O sonho de aço

DeLorean construiu um carro inovador em aço
inoxidável. Deveria durar muito, mas só viveu dois anos

Texto: Francis Castaings - Edição: Fabrício Samahá

Um carro com carroceria feita em aço inoxidável foi fabricado na Irlanda do Norte, em Dunmurray, a 10 quilômetros do centro de Belfast, a capital. Lá, de 1981 ao final de 1982, funcionou a DeLorean Motor Company (DMC).

Foi fundada em 1973, em plena crise mundial do petróleo, mas seus automóveis só ganharam as ruas no começo da década de 80. Seu fundador John Zachary DeLorean, bem-sucedido executivo da General Motors, fez uma carreira brilhante na Packard, no início dos anos 50, e depois no grupo GM, onde ingressou com apenas 24 anos de idade. Na divisão Pontiac, chegou a engenheiro-chefe, e na Chevrolet, diretor-geral. Na Pontiac criou e desenvolveu o projeto dos famosos GTO e, mais tarde, a linha Grand Prix. Chegou à vice-presidência da GM.

As linhas do DMC-12 não inovavam, mas reuniam soluções ousadas de esportivos do passado, como o vigia traseiro em persianas

Mas John DeLorean não estava contente, apesar do gordo salário anual de 650 mil dólares. Ele queria mais, tinha um sonho: ter sua fábrica de automóveis e até ensinar a GM como se faz um carro.

A idéia do novo carro-esporte, com carroceria em aço escovado, foi brilhante. Chamava-se DMC-12. O desenho era inovador, mas empregava soluções de carros do passado. As portas em asa-de-gaivota eram baseadas nas do Mercedes-Benz 300 SL (leia história). O vigia traseiro em persianas já tinha sido adotado no Lamborghini Miura (leia história) e no Lancia Stratos (leia história), só para citar os mais famosos.

As portas ao estilo "asa-de-gaivota", que se abriam para cima, conferiam ar futurista ao carro de aço inoxidável criado por John DeLorean

O responsável pelo projeto foi o famoso Giorgio Giugiaro, que já tinha realizado obras de arte como o Miura, o De Tomaso Mangusta, o Maserati Ghibli, o Fiat Dino e o Lotus Esprit. Reunia soluções como a carroceria em aço escovado, chassi Lotus em Y e motor PRV (Peugeot-Renault-Volvo) com seis cilindros em V e 2,8 litros, que em princípio seria adotado na posição central mas depois, por problemas técnicos, ficou alojado atrás do eixo traseiro, com câmbio do Renault Alpine A 310. Além de muito bom, o carro era relativamente fácil de manter, graças a peças comuns a vários modelos do mercado europeu, encontradas sem problemas até hoje.

John DeLorean queria um carro para durar de 20 a 25 anos e que não ficasse obsoleto em pouco tempo. No primeiro protótipo foi utilizado um motor do Citroën CX, de dois litros e 102 cv. Mostrou-se antiquado e fraco para as características do esportivo. O carro deveria ser leve, mas a realidade era outra. Continua

Nas telas
O DeLorean DMC-12 era a máquina do tempo na trilogia De volta para o futuro (Back to the future), filmes que fizeram enorme sucesso. Esta sem dúvida foi sua maior propaganda. Ficou conhecido nos quatro cantos do mundo e por pessoas de todas as idades que gostam de ficção científica.

O carro fez a platéia vibrar no primeiro filme e nas duas continuações, estrelados por Michael J. Fox e Christopher Lloyd. Tinha acessórios pouco ortodoxos que faziam dele um laboratório ambulante. Incontáveis fios e canos na parte externa e, na traseira, algo como dois propulsores a jato davam o toque futurista.

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