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Carros do Passado

Em julho de 1956 a Rural começava a ser montada aqui, com peças importadas e o mesmo desenho do modelo americano. A pintura "saia-e-blusa" (verde e branca, vermelha e branca ou azul e branca) dava um toque de charme a um utilitário rústico, com suspensões dianteira e traseira de eixo rígido com molas semi-elíticas, câmbio de três marchas com redução e tração 4x4. O motor a gasolina, de seis cilindros em linha e 2,6 litros, entregava modestos 90 cv brutos. 

Em vez da frente acanhada do modelo americano, um desenho mais
elegante foi desenvolvido para a Rural brasileira, vista aqui no modelo 1964

Três anos depois era adotado um motor nacional, fabricado em Taubaté, SP. Em 1960, aproveitando a oportunidade da nacionalização completa dos componentes, a Willys redesenhava sua frente para adotar um estilo próprio, exclusivo para o Brasil. Larga e agressiva, há quem diga que ela se parece com a estrutura frontal do Palácio da Alvorada, em Brasília, se vista invertida. Vinham também o pára-brisa e o vidro traseiro inteiriços, como no modelo americano.

O sucesso da Rural não demorou a vir, tornando-se um veículo muito desejado. O mercado nacional era escasso de opções, havendo apenas a Volkswagen Kombi com capacidade de transportar uma grande família, ou um grupo de trabalho, por terrenos acidentados. Tornou-se comum ver a perua da Willys em frotas de serviços e também no uso urbano. Em 1961 era introduzido o Pickup Willys (saiba mais).

A publicidade tentava a todo custo passar uma imagem de lazer, mas o caráter utilitário e desbravador da Rural era seu maior argumento de vendas

O uso familiar, longe dos atoleiros, tornava-se mais freqüente com o lançamento, em 1964, da versão 4x2: tinha a alavanca de câmbio na coluna de direção e suspensão dianteira independente, com molas helicoidais, para um rodar mais confortável e melhor estabilidade. "Curva fechada não existe para ela", dizia a publicidade.

Outros aprimoramentos vinham de tempos em tempos. Em 1965 ganhava limpador de pára-brisa elétrico (não mais a vácuo), outra grade na versão 4x2 e câmbio de três marchas com a primeira sincronizada -- uma vantagem nos subidões, por não ser preciso habilidade para engatá-la quando a segunda não dava conta do recado. Um ano depois, alternador no lugar do dínamo, carburador recalibrado para menor consumo e roda-livre para a 4x4. Novo painel de instrumentos, trava de direção, nova grade e câmbio de quatro marchas sincronizadas vinham em 1967.
Continua

O Jeepster e o Saci
Dentro da proposta de expandir a linha Jeep, a Willys colocava no mercado americano em abril de 1948 o Jeepster, modelo de perfil esportivo e voltado ao lazer. As linhas básicas do Jeep tornavam-se mais atraentes com a baixa altura de rodagem, a frente emprestada da Station Wagon e a traseira de formas mais refinadas, com os pára-lamas do picape.

Trazia ainda pneus de faixa branca, calotas e o estepe montado na parte posterior, em posição inclinada. Mas, com apenas 63 e 72 cv brutos, de acordo com o motor de quatro ou seis cilindros, e tração somente traseira, não agradou: apenas 19 mil unidades foram vendidas em quase três anos.
A idéia foi recuperada em 1962 pela marca no Brasil, tendo como principais diferenças a maior distância entre eixos e a frente da Rural. Denominado Saci, o "jipe esportivo" (ao lado) foi apresentado no Salão do Automóvel daquele ano, mas nunca passou da fase de protótipo.

Em 1998 a Chrysler, detentora da marca Jeep, apresentou um carro-conceito com o mesmo nome e proposta do Jeepster original (saiba mais), que também não chegou ao mercado.

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