O Gol, ao lado de outros VW como o Voyage
(foto) e o Passat, teve
sempre destacada atuação nos circuitos de velocidade e nos ralis.
Ainda em 1980, padecendo da fama de lento devido ao motor "a ar" de 1,3 litro, o departamento de Assistência Técnica do Produto da Volkswagen, chefiado pelo ex-piloto de Turismo e Rali Ronaldo Berg (hoje na GM), conseguiu autorização da diretoria para ceder, em comodato, 45 Gols com motor 1,6-litro de Kombi para os melhores pilotos de rali de oito capitais.
Logo o lento Gol passou a aparecer no noticiário esportivo da época, desfazendo em grande parte sua fama de não andar.
Em 1984 o Voyage ganhava o disputadíssimo Rali Itaú Nova Friburgo e o Rali de São Paulo.
Na 12 Horas de Goiânia, terceira etapa do Brasileiro de Marcas, a dupla Jaime Figueiredo-Xandy Negrão venceu
entre 60 carros que largaram, nesta corrida que contou com participação das
quatro grandes fábricas -- 21 Fiats, 16 Escorts, 11 Chevettes e 12 Voyages,
que ficaram com o primeiro e o quarto lugares.
Na 12 Horas de Guaporé, RS, a dupla Armando Balbi-Toni Racha
venceu, e em segundo lugar, outro Voyage. A prova durou pouco mais de 5
h, pois foi interrompida devido a forte neblina e reiniciada após 4
h de paralisação. Para fechar o ano com chave de ouro, a mesma dupla
ganhou também a 300 Milhas de Goiânia com um Voyage de 130 cv
e velocidade final de 210 km/h. Branco com faixas azuis, tinha um aerofólio nada discreto,
mas o conjunto era bonito. A VW levou o troféu no ano.
Para a temporada de 1985 do campeonato brasileiro de Marcas e Pilotos, as quatro fábricas
decidiram com a Confederação Brasileira de Automobilismo que os motores seriam todos de 1.300 cm3.
A decisão, tomada em 18/12/84, deveu-se a tentar-se encontrar uma fórmula para equilibrar os desempenhos dos 1,6-litro
da VW, Ford e GM com o 1,3 da Fiat, visando melhores disputas.
A engenharia da VW, coordenada pelo engenheiro Luiz Antônio da Silva,
pôs mãos à obra. O 1300
"a água" de exportação era fraco demais para competição e deixaria
a marca em desvantagem. A solução foi reduzir um 1,6 por meio de
virabrequim de curso bastante curto: passou de 80 para 65,4 mm.
No final de fevereiro o motor, a álcool, já estava rodando no
dinamômetro e, com cabeçote AP, gerava 130 cv |
a 6.800 rpm. O Gol 1,3 "a água" venceu na estréia e faturou o título de Marcas naquele ano.
Não raro os pilotos levavam o motor a 8.000 rpm. Seus pontos altos eram a
relação r/l de apenas 0,24 e a velocidade média dos pistões: mesmo com motor girando a 8.000 rpm não passava de 17,4 metros por segundo.
Em 1985 o Gol faturou também o Campeonato de Rali de Velocidade
e o Brasileiro de Marcas.
Em 1986, no Rali das Estâncias, SP, o Gol levou do primeiro ao sexto lugar. Houve trechos com média de 135
km/h. Ganhou ainda o campeonato brasileiro e sul-americano nas mãos de Silvio Klein e Jorge
Fleck. Outro destaque no ano foi o Voyage da categoria Hot Car,
cujo motor 1,8 desenvolvia 170 cv através de uma preparação refinada,
pois o regulamento permitia muitas peças importadas.
Em 1987 foi campeão paulista de rali. O carro que disputou o rali brasileiro e o Codasur
(sul-americano) desenvolvia 127 cv a 6.600 rpm. Em 1988 tornou a ganhar o paulista de rali e, nos autódromos,
venceu todas as provas do grupo N no campeonato brasileiro. No 8º. Rally da Argentina, o
Gol 1,6 de 140 cv pilotado pelos uruguaios Gustavo Trelles e Pablo
Reyno foi o carro sul-americano com melhor desempenho por mais tempo.
Ainda nesse ano o Gol 1,6 ganhou o campeonato brasileiro de rali
com Reynaldo Varella e Joaquim Cunha. Levou também o titulo do Sul Americano nas mãos de Eddio Fuchter e Ricardo Costa.
Bob Sharp/Francis Castaings
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