O interior do Santana era amplo, muito bem-acabado (em especial o CD) e confortável para cinco pessoas, com cintos de três pontos -- primazia no Brasil -- e encostos de cabeça também para dois ocupantes do banco traseiro, apoio de braço central, ajuste de altura do banco do motorista e controle elétrico dos vidros, porta-malas e bocal do tanque, além de antena elétrica. A trava central das portas era eletropneumática de início, passando a ser elétrica anos depois.

Apesar do motor 1,8 e do câmbio de cinco marchas -- novidades na linha VW --, havia críticas ao desempenho. A culpa estava nas bielas inadequadas, mas a marca optou por também encurtar a transmissão, o que não era necessário

No painel, LEDs (diodos emissores de luz, de longa durabilidade) substituíam as tradicionais lâmpadas-piloto e havia uma luz indicativa para mudança ascendente de marcha, conjugada com um indicador de consumo instantâneo em quinta. Só que a luz era "burra", no sentido de não distinguir uma condução com mais entusiasmo de outra visando a economia, ao contrário da luz "inteligente" adotada pela GM de 1992 a 1996 -- e suprimida devido a reclamações de clientes de que a luzinha incomodava...

Bielas curtas, câmbio longo   Todo Santana trazia o mesmo motor, um novo 1,8-litro, com carburador de corpo duplo e potência de 92,4 cv (álcool). Também novidade na VW era o câmbio de cinco marchas, com a última bem longa (efeito sobremarcha) para reduzir consumo e ruído em estrada. Nas versões CS e CG, porém, o câmbio de série era de quatro marchas, que compartilhava as relações de primeira à quarta marcha com o de cinco. O desempenho era adequado, com aceleração de 0 a 100 km/h em 11,9 s, mas havia um problema: o nível de aspereza do motor em alta rotação, que destoava de sua imagem refinada.

Mesmo na versão básica, CS, um carro amplo e dos mais confortáveis do mercado, forte concorrente para o Monza

O problema estava nas bielas mais curtas que no projeto original alemão (136 mm em vez de 144 mm), resultando em relação r/l desfavorável. A falha seria corrigida apenas no modelo 1986 com o motor AP, em que as bielas passavam à medida correta. Ao mesmo tempo a VW decidia encurtar as marchas à exceção da primeira -- a quinta, por exemplo, passava de 0,68:1 para 0,80:1, tornando-se "real" e não de economia.

O ganho em agilidade mascarou o erro das bielas e acabou com as reclamações de fraco desempenho (no mercado o Santana chegou a ser apelidado de "Maria Mole"), às custas de maior consumo e ruído em velocidades típicas de viagem. O carro de Bob, já com o novo motor mas mantido intencionalmente o câmbio longo anterior, comprovava, segundo ele, que esta combinação teria sido a melhor escolha.

Belo estilo, bagageiro com barras removíveis, amplo porta-malas com cobertura sanfonada e quatro portas: chegava em 1985 a perua Santana Quantum

O motor reformulado proporcionava desempenho impecável com a transmissão longa. Bob, inclusive, providenciou solução ainda mais extrema quando seu Santana  recebeu um motor 2,0-litros em fase experimental: um 3+E (de primeira à quarta, 3,45, 1,70, 1,06 e 0,77) com a quinta fabricada especialmente, de relação 0,64:1.

Em agosto de 1985 era introduzida a Santana Quantum (mais tarde apenas Quantum), a mesma Passat Variant dos europeus, com o atrativo de só existir com quatro portas -- conveniência que, à parte a enorme Veraneio, não se via em uma perua nacional desde a Simca Jangada dos anos 60. Seu nome significava quantidade, volume em latim e era o mesmo do Santana no mercado americano (saiba mais). Continua

Os especiais - I
Os Passats de segunda geração foram bastante modificados mundo afora. Não faltaram adaptações ousadas, como uma Variant com motor VR6 (o V6 de ângulo estreito entre os cilindros e 2,8 litros, lançado na geração posterior) e turbocompressor preparada pela empresa alemã RS Tuning. A preparação rendeu nada menos que 442 cv de potência, transferidos ao sistema de tração integral Syncro. Acelerava de 0 a 250 metros em pouco mais de 8 s. No Brasil, em 1988, o ex-piloto de competição e fabricante de carros especiais Antonio Carlos Avallone lançava uma versão limusine da Quantum (foto), com 84 cm adicionais e oito lugares. Trazia vidros escurecidos, televisor, telefone e banco adicional para três pessoas. Várias adaptações podiam ser feitas a gosto do cliente, incluindo uma divisão de vidro escuro entre passageiros e motorista e espelhos para maquiagem, para as executivas.

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