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Carros do Passado

Nada substitui
as polegadas cúbicas

O lema de Carroll Shelby foi aplicado com sucesso
ao Mustang, criando os poderosos GT 350 e 500

Texto: Rodrigo Fonseca - Edição: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

O carro sempre foi uma estrela de cinema, estando presente em várias produções de Hollywood. Desde o Batmóvel até o Aston Martin DB5 de 007, passando pelo Ferrari dirigido por Al Pacino em Perfume de Mulher, o automóvel sempre fez sucesso na tela (saiba mais). E o Ford Mustang é um dos campeões de bilheteria, figurando em mais de um filme.

Recentemente, no filme 60 Segundos (Gone in 60 Seconds), o personagem Memphis Raines, vivido por Nicolas Cage, tem a missão de roubar 50 carros. No topo da lista está um Mustang Shelby GT 500 1967, batizado de Eleanor.

Depois de criar galinhas e pilotar em competição, Carroll Shelby encontrou sua vocação: desenvolver supercarros como o Cobra (ao fundo) e o Mustang GT 350, em primeiro plano

Este Mustang é considerado um dos maiores clássicos americanos. Não apenas por sua limitada produção -- pouco mais de 2.000 unidades --, mas também por estar ligado a uma das maiores personalidades da história recente do automóvel: Carroll Shelby. Para entender esse carro é necessário entender um pouco mais de seu "pai". Shelby, um texano nascido em 1923, colocou seu nome na galeria da fama do automóvel através de uma bem-sucedida carreira nas pistas e como criador de poderosos bólidos.

Ao voltar da Segunda Guerra Mundial, Shelby entrou no mundo dos negócios dirigindo um pequena frota de caminhões de lixo. Após um teste de aptidão que revelou que ele deveria criar animais, começou um criação de galinhas. Sua empreitada terminou logo, quando seus animais contraíram a doença de Newcastle e morreram todos. Shelby começou a correr pouco depois, a bordo de um Ford 1932, mais tarde passando a um MG TC. O mundo das corridas estava ressurgindo após a guerra e ele estava no lugar certo.

Partindo do pacato AC Ace inglês, Shelby criou um dos esportivos mais famosos e desejados de todos os tempos, um verdadeiro tirador de rachas: o Cobra

Com seu sucesso nas pistas, fez fama nos Estados Unidos e começou a receber ofertas para pilotar carros-esporte de milionários americanos. Embora estivesse vencendo tudo o que podia, não conseguia pagar suas contas. Apesar do reconhecimento -- foi considerado o Piloto do Ano pela revista Sports Illustrated em 1956 e 1957 --, as corridas nos EUA eram estritamente amadoras e ele não ganhava muito dinheiro. Foi então que decidiu ir para a Europa.

No Velho Continente pilotou para a Aston Martin com a qual, junto de Roy Salvadori, venceu a 24 Horas de Le Mans em 1959. Retornou aos EUA em 1960 e ainda estava vencendo tudo o que podia quando um problema de coração o afastou das pistas.

Apesar de envolvido com outros empreendimentos, a paixão de Shelby era mesmo os carros -- e em 1961 surgiu a oportunidade de voltar ao mundo do automóvel. Quando a pequena fábrica inglesa AC Cars perdeu seu fornecedor de motores (um 2,0 de seis cilindros), a Bristol, Shelby vislumbrou a chance de fazer seu próprio esportivo. Impressionado com a dirigibilidade e estabilidade do pequeno carro inglês, anteriormente chamado de Ace, sugeriu equipá-lo com um V8 americano.

Em 1965, o primeiro Mustang de Shelby: o GT 350, sem banco traseiro ou itens de conforto, mas capaz de rivalizar em desempenho com grandes esportivos da época

Nessa época, a Ford havia desenvolvido novos motores e ainda não tinha onde usá-los. Shelby então equipou os carros com os Fords de 260 e 289 polegadas cúbicas (4,2 e 4,7 litros, na ordem). Nascia assim o Cobra (leia história). O resultado foi excelente: o carro se tornou o mais rápido da época e, em 1965, a equipe de Shelby venceu o Mundial de GT da FIA, sendo a única empresa americana a conseguir tal feito durante décadas.

Não satisfeito, Shelby resolveu aumentar ainda mais a potência do carro e espremeu um imenso Ford V8 de 427 pol3 (7,0 litros) no Cobra. O carro gerava 425 cv brutos a 6.000 rpm e ficou logo conhecido por sua potência. Em 1967, dirigido pelo jornalista britânico John Bolster, registrou velocidade máxima de 265 km/h e aceleração de 0 a 96 km/h em apenas 4,2 segundos. Um fenômeno.
Continua

Nas telas

Nicolas Cage em 60 Segundos

Além de 60 Segundos (saiba mais), o Mustang é astro em Bullit, em que Steve McQueen acelera seu GT pelas ruas de San Francisco. A Ford lançou recentemente a série especial Bullit do modelo para relembrar o filme. Em Um Homem, Uma Mulher, de 1966, Jean-Louis Trintignant encantava os espectadores com um Mustang de rali.

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