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Carros do Passado

O Romi-Isetta foi, sem dúvida, um carro à frente de seu tempo. Naquela época as maiores cidades brasileiras ainda não passavam de três milhões de habitantes, os automóveis eram relativamente poucos, o trânsito tranqüilo se comparado ao de hoje e não faltava lugar para estacionar. Economia de combustível não era preocupação diante do baixo preço da gasolina.

Era econômico e fácil de estacionar, ideal para os grandes centros. Se lançado algumas décadas depois, talvez recebesse incentivos e fosse um sucesso no Brasil

Talvez por esses fatores o governo não tenha se interessado em viabilizar a fabricação desse carrinho, que hoje desperta tanta curiosidade em encontros de veículos antigos.

Diaseta, uma nova tentativa
Duas décadas depois de seu fim, em 1980, o empresário do ramo de autopeças Humberto Dias, de São Bernardo do Campo, SP, apresentou na Exposição da Pequena e Média Indústria, realizada na capital paulista durante a Brasil Export 80, o protótipo de um novo Isetta. Denominado Diaseta, fusão de seu sobrenome com a marca original, era um Romi-Isetta de motor BMW com algumas alterações, como pára-choques inteiriços, faróis e luzes de direção integrados ao dianteiro e duas tomadas de ar laterais.

As lanternas traseiras eram emprestadas do Gol, incluindo luzes de ré ausentes do modelo antigo, e foi eliminado o teto solar -- mas havia intenção de reintroduzi-lo para, imagine, aumentar a segurança em caso de colisões... O pára-choque maior implicou a redução da base da porta única e no painel foram adotados instrumentos do Fiat 147. Dias pretendia fabricar o motor a partir do projeto original da BMW, o que demonstrava desconhecimento das dificuldades envolvidas.

Apesar do momento mais propício a minicarros -- vários outros foram apresentados na mesma época, como Alcar, Dacon 828, Economini, Fibron 274, Mignone, Gurgel Xef --, o projeto fracassou e o Isetta permaneceu apenas na memória dos saudosistas.
Vários países tiveram versões próprias do Isetta, como este da espanhola Velam: vidro traseiro envolvente como o do Romi, faróis pequenos, pára-choque largo. Houve até versões de três rodas em alguns mercados
Ficha técnica
Romi-Isetta BMW 300 1959
MOTOR - traseiro, transversal; um cilindro; comando no bloco, 2 válvulas; refrigeração a ar. Cilindrada: 298 cm3. Taxa de compressão: 7:1. Carburador Bing. Potência máxima: 13 cv a 5.800 rpm. Torque máximo: 1,9 m.kgf a 4.200 rpm.
CÂMBIO - manual, 4 marchas; tração traseira.
SUSPENSÃO - dianteira, independente; traseira, molas semi-elíticas.
FREIOS - a tambor.
RODAS - 10 pol; pneus, 4,50 x 10.
DIMENSÕES - comprimento, 2,25 m; largura, 1,34 m; altura, 1,32 m; entreeixos, 1,50 m; capacidade do tanque, 13 l; peso, 360 kg.
DESEMPENHO - velocidade máxima, cerca de 90 km/h; aceleração de 0 a 60 km/h, 60 s.

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