Avaliação
Mercedes
S 500
reconquista reinado de alta tecnologia

Com
mais de 30 inovações em conforto, tecnologia, desempenho
e prazer de dirigir, estabelece novos parâmetros para a concorrência
Texto: Fernando Calmon
A árvore genealógica é extensa. Começa em 1924 com o modelo
400, segue nos anos 30 com o 770 e nos anos 40 com o 170 S. O
Mercedes-Benz 300, em 1951, enriquece a dinastia e abre caminho
para o pioneirismo da segurança passiva. Em 1959 a fábrica alemã
efetivava os primeiros crash-tests que precederam o 300
SE de 1961. A denominação Classe S só surgiu oficialmente em
1972 com o 450 SE, que introduziu os freios ABS (1978). A próxima
geração, o 500 SE, passou para a história como o primeiro
automóvel a oferecer bolsa infável para o motorista.
O novo Classe S ao lado
de seus antecessores: tradição em carros de alto luxo e
tecnologia
Outro Classe S surgiu em 1991 e causou polêmica por suas dimensões
exageradas. Ainda assim produziram-se 407 mil unidades que lhe
garantiram 42% de participação no mercado mundial de sedãs
grandes de alto luxo. Sete anos e US$ 1 bilhão depois chega o
novo Classe S, menor, muito mais bonito e seguro, com um
impressionante pacote de inovações técnicas para disputar um
segmento que representa apenas 160 mil unidades anuais ou 0,3% da
produção mundial. Objetivo: pular para 50% de participação.

A silhueta suave lembra a de um cupê; faróis são arrojados e podem dividir opiniões
O S 500, por exemplo, não custa menos de US$ 90 mil na Europa,
ou o dobro disso quando desembarcar no Brasil em fevereiro de 99.
Como modelo de maior prestígio da marca, não precisava -- mas
conseguiu -- conciliar desempenho com baixas emissões e menor
consumo de combustível (até 17% menos), conforto com segurança,
estilo com aerodinâmica (Cx de apenas 0,27).
Mais desempenho, menor consumo e emissões,
muito mais segurança -- e 300 kg a menos
O novo sedã da Mercedes ficou mais curto, mais baixo e menos
largo que o anterior em dimensões externas. Em média pesa cerca
de 300 kg a menos. Ainda assim internamente ganhou quase 2 cm
para pernas e 1 cm para cabeça (nos bancos dianteiros) com
pequena redução na largura. A silhueta, seu ângulo mais
bonito, lembra a de um cupê. O conjunto ótico dianteiro de
grandes dimensões, totalmente coberto por lentes de
policarbonato, pode causar controvérsias por seu desenho
inusitado. As lanternas traseiras de formato piramidal lembram as
do esportivo SLK.
O maior destaque entre os novos equipamentos será um opcional
que estará disponível só em março. Trata-se do primeiro uso
de um sensor por radar para manter a distância de segurança em
relação aos veículos que seguem à frente. Acoplado ao
controlador de velocidade de cruzeiro, age automaticamente nos
freios e no acelerador dentro de certos parâmetros. Se o carro
da frente reduzir de repente, o sistema emite sinais (luminoso e
sonoro) para que o próprio motorista, com suficiente antecedência,
reassuma a frenagem.

Todo
o luxo e conforto imagináveis. Os bancos são ventilados e mudam
sutilmente de posição para que a coluna não sofra em longas
viagens
Outras primazias são os assentos com ventilação ativa (opcional)
e os encostos com contorno lombar variável e ajuste dinâmico.
Estes encostos possuem pequenas câmaras de ar que, quando
acionadas, obrigam a coluna vertebral a mudar sutilmente de posição.
É bastante eficaz para o conforto em longas viagens. Também inédito
é o sistema de climatização automática que se adapta ao número
de ocupantes no veículo e leva em consideração a incidência
de raios solares em cada um dos cinco lugares. Para os
passageiros de trás existem saídas reguláveis de ar
condicionado também nas colunas centrais.


A
criatividade dos repetidores de direção no corpo dos
retrovisores não se
repete na traseira, onde as lanternas têm clara inspiração nas
do SLK
Em lugar da chave o motorista pode deixar no bolso um cartão. Ao
tocar a maçaneta há uma troca de sinais indutivos e de rádio
que destrava a porta. Ainda sem retirar o cartão do bolso,
aciona um botão no console que desimobiliza o motor e dá
partida automática. O sistema de navegação via satélite, em
combinação com mapas digitalizados, permite levar ao destino
final pelo melhor itinerário, já que agora é capaz de
processar automaticamente informações sobre as condições de
tráfego. A maior parte da rede de fios de cobre foi substituída
por fibras óticas, bem como as lâmpadas comuns por leds
nas lanternas traseiras.
A segurança passiva atingiu níveis ainda mais elevados. Além
das duas bolsas infláveis frontais e das quatro laterais, a
Mercedes introduziu o airbag de janelas que infla a partir do
teto para proteger a cabeça de motorista e passageiros em
choques laterais. Pretensionadores e limitadores de esforço também
nos cintos traseiros e airbag para o acompanhante do motorista
com velocidade de inflamento controlada completam a proteção em
acidentes.


Encosto,
volante e retrovisores se autoajustam quando o banco é regulado
longitudinalmente;
ar-condicionado analisa incidência solar nos cinco lugares e
traz saídas nas colunas centrais
O motor V8 de 5 litros e três válvulas por cilindro (melhor que
quatro válvulas em motores maiores, segundo a fábrica) consome
13% a menos de combustível. Pode ainda receber um sistema de
corte seletivo de quatro cilindros nos regimes baixos e médios
de rotação. Isto significa economia adicional de até 15% a 90
km/h constantes. Os quatro cilindros deixam de funcionar com
suavidade e voltam a trabalhar de imediato e sem trancos, se o
motorista acelerar. Todas as unidades exportadas para o Brasil
terão este sistema, que diminui em 7 cv a potência máxima do
motor e mantém o mesmo valor de torque. Quatro catalisadores e
quatro sondas Lambda rebaixaram drasticamente as emissões de
gases.
Uma viagem de 400 km entre Stuttgart (Alemanha) e Zurich (Suíça)
ao longo de dois dias, organizada pela Mercedes para jornalistas,
não deixou dúvidas de que o Classe S é a nova referência
mundial em tecnologia, conforto e prazer de dirigir. A descoberta
de detalhes inéditos entusiasma o mais indiferente dos
motoristas: luzes repetidoras dos sinalizadores de direção
acoplados às conchas dos retrovisores laterais, deslocamento
automático do volante por comando elétrico para facilitar a
entrada e saída do carro e até autoajuste eletroergonômico de
encosto, volante (inclinação e profundidade) e espelhos sempre
que o motorista regula longitudinalmente o assento (além da função
de memorização de três regulagens individuais).

Pouco
menor em largura interna e porta-malas, o novo S ficou bem mais
compacto
por fora; a marca admite que a geração anterior era grande
demais
É uma surpresa atrás da outra: memorização das regulagens dos
bancos dianteiros na própria chave do carro, levantamento automático
dos encostos de cabeça do banco traseiro ao atar os cintos de
segurança, autocompensação do volume do sistema de som de
acordo com o nível acústico interno, volante com comandos
multifuncionais (rádio/CD, telefone e sistema de navegação) e
vidros laterais laminados e com bloqueio de raios infravermelhos.
Encostos de cabeça
traseiros erguem-se quando se atam os cintos e os vidros laterais
também são laminados
O S 500 aposenta mapas de papel graças ao navegador
multifuncional no centro do painel que o leva ao destino final
por meio de informações com menos de 10 metros de erro a cada
comando de voz (em sete línguas) ou indicação visual
redundante no quadro de instrumentos. A suspensão pneumática
tem amortecimento adaptativo ao modo de dirigir e ao tipo de
piso, além de regular automaticamente a altura livre do solo em
função da velocidade, carga e piso.
O motor de 306 cv e impressionantes 41 mkgf de torque máximo,
que se mantém neste nível entre 2.700 e 4.200 rpm, consente
acelerar de 0 a 100 km/h em 6,5 segundos (declarados). Os freios
com ABS e BAS (assistência extra em emergências -- clique
aqui para saber mais) seguram esta impetuosidade mostrando eficiência e
precisão soberbos. O câmbio é sempre automático de cinco
velocidades com programa de trocas de marcha esportivo e econômico.
Possui seleção manual de marchas, mas a operação se faz por
movimentos laterais na alavanca, quando toques para frente e para
trás seriam mais intuitivos.


Tecnologia ao extremo, do sistema de navegação às bolsas infláveis nas janelas
Outro defeito? Sim, o porta-malas tem volume de "apenas"
500 litros, referência para automóveis médios. O preço também
incomoda, mas a Mercedes garante que cobra só mais 1,5% pelo
novo S 500 e oferece muito mais em equipamentos. Não custa
sonhar de olhos abertos...
CÂMBIO - automático, 5 marchas; tração traseira. FREIOS - dianteiros e traseiros a disco ventilado; antitravamento e assistência auxiliar (BAS). DIREÇÃO - de pinhão e cremalheira; assistência hidráulica; diâmetro de giro, ND. SUSPENSÃO - dianteira, independente, quatro braços, com estabilizador; traseira, independente, multibraço, com estabilizador; amortecedores adaptativos. RODAS - 7,5 x 16 pol.; pneus, 225/60 R 16 W. DIMENSÕES - comprimento, 5,038 m (versão longa: 5,158 m); largura, 1,857 m; altura, 1,444 m; entre-eixos, 2,965 m (versão longa: 3,085 m); capacidade do tanque, 88 l; porta-malas, 500 l; peso, 1.855 kg. DESEMPENHO - velocidade máxima, 250 km/h (limitada); aceleração de 0 a 100 km/h, 6,5 segundos; consumo em cidade, 5,1 km/l; consumo em estrada, 10,1 km/l. (dados do fabricante; ND = não divulgado) |