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Carros do Passado

O primeiro automóvel da Ford   A Ford instalou-se no Brasil em 1°. de maio de 1919 para a montagem de automóveis Modelo T e caminhões TT, com peças importadas da matriz americana. Entretanto, quando o GEIA - Grupo Executivo da Indústria Automobilística iniciou a implantação da indústria automobilística nacional, definiu-se que tanto a Ford quanto a General Motors produziriam... caminhões apenas. O primeiro Ford fabricado no país, concluído em agosto de 1957, era um F-600 para seis toneladas, com motor V8 a gasolina e 40% de nacionalização. O picape F-100 começava a ser feito em outubro.

O tempo de maior potência para esse Ford nos EUA: os motores V8 de mais de seis litros chegavam a superar 400 cv

Foram precisos 10 anos para que a Ford passasse a produzir aqui um carro de passageiros. E, apesar da escassa motorização dos brasileiros, o modelo escolhido não era econômico e acessível, mas luxuoso e caro: o Galaxie 500, baseado no que os EUA fabricavam desde 1965. Cercada de grande expectativa, a novidade fazia sua aparição no 5°. Salão do Automóvel, aberto em 26 de novembro de 1966 no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. A primeira unidade era produzida em 16 de fevereiro de 1967, marcando um momento histórico para a Ford e, por extensão, para a indústria nacional.

Externamente era muito semelhante ao americano, com porte avantajado (5,3 metros de comprimento, 2 m de largura, 3,02 m entre eixos), enorme balanço traseiro e o predomínio de linhas retas. Os parrudos pára-choques, as calotas, frisos, grade e o retrovisor eram cromados, seguindo a tendência da época. De cada lado da ampla grade vinham dois faróis redondos sobrepostos; as lanternas traseiras eram retangulares.

Em fevereiro de 1967 chegava o Galaxie 500 brasileiro, primeiro carro nacional da
Ford e um marco para nossa indústria, que acumularia primazias durante seus 15 anos

O espaçoso interior acomodava com folga lateral até seis pessoas em dois bancos inteiriços (o dianteiro com encosto fixo), permitidos pela montagem da alavanca cromada do câmbio, manual de três marchas, na coluna de direção. O painel tinha escalas horizontais nos instrumentos e diversas luzes-piloto. Duas delas indicavam motor frio e superaquecido, em vez de um marcador de temperatura analógico (ambas apagadas em temperatura normal); outra apontava o uso do freio de estacionamento, acionado por pedal e liberado por alavanca. Integrado ao conjunto estava um rádio ainda não-transistorizado.

O sistema de ventilação forçada, raro no mercado, promovia alguma renovação de ar (não havia saídas de ar de cabine) e o desembaçamento do pára-brisa. Os quebra-ventos eram movimentados por pequenas manivelas e molas limitadores de posição das portas permitiam mantê-las abertas em dois ângulos. 45° e total. Tão extenso era o porta-malas (embora um tanto raso) que, à frente de toda a bagagem, ainda cabia o enorme estepe em posição horizontal. Continua

Nas pistas
No começo da década de 80 surgiu a categoria Turismo 5000. Competiam Dodge, Maverick e Galaxie. Este último, apesar da desvantagem de tamanho e peso, não se deixou intimidar. O motor de 272 ou 292 pol3 era trocado pelo 302 e perdia tudo o que podia ser retirado (forros, bancos, frisos) para aliviar o peso. A suspensão era rebaixada e trabalhada. Sob o capô, coletores e escapamentos especiais. Os freios eram a disco nas quatro rodas. Dentro, tinha banco especial para o piloto, estrutura de segurança e só os instrumentos necessários. Por fora, pintura colorida e spoiler dianteiro davam certa agressividade ao sedãzão, lembrando os cupês que competiam na NASCAR americana na década de 60. (Francis Castaings)

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