Precursor de uma geração   Em março de 1976 já eram 500 mil Golfs produzidos. E em junho a Volkswagen lançava uma versão que se tornaria uma lenda na história do automóvel, gerando incontáveis imitações por toda a indústria européia: o esportivo GTI (gran-touring injection ou gran-turismo injeção, sigla hoje usada genericamente para esse tipo de veículo), precursor da geração de hot-hatches, modelos de três ou cinco portas e alto desempenho.

Clique para ampliar a imagem Motor 1,6 a injeção com generosos 110 cv, spoiler, molduras laterais, retoques internos e mecânicos: estava pronto o Golf GTI, primeiro hatchback esportivo de muitos que viriam

Conta-se que o GTI nasceu de forma casual. Herbert Schuster, um engenheiro de desenvolvimento de Wolfsburg, resolvera aplicar a um Golf certa preparação mecânica, conseguindo resultados que impressionaram a muitos dentro da marca. Sua ousadia transformou-se no projeto EA195 e, no Salão de Frankfurt de 1975, em um estudo de uma versão esportiva do Golf.

O caráter do GTI estava evidente no spoiler mais pronunciado sob o pára-choque dianteiro, nas molduras plásticas nos arcos dos pára-lamas, nas faixas laterais e na grade com friso vermelho e o emblema VW em preto. As cores se limitavam a prata e vermelho, com o preto aparecendo anos depois.

Interior do GTI trazia decoração discutível, mas o volante de três raios de menor diâmetro e o pomo do câmbio com a forma de uma bola de golfe fizeram sucesso

A suspensão, mais baixa, recebia estabilizadores nos dois eixos e os pneus eram 175/70 R 13 H. O interior ganhava volante e revestimento dos bancos esportivos e o pomo do câmbio (de apenas quatro marchas) tinha a forma de uma bola de golfe, tal e qual o adotado em 1988 no Gol GTS brasileiro. Mas o trunfo do GTI estava sob o capô.

O motor de 1,6 litro, idealizado para o Audi 80 GT, utilizava injeção mecânica Bosch K-Jetronic, taxa de compressão elevada (9,5:1) e radiador de óleo. Com 110 cv -- potência específica de 68 cv/l, maior que a de muitos motores multiválvula de hoje! --, levava o carrinho de apenas 800 kg a acelerar de 0 a 100 em 9,2 s e atingir 182 km/h de máxima, numa época em que os carros de seu porte não passavam de 165 km/h.

A mesma mecânica do GTI foi aplicada ao cupê Scirocco GT. A potência específica era de 68 cv/l, maior que a de muitos motores multiválvula de hoje, e o torque máximo chegava apenas em 5.000 rpm

O torque máximo de 14,2 m.kgf aparecia apenas a 5.000 rpm. Mesmo assim, a demanda foi tão grande que a previsão de 5.000 unidades no primeiro ano só não foi muito superada (ficou em 6.067) por falta de sistemas de injeção. A VW lançou então a publicidade: "O Golf GTI vende, por si só, mais rápido do que nós podemos produzi-lo"...

A mesma mecânica era logo aplicada ao Scirocco GT, que ganhava ainda suspensão mais firme e freios ventilados. No ano seguinte o cupê recebia alterações externas, como pára-choques integrados, e mecânicas. Em 1979 o motor 1,1 dava lugar a um 1,3 de 60 cv e surgia o teto solar removível. O Scirocco chegou a ser testado no Brasil pela Volkswagen, como inspiração para o primeiro Gol -- há de fato um grande parentesco entre eles.

Anos após a renovação do hatchback, em 1988 o Golf Cabriolet permanecia assim, com o estilo do modelo lançado em 1979 -- defasagem que se repetiria na década de 90 Clique para ampliar a imagem

Em julho de 1978 o Golf chegava ao mercado norte-americano, com o nome Rabbit (coelho) e adaptações ao gosto e às normas locais, como pára-choques mais robustos. Mais tarde surgiam o picape leve Caddy (hoje a VW tem um derivado do Polo com o mesmo nome), também para os Estados Unidos -- só chegaria à Europa depois de três anos.

Em 1979 vinha o câmbio de cinco marchas, seguido por um 4+E (com a quinta de economia). Também nesse ano aparecia a versão 1,5 a diesel (50 cv, 140 km/h), pioneira na categoria, em setembro; era alcançado o marco de um milhão de unidades, em outubro; e chegava o Golf conversível, em março, fabricado pela Karmann, como já ocorrera no passado com essa versão do Fusca.
Continua

Os três-volumes

Ao contrário do hatchback, que manteve o mesmo nome, as versões de três volumes do Golf já utilizaram três denominações: Jetta desde 1980, Vento a partir de 1992 e Bora em 1998 -- este ainda chamado Jetta no mercado americano.  Outra particularidade é que suas linhas frontais sempre foram exclusivas, com faróis de linhas mais retas, para harmonizar com a traseira saliente.

Um cupê de duas portas muito elegante, o CJ, foi apresentado em 1997 como carro-conceito. Suas linhas inspiraram diretamente as do quatro-portas Bora, lançado dois anos depois. Em 1999 a Volkswagen apresentou, pela primeira vez, uma perua derivada do três-volumes: a Bora Variant -- praticamente idêntica à Golf Variant, mas com desenho frontal e detalhes de acabamento próprios.


De cima para baixo, o Jetta de 1985, o Vento de
1992 e o CJ de 1997, um belo cupê que deu origem ao Bora

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