -- e o principal
deles é a preocupação de como e onde realizar uma boa
preparação. A que oficina ou preparador entregar um bem
de alto valor como um carro, para realizar um serviço
geralmente caro, sem correr o risco de pagar por uma
grande dor de cabeça ou por uma frustração?
Uma boa tática para determinar a quem entregar o
serviço é observar preparações já feitas por esse
preparador ou oficina: se forem de qualidade, com boa
relação custo-benefício e principalmente, se atingiram
os objetivos estabelecidos, então este provavelmente
será um ótimo local para confiar sua preparação.
Ocorre, porém, que a maioria dos interessados em
preparação é leiga neste campo. Como poderá
determinar se um serviço foi de qualidade, se teve boa
relação custo-benefício, se atingiu seus objetivos?
Resumindo, como pode um leigo reconhecer uma boa
preparação?

Preparação bem feita:
aparência limpa e cuidados com o
conjunto, como a barra de amarração (em amarelo)
Julgar uma
boa preparação é, sim, possível para um leigo em
mecânica. Basta seguir alguns princípios básicos,
observar se foram aplicados e fazer meia dúzia de
perguntas ao responsável pela preparação, para que
qualquer um seja capaz de decidir se ele está apto a
receber essa responsabilidade.
Para começar, qualquer que seja a preparação
escolhida, deve-se encarar o motor como uma
"máquina de fluxo". A expressão técnica quer
dizer que passa um fluxo pelo motor, a mistura
ar-combustível, e é a passagem deste fluxo que faz o
motor funcionar e produzir potência. Assim, quanto mais
fluxo passar -- ou seja, quanto mais ar o motor admitir e
quanto mais mistura o motor queimar --, maior será a
potência produzida. Uma preparação equilibrada,
portanto, deve envolver admissão, queima e exaustão do
motor.
DETERMINANDO A QUALIDADE
Existem 5
pontos básicos para observar a qualidade de uma
preparação:
1. Aparência limpa do serviço. Nada de
fios soltos, peças amassadas, parafusos de tamanhos
diferentes. Se a preparação tem uma boa aparência, já
é indício de que foi feita com esmero.
2.
Comportamento adequado do motor. Se for uma
preparação para rua, não devem haver barulhos
estranhos no funcionamento do motor, nem falta de força
em baixas rotações, muito menos trancos ou falhas no
funcionamento. O comportamento deve ser próximo daquele
que a fábrica entregaria ao mercado, ou seja: nada
desconfortável, barulhento ou que aparente mal
funcionamento. Para procurar falhas de funcionamento,
observe principalmente os regimes transientes, ou seja,
acelerações repentinas em baixas e médias rotações.
Nestes momentos um motor bem preparado não vacila e
responde prontamente, sem buracos durante a aceleração.
Caso o objetivo seja competições, podem-se abrir mão
de um comportamento ou barulho agradável em função de
maior desempenho, mas nunca se devem tolerar falhas de
funcionamento.
3. Alimentação e ignição bem ajustadas.
Com o advento da injeção e o desconhecimento dos
preparadores sobre seu funcionamento, muitos deixaram de
fazer a regulagem antes feitas em carros carburados.
Alegavam que a injeção se ajustaria por si só, o que
não é verdade, a não ser para mudanças de até 10% no
comportamento do motor -- e ainda nestas o resultado
seria melhor se a injeção fosse readaptada às novas
características. Assim, tanto na preparação aspirada
como na sobrealimentada (turbo, compressor, óxido
nitroso), o dono do carro deve perguntar o que será
feito para que o motor obtenha a alimentação adicional
necessária e como o ponto de ignição será reajustado.
A resposta deverá ser objetiva e consistente, sendo
lógica até para o leigo. Recuse respostas como
"esse é um segredo" ou "deixe isso
comigo", sinal de que se deve procurar um lugar que
respeite seu direito de conhecer o serviço pelo qual vai
pagar. Para carros com injeção os melhores meios de
fazer os ajustes são usar caixas extras de injeção e
ignição ou remapear a central eletrônica. Em carros
com carburador, este deve ser recalibrado ou até
trocado, dependendo do caso, e o sistema de ignição
deve ser reajustado. Podem-se usar caixas de ignição ou
até de injeção para fazer esses ajustes também em
carros carburados. Se o serviço foi bem feito, o item 2
não apresentará problemas, pois o comportamento do
motor depende muito destes ajustes.
Freios
e suspensão devem ser revistos a partir de 40% de
aumento de desempenho -- média que pode variar
4. Outros sistemas redimensionados para o novo
comportamento. Para aumentos de potência ou
torque de mais de 40% já se deve pensar seriamente nos
outros componentes do conjunto mecânico do carro.
Câmbio, freios, suspensão, rodas e pneus devem ser
adequados ao novo desempenho, o que garante a segurança
e evita quebras ou comportamento indesejável destes
componentes. Claro que o limite de 40% é uma média:
proprietários mais experientes, que sabem lidar com
motores preparados, podem abrir mão de alguns destes
ajustes até 60% ou 80% de aumento de potência; já
outros menos experientes podem quebrar um câmbio ou
queimar uma embreagem com 20% de aumento de potência no
motor, sendo portanto indicados reforços para evitar
problemas.
5. Motor reforçado para suportar a nova
exigência. Isso em geral só é necessário
acima de 60% ou 80% de aumento de potência, mas
novamente se trata de uma média, pois depende da forma
como o proprietário usa o motor e da resistência do
propulsor original. Alguns podem pedir reforços em
bielas, pistões, mancais já com 40% de aumento; outros
podem andar com um motor 120% mais potente sem problemas.
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