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Carros do Passado

A reformulação estética em toda a linha afetava apenas a frente e a traseira, como todas as que lhe seriam impostas até o final. O capô passava a abrir para a frente por razão de segurança, pois no evento de uma abertura involuntária em movimento a força do ar o manteria fechado. Os faróis circulares traziam as luzes de direção ao lado e a grade tinha quatro motivos retangulares. Atrás, em vez das pequenas lanternas retangulares, havia quatro redondas, as internas com a luz de ré integrada. A mudança tinha o mérito de não gerar dissonância com a seção central remanescente, o que nunca mais se repetiria.

A Caravan demorou tanto que chegou já com o novo estilo, trazendo os dois conhecidos motores e amplo espaço para a bagagem da família

O Comodoro, por sua vez, diferenciava-se pelo acabamento superior, com teto revestido em vinil, apliques de jacarandá no painel, rádio e relógio, além da oferta de direção assistida e pneus mais largos (diagonais 7,35-14 em vez de 6,95-14). A versão de entrada voltada a ser apenas Opala, não mais Especial, enquanto o SS recebia bancos individuais com encosto ajustável e apoio de cabeça.

Já o SS-6 perdia identidade pelo revestimento interno mais simples e a eliminação de alguns itens, como o relógio. O motor de 4,1 litros de toda a linha ganhava 8 cv (agora 148 cv brutos), com um carburador de corpo duplo, e passava a ter sistema de arrefecimento selado.

A perua Opala logo conquistou admiradores por seu conforto, bom desempenho e tração traseira, mas seria bem mais conveniente se viesse com cinco portas

Na suspensão dianteira, uma importante modificação era aportada, sem alarde. Uma nova manga de eixo, mais robusta, acabava com um problema que se manifestava sobretudo em corridas: a flexão da ponta de eixo em relação à manga nas curvas, que resultava no afastamento das pastilhas do disco. Os pilotos precisavam acionar levemente o freio nas retas para encostar as pastilhas no disco -- era comum ver-se Opala acendendo luzes de freio em plena reta.

Na linha 1976 era adotada taxa de compressão ligeiramente mais alta nos motores (de 7:1 para 7,5:1) e o 151-S passava a ser disponível em toda a linha, não mais restrito ao SS-4. O acabamento interno era monocromático, preto ou marrom, e havia opção de bancos individuais reclináveis, com ou sem encosto alto. No Comodoro cupê aparecia o teto "tipo Las Vegas", com a parte posterior revestida em vinil, e o câmbio automático com alavanca no console.
Continua

Bancos reclináveis de encosto alto, acabamento monocromático, câmbio automático no console: novidades da linha 1976
Nas telas
No filme Prova de Vida, com Meg Ryan e Russell Crowe, um Opala aparece no início, filmado em Quito, no Equador. Sua "atuação" termina com uma explosão, para desespero dos fãs. No recente Carandiru, toca-se fogo em outro para assaltar um carro-forte. A mesma triste atuação do Opala é quase semanal no programa Linha Direta da TV Globo.

Em 1976 era lançado o livro Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, por José Louzeiro. Conta a vida do bandido que se tornou famoso no Brasil inteiro. Num depoimento, pouco antes de morrer, o protagonista cita sua preferência pelo Opala, carro com boa aceleração e veloz, ideal para as fugas. Já em 1977 o livro virava filme, dirigido por Hector Babenco, tendo como ator principal Reginaldo Farias. Em 1988 era lançado em VHS.

Na novela A Próxima Vítima (TV Globo, 1995), um Comodoro 1980 cupê, preto,
era o carro do assassino (na versão original, Adalberto, e na reprise, Ulisses), destruído em um dos últimos capítulos. A partir do número do chassi do Opala o detetive Olavo descobre o assassino.

Em Mulheres de Areia, também da Globo, a personagem Raquel dirige uma Caravan quando é interceptada por um Monza de um desafeto na trama. No final ela é jogada (a emissora usou um modelo mais velho do carro) em um despenhadeiro, morrendo em uma grande explosão.

O Opala também aparece em Pátria Minha: o Comodoro de Raul tem o sistema de freio sabotado e sofre um acidente. Percebe-se que outro carro é usado nessa cena, pois enquanto o "original" possuía as rodas de série, o acidentado tinha calotas...

A novela Marissol, do SBT, no ano passado alocou uma boa frota do Clube do Opala de São Paulo: uma Caravan SS 1980, um Diplomata 1983 e outro 1990. Numa tarde de filmagem, Silvio Santos parou ao lado dos carros e ficou se lembrando de diversas passagens com o Opala. Acredite se quiser.
Por Ricardo Dias Sacco, Francis Castaings e Thiago Mariz; colaborou Danilo de A. Rodrigues

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