Desta linha surgiu o RS Cosworth, mais potente versão de série já produzida (saiba mais). Mas a crítica não aprovou o desenho e a dirigibilidade do Escort: a Ford parecia ter errado ao mexer em um time vencedor. Já em 1992 era "relançado", mais robusto, potente (motores Zetec e Zetec SE de nova geração) e bem-equipado. O esportivo RS 2000 vinha com motor 2,0 16V de 150 cv e rodas de 15 pol.

Halewood, Inglaterra, 21 de julho de 2000: encerra-se a produção do Escort na Europa, embora permaneça na Argentina e -- com desenho distinto -- no México, entre outros países

Seis anos depois a produção era concentrada na Inglaterra e o Escort abria caminho para seu sucessor, o Focus. A última unidade européia saiu em 21 de julho de 2000 e sua despedida do mercado ocorreu no final do ano, depois de 13,5 milhões fabricados nas unidades britânica, alemã, belga e espanhola. Com as produções do resto do mundo -- incluindo Polônia, Índia, Argentina, México e, naturalmente, Brasil e Estados Unidos -- o total aproxima-se de 20 milhões.

No Brasil   O Escort nacional nasceu em agosto de 1983 para preencher uma lacuna logo abaixo do Corcel II. Idêntico ao europeu, trazia três ou cinco portas (lançadas em simultâneo, primeiro caso no Brasil), linhas atuais e agradáveis, o melhor coeficiente aerodinâmico (Cx) do mercado na época, 0,386, e o bom acabamento tradicional da marca. A garantia contra corrosão era de três anos, a maior do Brasil.

O primeiro nacional:  motor CHT de 1,35 ou 1,6 litro, garantia de 3 anos contra corrosão, ajuste automático de embreagem, versões de 3 e 5 portas em simultâneo

Inovação era o ajuste automático da folga de embreagem, por meio de catraca no próprio pedal, que o mantinha na mesma posição apesar do desgaste do disco. Sistemas mais simples de folga zero, utilizados pela Fiat no Spazio e depois por outras marcas, faziam o pedal subir cada vez mais. Outros destaques eram os avantajados retrovisores externos, questão de segurança, e a grade de lâminas com função aerodinâmica de desviar o ar em altas velocidades, como no Corcel II.

As versões básica, L e GL logo recebiam a adição da sofisticada Ghia e da esportiva XR3 (Experimental Research 3, pesquisa experimental 3). O Ghia, nome do estúdio italiano que realizou diversos trabalhos de estilo para a Ford, oferecia controle elétrico dos vidros dianteiros e travas, vidros tratados com efeito dourado, limpador de pára-brisa com intervalo ajustável, relógio digital acima do retrovisor interno e luzes de aviso para desgaste das pastilhas de freio, baixo nível de combustível, óleo do motor, líquido de arrefecimento e outras.

Moderno e agressivo, o esportivo XR3 marcou os anos 80 e conquistou 10 entre 10 jovens. Pena que o desempenho do motor CHT, de 86 cv e pouco torque, estivesse muito aquém do desejável

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O XR3 logo se tornaria o sonho de consumo de 10 entre 10 jovens. Trazia spoilers dianteiro e traseiro, rodas de 14 pol com pneus 185/60, teto solar com persiana interna (novidade no Brasil), faróis de longo alcance e de neblina e até lavadores de farol. No interior, bancos esportivos, volante de apenas 343 mm de diâmetro, ar-condicionado opcional, painel bem-equipado.

O provocativo ponteiro do conta-giros apontava para o alto no regime indicado para mudança de marcha, como em carros de competição. Recebia molas e amortecedores mais firmes, freios dianteiros a disco ventilado e direção mais rápida. Sob o capô, no entanto, certa decepção: o veterano motor Renault de comando no bloco, varetas e balancins, desenvolvido para o primeiro Corcel, em 1968, ainda que evoluído. A nova denominação CHT (sigla para câmara de alta turbulência) indicava as câmaras de combustão retrabalhadas para melhor desempenho e menor consumo.

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Com teto solar, aerofólio traseiro e rodas de 14 pol, o XR3 fez sucesso entre os jovens (clique na imagem acima para ampliá-la)

Além do 1,6-litro, de 73,4 cv a álcool ou 65,3 cv a gasolina, havia uma opção de 1,35 litro (63,5 cv a álcool, 56,8 cv a gasolina) bastante econômica. No XR3 vinha apenas o 1,6 a álcool com um ligeiro "veneno" em válvulas, dutos de admissão de maior diâmetro, comando de válvulas, carburador e curva de ignição. A potência crescia 10 cv, para 82,9 cv a 5.600 rpm, com o torque máximo passando de 11,6 m.kgf para 12,8 m.kgf ao alto regime de 4.000 rpm. Continua

RS Cosworth, um super-Escort de 220 cv

A tradição do nome Cosworth -- resultado da fusão dos fundadores Mike Costin e Keith Duckworth -- nas pistas de competição fala por si só. E foi com esse aval que a Ford européia lançou, em 1992, uma versão muito especial do Escort: a RS Cosworth.

O lendário motor de 2,0 litros, com 16 válvulas e turbocompressor, entregava 227 cv de potência a 6.250 rpm e torque máximo de 30,4 m.kgf a 3.500 rpm. Vinha montado em posição longitudinal e com tração nas quatro rodas, transmitindo sempre 67% do torque às traseiras.

O RS era na verdade um conjunto mecânico de Sierra, modelo da marca com tração traseira e porte maior, vestido por uma carroceria de Escort, ou quase -- a alemã Karmann encarregou-se de adaptá-la às novas dimensões.

Durante quatro anos 7.145 unidades foram produzidas, muitas para uso em ralis. As primeiras 2.500 eram para homologação para as provas do Grupo A (ao lado); as demais saíram com turbina menor, para enchimento mais rápido, e 221 cv.



Para uso em rua (acima), vinha com bancos dianteiros Recaro, teto solar, controle elétrico dos vidros e travas. O duplo aerofólio traseiro e outros apêndices aerodinâmicos pioravam seu Cx para 0,38, mas geravam boa sustentação negativa: 4,5 kgf no eixo dianteiro e 19,3 kgf no traseiro a 180 km/h. Ainda assim chegava a 220 km/h -- e acelerava de 0 a 96 em 6,9 s, rápido como todo carro para ralis.

Nunca venceu um campeonato mundial, mesmo com o renomado piloto espanhol Carlos Sainz. Mas marcou época.

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