Toda a linha voltava a ter grade -- oval e estranha, como a dos europeus desde 1992 --, além de motor a injeção (monoponto no 1,8) e pára-choques na cor da carroceria. Gosto à parte, o erro foi efetuar a modificação apenas seis meses antes da chegada do novo "Escort Zetec", em alusão ao motor inglês que marcou o encerramento da influência da Autolatina no modelo. O coração importado -- um moderno e eficiente 1,8 de 16 válvulas e 115 cv -- trazia novo ímpeto aos Escorts de cinco portas e sedã de quatro portas, agora as opções disponíveis.

Uma grade ovalada -- e destoante das linhas do modelo -- foi adotada em 1992 na Europa, aqui mostrada num Cabriolet, e em 1996 no Brasil, sendo substituída em seis meses

Chegava ao mesmo tempo a perua Escort Station Wagon, outra opção que a Ford estudava desde os anos 80. Para marcar o novo motor, retoques na aparência: grade sutil entre o capô e o pára-choque e um arredondamento geral, trazendo mais atualidade. Por fora e por dentro, inúmeros elementos traziam as formas ovais características da marca. As rodas de toda a linha passavam a 14 pol, com pneus 185/65.

Versões três-portas (GL) e esportiva retornavam para 1998, mas o Escort RS tupiniquim não fazia jus à sigla utilizada em modelos tão potentes da Ford européia. Era um três-portas com pequenos spoilers, rodas exclusivas, painel de fundo branco e outros detalhes de acabamento, além de suspensão mais firme. Todo o resto -- motor, câmbio, freios, pneus -- era idêntico ao das demais versões, um retrocesso em relação ao já saudoso XR3.

O último esportivo, ou quase: a sigla RS foi usada em 1998 neste Escort convencional, com o mesmo motor 1,8 de 16 válvulas das demais versões

A última novidade do Escort, em agosto de 2000, foi o motor nacional Zetec Rocam de 1,6 litro e 95 cv para o cinco-portas e a perua, os únicos então disponíveis. O médio-pequeno de sucesso da Ford tornou-se opção exclusiva para países em desenvolvimento, mas carregou até 2003 (quando saiu de produção no Brasil) uma tradição de 35 anos e quatro gerações com o mesmo nome, marca que poucos modelos no mundo podem exibir.

Para ler
Escort Mk 1, 2 e 3 -  The Development and Competition History; J. Walton; 372 páginas, 315 ilustrações. Relata as três primeiras gerações de um modelo de sucesso nas ruas e nas pistas. Fala da evolução desde os primeiros de tração traseira até os de tração dianteira na década de 80. XR: The Performance Fords; 
também de J. Walton; 128 páginas, 140 fotos. Conta a história de sucesso dos modelos da Ford Europa da linha XR, desde o Fiesta XR2, passando pelo Escort XR3 e terminando com o Sierra XR4. Tem uma referência técnica bem detalhada dos modelos.
Ficha técnica
_ XR3 1,6 (1984) XR3 1,8 (1990) XR3 2,0 (1993)
MOTOR
Posição e cilindros transversal,
4 em linha
transversal,
4 em linha
transversal,
4 em linha
Comando e válv. por cilindro no bloco, 2 no cabeçote, 2 no cabeçote, 2
Diâmetro e curso 77 x 83,5 mm 81 x 86,4 mm 82,5 x 92,8 mm
Cilindrada 1.555 cm3 1.781 cm3 1.984 cm3
Taxa de compressão 12:1 - álcool 8,5:1 - gasolina 10:1 - gasolina
Potência máxima 82,9 cv a
5.600 rpm
97 cv a
6.000 rpm
115,5 cv a
5.600 rpm
Torque máximo 12,8 m.kgf a
4.000 rpm
16 m.kgf a
3.000 rpm
17,6 m.kgf a
3.200 rpm
Alimentação Carburador de corpo duplo Carburador de corpo duplo Injeção multiponto
CÂMBIO
Marchas e tração 5, dianteira
FREIOS
Dianteiros e traseiros a disco / a tambor a disco ventilado / a tambor a disco ventilado / a disco
DIREÇÃO
Assistência não hidráulica
RODAS
Pneus 185/60 R 14 H
DIMENSÕES
Comprimento 3,969 m 4,062 m 4,04 m
Entreeixos 2,402 m 2,402 m 2,525 m
Peso 934 kg 990 kg 1.140 kg
DESEMPENHO
Velocidade máxima 165 km/h 175 km/h 185 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 14 s 12 s 10,5 s

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