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É tarefa das mais difíceis escolher as
palavras certas para estrear uma coluna. Sobretudo em um meio como a
internet, que, a despeito de ser novo, já apanhou o bastante para
saber que a competição é tremenda. Nesse ponto, o setor
automobilístico tem muito o que ensinar. Particularmente no Brasil,
que teve seu mercado aberto há pouco mais de uma década e,
cabalisticamente, conta com pouco mais de uma dezena de marcas
fabricando automóveis em território nacional.
Optei, nesta primeira coluna, que nasce no primeiro dia do segundo
semestre de um ano difícil para o mercado automobilístico, por
apresentar o que está por vir. Longe de ter a experiência do já amigo
e agora colega Bob Sharp, não tenho a pretensão de batucar o teclado e
escrever o que vem à cabeça (mesmo porque, rato de redação, acho que a
memória poderia me trair). Autogiro será uma coluna de repórter fuçador — aquele que bate perna de bloquinho na mão em busca de uma
boa história e é jornalista 24 horas por dia.
Ou seja, já vou avisando: não coleciono revista especializada desde
criança. Tampouco cresci sujo de graxa, em uma oficina. Nem sempre
tenho arrepios ao ouvir o ronco de um superesportivo. Fui escolhido
pelo meio automobilístico, não fui eu quem o escolheu. Mas, jornalista
profissional (amador desde os 11 anos), acabei me envolvendo com todos
os assuntos que cobri na grande imprensa — política, economia,
educação, recursos humanos, cultura e, por que não, automóveis! Sei lá
se o fato de ser filho de engenheiro tem a ver...
Só sei — e faço questão de lembrar — que hoje também faz exatos dez
anos que assinei meu primeiro contrato de trabalho. O mesmo que me
permitiu conhecer tantas pessoas. Entre elas, esse aficionado por
carros, o abnegado editor do BCWS, Fabrício Samahá, que já me
dava a honra de ser seu amigo e agora me dá a de fazer parte deste
time.
Não é a primeira vez que “trabalhamos” juntos. Já perseguimos um Focus
disfarçado em uma estrada de Taubaté, interior de São Paulo, antes de
o médio da Ford chegar ao mercado brasileiro. E, a meu pedido, Fabrício já emprestou
seus conhecimentos à Folha de S.Paulo no período em que editei
o caderno Veículos, em suplementos especiais.
Quebramos muito a cabeça para escolher o nome da coluna. Achamos
Autogiro uma ótima opção. “Parece metralhadora giratória”, brincou
meu novo editor, insinuando que eu deveria acioná-la. Pensei que
poderia lembrar demais a coluna Alta Roda, do renomado Fernando
Calmon, cujo formato é completamente diferente.
Mas batemos o pé — e o martelo: Autogiro é fácil de guardar,
sugere ação, jovialidade, como tem de ser... E, como coluna de
repórter, bem como as dos meus ex-colegas de grande imprensa Elio
Gaspari e Mônica Bergamo, não poderia deixar de ter entrevistas.
Por fim, a primeira edição chega para, didaticamente, dizer o que se
deve esperar desta página, que se propõe a ser semanal. O espaço será
dividido em subseções além deste “abre”:
Entrevistas: até duas por semana, com personalidades do meio
automobilístico ou não. Podem não ser famosos — importante é ter o que
falar sobre carros. Estamos muito bem de estréia: o polêmico
vice-presidente (e porta-voz) da General Motors do Brasil,
José
Carlos Pinheiro Neto, e o professor de português
Pasquale Cipro Neto,
que dispensa apresentações.
Roda e avisa: notas com notícias do setor, de preferência superexclusivas.
Shopping: também notas, com o livro, o acessório, a roda, enfim, a
engenhoca da vez que estiver sendo colocada no mercado, preço e
serviço. Pode contemplar superendinheirados (veja nota sobre a
Maserati).
Zoom: meio inspirada na frase: “Puxa, eu nunca havia notado que meu
carro tinha isso”. Detalhes pouco percebidos de modelos que estão pelas
ruas.
Cronicar: pequena história quando este colunista se deparar com fatos
pitorescos relacionados a automóveis. O que não é difícil...
Claro que sugestões serão sempre bem-vindas.
Por fim, vem a pergunta: por que publicar
a coluna no BCWS?
Primeiro, porque é um desafio escrever para um público tão
específico após ter vindo de um grande jornal, cujos leitores nem
sempre (aliás, quase nunca) têm conhecimento aprofundado do tema.
Mas também em razão da alta
respeitabilidade do site, que se traduz em uma audiência qualificada
e numerosa.
São cerca de 3 milhões de page-views (consultas às
páginas) por mês, englobando todo o conteúdo. A página principal tem
em torno de 200 mil acessos mensais. Só o boletim é enviado por e-mail
para cerca de 5.000 cadastrados, e na última Eleição dos Melhores
Carros foram registrados 46 mil votos. É preciso dizer mais?
Continua |

Isso é que é carrão -
O picape Ford F-250 ganha, neste segundo semestre, uma
versão de cabine dupla. Será o maior carro de passeio — não é
assim que esse tipo de veículo é usado? — do mercado. Fabricado
em São Bernardo do Campo (SP), deve ter preços a partir de R$ 70
mil.
Fogo e direção 1 - Sim, o extintor de incêndio ainda é
item obrigatório, apesar de os carros mais novos contarem com
dispositivos que cortam o combustível em caso de impacto, para
evitar o fogo. O que espanta é um número divulgado pelos
bombeiros paulistas: em 2002, 2.642 automóveis pegaram fogo —
média de 7 por dia.
Fogo e direção 2 - Na capital paulista, o motorista desavisado que segue pela
marginal Pinheiros em direção ao Detran (Departamento Estadual
de Trânsito), para lacração ou vistoria, é “conduzido” pela má
sinalização a uma entrada do parque Villa Lobos onde fica um
vendedor de extintores. “O sr. vai fazer vistoria? Eles olham
cinto de segurança e se o extintor está vencido. Não quer
comprar um?”, pergunta o esperto ambulante. Detalhe: o autor
estava a bordo de um Ford Fiesta quase zero. Por conta disso, o
vistoriador “verdadeiro” nem se lembrou do extintor.
Baby, you can drive my car... - No último mês, uma
promoção embalou os corações de uma beatlemaníaca. Quem
comprasse o ingresso de número 2 milhões da turnê Back to the
World, de Paul McCartney, ganhava, das mãos do ídolo, um New
Beetle Cabriolet (que pode ser visto em São Paulo, na Volkswagen
Haus, na avenida Cidade Jardim). Estudante de Liverpool, Laura
Andrew, 19, recebeu do ex-beatle um Beetle laranja-pôr-do-sol. |
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Deixa chover - Ponto
para a Peugeot por ter lançado, no 206 Techno, itens como sensor
de chuva e faróis com acendimento automático. São equipamentos
pouco comuns até em modelos mais sofisticados. A versão chega
com motores 1,0-litro de 70 cv e 1,6-litro de 110 cv. Custa a
partir de R$ 27.700 (1,0) e R$ 31.650 (1,6).
Som, um, dois, três... - A Siemens VDO acaba de colocar
no mercado os toca-CDs 2703 e 2803, cuja principal novidade é a
reprodução de MP3. Seu preço sugerido é de R$ 950. Também da
marca há o kit viva-voz para celular (R$ 200), que permite
conexão entre o aparelho de som e o telefone. O equipamento
transmite a conversa pelos alto-falantes do carro e diminui o
volume do rádio.
Competição à italiana - No próximo ano será inaugurada
uma nova categoria de automobilismo, a Maserati Trofeo, que vai
reunir 25 gentleman drivers (precisa traduzir?). A ser
disputada no próximo ano, em até dez circuitos brasileiros (na
Europa, 26 carros preparados correm a temporada 2003, em sete
etapas), deve atrair muita gente que gosta de adrenalina e tem
dinheiro para gastar. Com direito a um kit de manutenção, custa
US$ 150 mil (R$ 428 mil).
Tan tan tan... - Se passou despercebido, ainda vale a
dica: ainda é possível comprar o CD Um Tributo a Ayrton Senna,
que traz canções de Queen (I Want it All), Phil Collins (In
the Air Tonight), Chris Rea (Nothing to Fear), além
do indefectível Tema da Vitória, de Roger Henri. Há ainda
trechos raros de entrevistas do piloto. Lançado pela Sony Music,
custa R$ 29 e pode ser adquirido on-line pelo www.senna-cd.com. |
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