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Carros do Passado

Uma nova grade frontal era adotada em 1950. A proposta da perua, porém, permanecia a de um espartano utilitário e não mudaria com a absorção da Willys pela Kaiser-Frazer Corporation, em 1953. Apenas detalhes de acabamento e pintura em dois tons ("saia-e-blusa") seriam introduzidos de início.

O modelo 1958, um dos primeiros montados no Brasil, ainda usava componentes importados. O motor era de 2,6 litros e modestos 90 cv brutos

A nova fase trouxe algumas evoluções, como o motor Hurricane (furacão) de seis cilindros e 115 cv brutos, em 1954, que equipava há sete anos os automóveis da Kaiser. Versões para fins específicos passaram a ser oferecidas, como uma de seis portas, entreeixos longo e três fileiras de bancos, para serviços de hotéis e aeroportos. Em 1960 o pára-brisa vinha em uma única peça e, dois anos após, tanto a Station Wagon quanto o furgão Sedan Delivery eram descontinuados.

Versão brasileira   A versatilidade e a robustez da Jeep Station Wagon chamavam a atenção da Willys-Overland do Brasil S.A., fundada em São Bernardo do Campo, SP em 26 de abril de 1952. A empresa montava desde 1954 o Jeep Universal (já com capô alto, devido ao motor com cabeçote em "F") e oferecer uma perua dele derivada, mantendo suas qualidades de resistência, seria ideal para um país com vias de tráfego tão precárias quanto o nosso. Continua

O Pickup Jeep, que aqui teve a mesma frente da Rural, reunia tração 4x4, reduzida e
roda-livre. E foi por muito tempo uma opção isolada em preço nesse mercado
Cachorro louco
Tradicional na produção de caminhões leves, a Willys lançava nos EUA já em 1946 uma versão com caçamba do Jeep, o Pickup Willys. Da aparência frontal à distância entre eixos, passando pela mecânica, era muito similar à Station Wagon, podendo transportar 500 kg de carga. No ano seguinte aparecia uma versão de entreeixos longo, apta a uma tonelada.

No Brasil, onde se chamava Pickup Jeep, foi lançado em 1961 com tração 4x2 e um ano depois com 4x4, já com a frente mais agressiva (foto) adotada na Rural brasileira. Desta utilizava também a mecânica, embora alguns picapes tenham utilizado motor diesel, ainda nos anos 60. Versatilidade não faltava com as versões ambulância, bombeiro e carro-forte, todas originais de fábrica.
Foi por muito tempo o único picape nacional a reunir tração 4x4, reduzida e roda-livre -- e o mais barato deles. Rebatizado F-75 em 1972, deixou de ser produzido apenas 10 anos depois, quando usava o motor 2,3 do Maverick e tinha até mesmo opção a álcool. Seus admiradores recusaram-se a trocá-lo por outros modelos mesmo vários anos após o encerramento da produção.

A versão militar F-85 (ao lado), criada em 1962, substituiu picapes Dodge da Segunda Guerra Mundial e foi muito utilizada pelo Exército, Marinha e Fuzileiros Navais, além de exportada para Portugal. Recebia pára-choques reforçados, grades protetoras nos faróis, guincho mecânico, gancho para reboque na traseira e pára-brisa rebatível. Uma capota de lona eliminava o teto e não havia portas. Para transporte de pessoal podia chegar a 10 lugares. Alguns foram equipados com metralhadoras, outros com canhões. E ganharam um curioso apelido: "Cachorro Louco".

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