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Carros do Passado

Enquanto isso, a alemã BMW verificava uma queda nas vendas de motocicletas, sua especialidade desde antes da guerra, enquanto seus automóveis de luxo eram caros de projetar e, saindo em baixos volumes, demoravam a trazer retorno financeiro. Era preciso ter na linha um carro simples, popular, econômico para melhorar a situação financeira da marca.

O motor inicial, um Iso de 198 cm3, deu lugar a versões 250, 300 e 600 na produção pela BMW, melhorando o tímido desempenho do Isetta

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No mesmo ano, 1954, surgia a solução. Um telegrama colocou a BMW em contato com a Iso, que mais tarde concedia licença à marca bávara para produzir o Isetta na Alemanha. A BMW obteria tanto sucesso que muitos ainda pensam ser ela a criadora do carrinho, já que a maioria das unidades remanescentes é de sua fabricação. O motor Iso foi trocado por um BMW de um cilindro, 247 cm3 e quatro tempos, mais tarde substituído por versões de 298 e 600 cm3, este de dois cilindros.

O primeiro motor era uma versão despotenciada do R/27 de motocicleta, com 12 cv a 5.600 rpm de potência. Conciliava confiabilidade e, guardadas as proporções, bom desempenho: a velocidade máxima era de 85 km/h e acelerar de 0 a 60 km/h levava mais de um minuto. Por outro lado, o tanque de apenas 13 litros de gasolina demorava a chegar à reserva, indicada por uma luz-piloto no painel. A marca também efetuou mudanças de estilo no carro, como faróis mais elevados.

O interior era extremamente simples e trazia curiosidades como a alavanca de câmbio no lado esquerdo, talvez para evitar esbarrões e cotoveladas no passageiro à direita

Entre 1955 e 1962 a fábrica de motores da Bavária (de onde vem a sigla BMW, Bayerische Motören Werke) construiu mais de 160 mil unidades do Isetta, chegando a vender 5% desse total no mercado norte-americano -- fácil imaginar como o carrinho se deslocava em meio a imensos Lincolns e Cadillacs! Se nos Estados Unidos, onde a gasolina custava oito centavos de dólar o litro, não havia interesse em um carro tão econômico, na Europa o Isetta é considerado responsável por evitar a falência da BMW.

Outras empresas européias o fabricaram sob licença na França, Espanha, Inglaterra, Bélgica (onde existiu até uma versão picape; saiba mais). Na Áustria e na Suécia foi produzido com uma só roda traseira, como no protótipo, em função do valor reduzido das taxas de licenciamento para motos e triciclos, em oposição às altas taxas para automóveis. O Isetta também chegou à Argentina e ao Brasil -- e aqui começa a segunda parte desta curiosa história.

Várias marcas produziram o Isetta sob licença, como a Indústrias Romi no Brasil. Mas o carrinho não se enquadrava nas normas do GEIA, o que selou seu destino por aqui

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De fora do GEIA   Em Santa Bárbara d'Oeste, SP, 145 quilômetros ao norte da capital, uma empresa de nome Indústrias Romi fabricava máquinas operatrizes e agrícolas -- atividade mantida até hoje -- no início dos anos 50, e viu no Isetta uma oportunidade de popularizar o automóvel no Brasil. Havia aqui apenas carros importados, em sua maioria dos Estados Unidos, e começavam a ser montados modelos como o Volkswagen Sedan, ainda com baixo índice de nacionalização. Continua

Tamanho família

O Isetta existiu também em uma versão mais ampla, de duas portas (uma frontal e uma lateral) e quatro lugares, que na Europa se chamava BMW-Isetta 600 e foi produzido na Argentina como De Carlo 600. Trazia transmissão convencional por árvore em vez de corrente, com diferencial, e câmbio de quatro marchas, havendo opção pela embreagem automática Saxomat.

A porta lateral não foi prevista no projeto, sendo acrescentada na fase final por questões de segurança (saída ou resgate em acidentes). O 600 media 2,90 m de comprimento, 1,40 m de largura e 1,70 m de distância entre eixos; pesava 515 kg. Com motor de 582 cm3 e potência de 19,5 cv a 4.000 rpm, chegava a 100 km/h e trazia suspensão própria. De 1957 a 1959 a BMW produziu 34.318 unidades do modelo, que poderia ter sido a salvação da linha no Brasil.

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