O legítimo sucessor do Fusca

Com mais 20 milhões de unidades vendidas, o
Golf é um dos carros mais populares do mundo

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

Com toda sua popularidade mundial, o Volkswagen Sedan -- nosso conhecido Fusca -- levou 50 anos para atingir o marco de 20 milhões de unidades produzidas. Um de seus descendentes precisou de apenas 26 para fazer o mesmo, e continua girando o hodômetro da produção a grande velocidade: o Golf, um sucesso da marca desde 1974.

No início da década de 70, a Volkswagen alemã revia alguns conceitos em seus novos carros. O Passat chegara em 1973 (no ano seguinte no Brasil) trazendo, pela primeira vez num VW, motor dianteiro refrigerado a água e tração dianteira, além de avanços variados em conforto, comportamento dinâmico, eficiência e segurança.

Um ano após o Passat, a renovação da linha Volkswagen prosseguia com o Golf, um moderno hatchback de motor transversal, três ou cinco portas e linhas robustas e funcionais Clique para ampliar a imagem

Mas o Fusca, que os alemães conheciam por Käfer, estava ultrapassado diante da concorrência -- e pedia aposentadoria, inclusive por não atender às necessidades de economia do combustível que logo entraria em crise. Em 1970, depois de apresentar à empresa a proposta de desenho do Passat, o italiano Giorgio Giugiaro recebeu a incumbência de projetar um sucessor para o Fusca.

Em junho de 1974 a renovação da linha se expandia com o Golf, fruto do projeto EA337. Com nome associado a um esporte, assim como outros VW posteriores (Polo, Derby, o Gol brasileiro), trazia o mesmo princípio mecânico do Passat, com a adição da montagem transversal do motor, para melhor aproveitamento do espaço. Ao contrário do Fusca, tinha porta traseira (hatchback) e a opção de cinco portas.

Clique para ampliar a imagem As largas colunas traseiras são marca registrada do Golf desde a primeira geração. A versão GLS, na foto, já oferecia motor 1,6 e câmbio automático em 1975

As linhas criadas pelo célebre Giugiaro eram simples e funcionais. Os traços retos mantinham a robustez do desenho do Passat, ao qual se assemelhava também nos faróis redondos sobre uma grade preta e larga. As colunas traseiras largas transmitiam solidez e se tornariam uma marca registrada do Golf através das décadas.

Era um carro moderno também em segurança: zonas de deformação dianteira e traseira em caso de colisão, coluna de direção retrátil, retrovisor interno de fácil desencaixe em impactos, encostos de cabeça dianteiros (a partir de 1976), cintos de três pontos na frente (atrás em 1979) e, como opção, cintos automáticos. Como no Passat, a suspensão dianteira era independente McPherson e a traseira recorria ao eixo de torção.


Sucesso imediato, o Golf atingiu 500 mil unidades produzidas em menos de dois anos. Ao lado, um bem-humorado anúncio revela a aptidão do carrinho de 3,7 metros, bem mais curto que o velho Fusca, em alojar motoristas alemães de dimensões menos modestas...

O motor básico, de apenas 1,1 litro, desenvolvia 50 cv líquidos e podia levá-lo a 140 km/h, bom desempenho para uso urbano. Podia-se optar pelo 1,5 de 70 cv, capaz de 160 km/h -- mais que suficientes numa época de crise do petróleo. Em setembro de 1975 chegava a versão GLS, com motor 1,6 de 75 cv (162 km/h) e opção de câmbio automático. O Golf logo conquistou seu espaço no mercado, empurrando lentamente o Käfer para o fim, que chegaria na Alemanha em 1977.

Entre as idéias de Giugiaro para o estilo do Golf estava um cupê de linhas esportivas, similar a seu carro-conceito Asso di Picche, mas a VW rejeitou a proposta por não ver viabilidade. O desenhista recorreu então a Wilhelm Karmann, fabricante de carrocerias especiais em Osnabruck, na Alemanha, para sua produção. Nascia assim o Scirocco, nome de um vento do deserto africano.

Rejeitado pela VW, o desenho do Scirocco foi desenvolvido pela Karmann, que produziu este cupê com base no Golf. É evidente a inspiração nesse modelo para nosso primeiro Gol

Apresentado no Salão de Genebra de 1974 como um substituto do Karmann-Ghia, agradava pelas formas retas, robustas e agressivas, bem ao estilo de Giugiaro. Havia três opções de motores: 1,1 de 50 cv, 1,5 de 70 cv e outro 1,5, de 85 cv, para a versão TS, que vinha também com quatro faróis, volante e bancos esportivos. Um ano depois já chegava ao mercado norte-americano. Continua

Especiais
O Golf e seus derivados sempre foram alvo de preparadores e transformadores no mundo todo, mas algumas versões merecem destaque. O Golf GTI da alemã Öettinger, de 1981, trazia o motor 1,6 com um retrabalho na injeção e comando de válvulas mais bravo, o famoso Dr. Schrick alemão. Chegava a 136 cv a 6.500 rpm e 16 m.kgf a 5.500 rpm.

Partindo da versão americana, Rabbit, a Neuspeed criou em 1980 o Thunder Bunny (foto), com motor 2,0-litros e algumas peças alemãs da Öettinger. Deu tão certo que, de acordo com a revista Motor Trend, ele era o carro de tração dianteira mais rápido dos EUA: acelerava de 0 a 96 km/h em 7,2 s.
Colaboração: Felipe Cavalcante Bitu  

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