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PREPARAÇÃO


A RELAÇÃO CUSTO-BENEFÍCIO

É natural se perguntar: já que reforços não fazem mal, por que abrir mão deles mesmo nas menores preparações? Os reforços devem ser evitados até ser necessários, porque em geral são caros e não trazem aumento de potência ou torque. Ou seja, prejudicam a relação custo-benefício -- paga-se mais para obter o mesmo.

Relação custo-benefício, em preparação, é simples de calcular. Basta dividir o total gasto na preparação pelo número de cv ou de mkgf obtidos a mais, assim se obtém a relação para potência ou para torque, de acordo com a prioridade. Mas há uma falha nesta técnica: motores de mais baixa cilindrada produzem menos cv ou mkgf quando preparados. Uma mesma preparação produz, por exemplo, 20% de aumento em um motor 1.000 ou 2.000, mas no primeiro isso se traduz em menos cavalos, piorando a proporção de custo x potência. Para evitar este efeito pode-se dividir o custo pelo aumento relativo obtido, em porcentagem.

Uma relação custo-benefício aceitável fica entre R$ 20 e R$ 40 para cada 1% de aumento de potência ou torque. Como é usual o cálculo pelo número de cv extra obtidos, a relação ideal se traduz na seguinte tabela:

Potência original
(em cv)
Relação custo-benefício ideal
(em R$ por cv ganho)
50 55 a 75
80 30 a 50
100 20 a 40
120 15 a 30
150 10 a 25
Um bom preparador fornece detalhado orçamento, com todas as modificações discriminadas, o custo de cada peça e da mão de obra separados, e também estima o ganho que será obtido. Assim o proprietário poderá calcular a relação custo-benefício e decidir se deseja realizar a preparação por completo ou eliminar alguma parte que onere demais o orçamento. E até mesmo perceber se o preparador está, como se costuma dizer, "metendo a faca".

ATINGINDO OS OBJETIVOS

A única forma de um leigo avaliar esse ponto previamente é contatar outros fregueses da oficina em questão e conversar sobre o comportamento do carro. Pergunta-se se a promessa de ganho de desempenho foi cumprida, se o custo foi o esperado e se não ocorreram problemas de manutenção, quebra ou outras ocorrências que dependam do preparador -- e não do uso que o proprietário faz do carro. Só observando um carro com preparação semelhante à planejada para o seu é que se pode ver com precisão os resultados das modificações. A ajuda de um colega mais entendido ou até de um consultor contratado, quando o custo envolvido justificar, pode ser útil neste momento.

A avaliação de uma boa preparação consiste basicamente em três pontos: qualidade, custo-benefício e objetivos que se traduzem em resultados. Mas a escolha de uma oficina ou preparador ideal exige que se mantenha a atenção para outros aspectos. O preparador deve demonstrar conhecimento técnico e linha de atuação coerente, além de possuir recursos tanto técnicos como tecnológicos. Fuja de locais que se recusam ou colocam dificuldades para trabalhar com novas tecnologias. Os que sugerem a troca da injeção por carburadores, por exemplo, demonstram claramente incapacidade para o serviço. Não importa quão pesada seja a preparação, a injeção é sempre um sistema melhor que o carburador e não deve ser substituída.

Componentes cromados e coloridos são dispensáveis e só devem ser adotados se o cliente desejar

A chamada "perfumaria", como peças cromadas e coloridas, não deve ser colocada como uma necessidade, pois não é. Sua aquisição depende só do gosto do proprietário. Outro aspecto importante: nada é impossível no campo de preparação. Se uma oficina lhe informar que não existe um kit turbo ou um intercooler para seu carro, que não é possível colocar um comando de válvulas mais agressivo ou ajustar a injeção, não acredite. No máximo haverá maior dificuldade em encontrar ou adaptar a peça, o que resultaria em maior custo para o preparo. Cabe à preparadora informar o cliente se realiza o serviço e a que custo, mas nunca enganá-lo informando que algo não pode ser feito ou encontrado. O melhor a fazer neste caso é procurar alguém mais disposto ou mais honesto.

Com tudo isso em mente, basta juntar a vontade de preparar seu carro aos recursos que tem disponíveis e ir à luta. Não aceite venenos que não deseja, verifique se todas as mudanças e regulagens necessárias serão realizadas, exija orçamento detalhado e com estimativa de resultados, pesquise outros fregueses. Acima de tudo, nunca permita ser mal informado ou receber o carro com alguma falha de funcionamento, consumo insatisfatório ou sem ter atingido os objetivos estabelecidos no orçamento.

Quando tudo tiver terminado e seu carro tiver uma boa preparação, você poderá desfrutar do prazer que atinge tanto o dono de um carro popular preparado como o de um Ferrari que passou pelas mãos de um tuner. O prazer de ter um carro exclusivo e diferenciado, capaz de pregar sustos em seus iguais e despertar a curiosidade de quem consegue se aproximar o suficiente para fazer a famosa pergunta: "O que esse carro tem embaixo do capô?". Boa sorte!

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