Curiosamente o Golf a céu aberto resistiria ao fim do primeiro modelo, "pulando" a geração seguinte do hatchback. Logo depois vinha o Jetta, versão de três volumes e linhas pacatas, para o consumidor mais familiar. O nome, utilizado até hoje no mercado norte-americano (para onde vai o mesmo Bora vendido aqui), foi obtido em computador e não tinha nenhum significado.

A segunda geração do Scirocco ficou em produção por dez anos. Em 1984 era abandonado o limpador de palheta única, característica dos anteriores

Em 1981 era lançado o Golf Formel E (fórmula E, de economia), com um sistema que desligava o motor com o carro parado, como em semáforos, sendo rapidamente reativado. O marco de cinco milhões era atingido em fevereiro de 1982, mesmo ano em que o motor do GTI passava para 1,8 litro. Com 112 cv, representava apenas 2 cv a mais, só que com torque máximo de 15,6 m.kgf.

Como se percebe, o esportivo já começava a ser "amansado", com motor de menor potência específica (62 cv/l), para lidar com o peso dos novos itens de conforto. Carroceria de cinco portas e computador de bordo também eram introduzidos no GTI. Desde 1980 esta versão já vinha com o clássico volante de quatro raios e quatro botões redondos de acionamento da buzina, aqui utilizado no Gol e no Passat e de grande sucesso entre os que buscavam personalização.

Mais espaço, linhas mais suaves, motores de maior cilindrada: o Golf II chegava com as novidades que o mercado queria, mantendo forte identidade visual com a primeira geração Clique para ampliar a imagem

No mesmo ano chegava a segunda geração do Scirocco, mais espaçosa (o porta-malas crescera 20%) e aerodinâmica: o Cx caía de 0,42 para 0,38. A base mecânica permanecia, mas nos Estados Unidos havia opção de motor 1,7 de 74 cv, não oferecida na Europa. Em 1983 saía a versão 1,8, com o mesmo AP-1800 que ainda temos aqui; desenvolvia 90 cv nos EUA e 112 cv na Alemanha.

E o primeiro Golf se despedia com a série especial Pirelli GTI, com rodas de 15 pol, pneus (Pirelli, claro) 185/55 e volante revestido em couro -- hoje, um disputado carro de coleção. Essa geração, no entanto, permanece em fabricação até hoje na África do Sul, onde é conhecido como Citi Golf e possui motores de 1,3, 1,4 e 1,6 litro.

Os quatro faróis identificavam o novo GTI, mais "manso" com motor de 1,8 litro. Mas a versão de 16 válvulas (foto) logo surgia, levando a potência a 139 cv e satisfazendo os aficionados pelo carro

Segundo tempo   O Golf de segunda geração chegou ao mercado europeu em agosto de 1983, nove anos após a primeira. Com entreeixos mais longo e porta-malas mais espaçoso, trazia grande evolução do desenho da traseira, mais encorpado e com amplas lanternas, mas a frente continuava lembrando muito a anterior, incluindo os faróis redondos. As largas colunas posteriores também estavam lá. O três-volumes Jetta era renovado no ano seguinte.

Os motores iam de 1,3 a 1,8 litro. O GTI estava mais lento por conta do maior peso, exigindo 9,7 s para acelerar de 0 a 100 km/h. Mas a situação se reverteria em novembro de 1985, com a chegada do cabeçote de duplo comando e quatro válvulas por cilindro: o GTI 16V desenvolvia respeitáveis 139 cv (77 cv/l!), podia acelerar até 100 em 8,4 s e alcançar 210 km/h. Vinha com altura de rodagem 10 mm menor, rodas de 14 pol e pneus 185/60. À visão de seus quatro faróis redondos no retrovisor, era prudente dar passagem -- e rápido.

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No interior do GTI, o famoso -- e excelente -- volante com quatro botões de
buzina, sucesso também no Brasil. À direita um esportivo a diesel, o Golf GTD

Surgia também a opção de catalisador para reduzir as emissões poluentes. A potência caía para 107 cv, no oito-válvulas, e para 129 cv no 16-válvulas. Já no mês seguinte, um novo passo em tecnologia: o Golf Syncro, versão de tração integral por acoplamento viscoso, que permitia distribuir o torque entre os eixos conforme as condições de aderência. Assim como o sistema antitravamento de freios (ABS), também introduzido à época, era um recurso bem-vindo em países com neve e gelo como boa parte da Europa.

O cupê Scirocco também recebia a versão de 16 válvulas, com rodas de 14 pol e pára-choques na cor da carroceria. Sua oferta no mercado europeu perdurou até setembro de 1992, mas os norte-americanos o substituíram já em 1988 pelo Corrado: um novo cupê derivado do Golf II, também produzido pela Karmann e testado pela Volkswagen brasileira -- mas com fins de importação, infelizmente sem êxito.

Sucessor do Scirocco, o Corrado trazia o compressor volumétrico G60, responsável por levar o motor 1,8 de oito válvulas a 160 cv, com sensação de maior cilindrada

O Corrado -- nome derivado do verbo correr -- era atraente, com linhas robustas e esportivas. Guardava forte semelhança com o Passat de terceira geração lançado no mesmo ano, como as amplas lanternas traseiras. Um spoiler sobre o porta-malas erguia-se a certa velocidade para reduzir em 64% a sustentação traseira. O motor 1,8 podia vir com 16 válvulas (versão que passaria a 2,0 litros em 1992) ou com oito, neste caso acrescido do compressor volumétrico G60.

O compressor resultava em 160 cv de potência e sensação de cilindrada bem maior -- ao contrário dos turbos, gera ganho de potência mesmo em baixos regimes. Esse Corrado acelerava de 0 a 100 km/h em 7,5 s (1 s menos que o 16V) e vinha bem equipado, com computador de bordo, rodas de 15 pol e controle automático de velocidade. O motor do G60 foi aplicado também ao Golf Rallye, versão de tração integral que podia ser utilizada no Grupo A de rali e chegava a 220 km/h.
Continua

Em escala
O sucesso mundial da VW também fez e faz carreira no mundo das miniaturas. A Solido francesa fez a versão 3-portas da primeira geração, na cor verde, em escala 1/43 (foto). A mais atraente, no entanto, é a versão de corridas de turismo, preta com decalques dos patrocinadores BP (petrolífera britânica), pneus Kleber e fertilizantes SEM. Destacam-se rodas esportivas, luzes de direção e faróis bem detalhados.

O mesmo capricho foi empregado no Scirocco, também de corrida, com decalques e spoiler dianteiro. A Polistil também fez o cupê esportivo da VW na cor azul e na mesma escala. No catálogo da Matchbox de 1984 o Golf vinha na cor verde metálica, versão 5-portas, com duas pranchas de surfe no bagageiro.
por Francis Castaings

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