A revolução em Stuttgart

Com motor V8 dianteiro refrigerado a água
e linhas ousadas, o 928 não parecia um Porsche

Texto: Francis Castaings - Fotos: divulgação

Na Alemanha, em toda a Europa e nos Estados Unidos, desde os anos 50, quando começaram a ser produzidos, ter um Porsche sempre foi símbolo de esportividade e status. Desde o primeiro modelo 356 até o espetacular e inconfundível 911.

O projeto do Porsche da era moderna nasceu em 1971. A idéia era substituir o 911 por um automóvel mais atual e arrojado, mas anos depois os dirigentes optaram pela convivência dos dois. O futuro 928 seria o segundo a romper com as tradições -- o 924, seu irmão caçula, se encaixava em outra faixa de mercado. Este seria o Porsche do futuro: um carro maior, mais refinado, o modelo em série mais caro da companhia.

Trabalho com modelos em clay (argila) do 928: o projeto foi desacelerado por causa da crise do petróleo, mas vingou

O 911 começava a perder clientes por causa da concorrência e da idade do projeto, que já pesava -- e a fabrica alemã não queria o risco de entrar em decadência. Ainda, as leis ambientais (ruídos e emissões) e de segurança norte-americanas, que entrariam em vigor no início da década de 70, podiam atrapalhar muito as vendas do 911, com seu motor traseiro refrigerado a ar.

O primeiro modelo do futuro carro, em escala 1/5, foi submetido a testes de aerodinâmica em 1972. Um ano depois, o primeiro motor V8 alimentado por carburadores funcionou no banco de ensaio. Nos testes o protótipo, identificado como W3, rodava disfarçado sob uma carroceria alargada do Audi 100 S cupê de 1971. Outras unidades usaram carrocerias Mercedes e até Opel, devidamente alargadas, encurtadas ou alongadas para se adequar à mecânica.

Estilo limpo, suave, com faróis que repousavam para trás quando fora de uso: as formas do 928 em nada lembravam as dos Porsches tradicionais

Também nesta fase de avaliação, um modelo de quatro lugares foi feito em escala real, mas nunca chegou a ser produzido. A carroceria quase definitiva ficou pronta em 1974. Por volta de doze protótipos foram testados em toda a Europa e África, nas mais adversas condições climáticas, sobre os mais diferentes revestimentos de piso. Rodaram milhares de quilômetros em desertos, estradas de terra e asfalto, autoestradas e autódromos.

Com a crise do petróleo deflagrada em 1973, a Porsche viu-se em dúvidas sobre levar adiante o projeto de um carro maior e com oito cilindros. Um 928 com motor V6 chegou a ser cogitado e o desenvolvimento acabou sendo desacelerado, mas em março de 1977 o resultado era apresentado no Salão de Genebra, na Suíça.

A terceira porta era praticamente a moldura do imenso vidro traseiro e as lanternas acompanhavam os chanfros das extremidades. Apesar do perfil suave, o Cx era apenas razoável, 0,41

Era um GT moderno e roubou a cena não só no estande da marca, sendo uma das maiores atrações do evento. A carroceria era em aço estampado, mas o capô, as portas -- incluindo a traseira -- e os pára-lamas dianteiros vinham em alumínio. Isso já garantia uma enorme longevidade contra corrosão, pois os alemães visavam muito ao mercado americano, notadamente a rica e quente Califórnia, além do próprio continente europeu com suas condições adversas de clima. Continua

O último
Um 928 GTS verde-limão e amarelo (!), com revestimento em couro nos mínimos detalhes internos, foi a última unidade vendida pela Porsche de seu V8. Conta-se que um norte-americano encomendou seu 928 à época com a exigência de que fosse o último a ser produzido e que, ao saber da política da Porsche de guardar para o acervo de seu museu o último exemplar de cada modelo, cancelou o pedido.

A empresa de Stuttgart decidiu a questão: fez um segundo exemplar do carro verde-limão e convenceu o americano a levá-lo, sob a alegação de que aquele penúltimo 928 era na verdade o último oferecido à venda ao público.
Em escala
Vários fabricantes nos quatro cantos do mundo fabricaram miniaturas do 928. A Burago italiana tem o modelo na escala 1/43: é um 928 S4 na cor marrom-metálico escura, que vem com decoração de corridas. Como é tradição da marca, muito bem acabado.

A Matchbox também o fez. Trata-se de um modelo preto de 1978 que abre as portas. Na decoração destaca-se um enorme escudo da marca sobre o capô. E com o volante do lado direito, para as crianças do mercado inglês. Foi um dos primeiros fabricantes a produzi-lo.

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