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Há quase 30 anos, o ritual se repete
todos os meses. Assim como as mais melosas histórias de amor, uma
carta é escrita. Em vez de ser colocada em uma garrafa, marca-se uma
reunião e ela é divulgada. A da última sexta-feira, 4, tinha um quê de
melancolia — era anunciado, afinal, o pior junho dos últimos dez
anos para a indústria.
Esta coluna tem a oportunidade de partilhar com os leitores a "Carta
da Anfavea", publicação da
Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, disponível,
graças à internet, não só para os jornalistas, mas também para os
seres humanos normais.
Quem se habitou às ciências humanas precisa de certa paciência para
destrinchar as tabelas internas. Começam com a produção de automóveis.
A deste mês revela que junho foi o mês em que se menos produziu
veículos leves (carros de passeio e comerciais leves) no ano — 141,5
mil unidades. Em relação aos seis primeiros meses de 2002, o último
semestre registrou crescimento de 2,5% — passou de 826.606 para
847.123 unidades.
Depois a carta dá conta dos licenciamentos — melhor termômetro para
avaliar vendas internas. Antes isso era aferido pelas vendas no
atacado (como é chamada a transação entre fábricas e concessionárias).
Aí houve uma quedinha (5,5%) — de 605.058 para 571.801 — entre os
nacionais e um tombo (37,6%) — 60.142 para 37.544 — se levados em conta
os importados. Foi a segunda menor participação dos importados no
licenciamento dos últimos 18 meses (4,9%), perdendo (ou será
ganhando?) apenas para o mês anterior, maio (4,7%).
Por fim, passa pelas vendas internas de automóveis leves a álcool —
que em breve deverá contemplar também os de combustível flexível —,
exportações — recorde nos últimos 30 meses, com 50,5 mil unidades — e
nível de emprego — queda de 1,6% em relação ao mesmo mês de 2002.
Detalhada, a carta não se esquece de caminhões, ônibus e máquinas
agrícolas.
Sua página mais polêmica (e emocionante, se é que se pode dizê-lo)
registra o licenciamento de carros por empresa. O primeiro semestre
fechou assim: Fiat em primeiro, com 151.946, seguida de perto pela
General Motors (151.001) e Volkswagen em terceiro (134.903). Depois
vêm Ford (65.392) e Renault (26.507).
E um dos pontos mais interessantes faz uma radiografia do mercado com
e sem a alíquota intermediária de IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados), de 15% para automóveis entre 1,0 e 2,0 litros.
Esses carros tiveram aumento de 36,5% nas vendas (de 149.547 para
204.122), enquanto os modelos "mil" caíram 26,3% (de 426.807 para
314.737).
O dado mostra o quão forçado era o mercado dos automóveis (com aspas
triplas) "populares". Quando estimulado, o consumidor responde — no
caso, comprando modelos de maior cilindrada. E justifica um pouco o
título desta coluna, se é que algum leitor ainda tinha dúvidas sobre seu
porquê.
Esta coluna ainda aguarda contato da assessoria do
deputado federal
Inocêncio Oliveira, que reiterou à revista Mercado Automotivo
sua intenção de aprovar uma lei obrigando os fabricantes a produzir
seus modelos por um período mínimo de dez anos para evitar "grandes
dificuldades e prejuízos ao comprador".
Mas, antes de falar com o parlamentar, façamos um exercício de ficção.
Se essa lei já vigorasse há dez anos, hoje estariam vencendo os
"prazos de validade" dos seguintes modelos (todos lançados em 1993):
Volkswagen Fusca (aquele relançado a pedido do então presidente, Itamar),
Logus, Chevrolet Suprema e Vectra (o antigo), Ford Escort Hobby e
Verona. Além disso, o Volkswagen Pointer teria de ser produzido até o
próximo ano.
Dez anos atrás não havia carro nacional com bolsa inflável, nem como
incorporá-la aos modelos já existentes. O projeto de lei depende de muitos
esclarecimentos. À revista, o deputado simplifica: "Ficando com o
mesmo nome, não há perigo de faltar peças". De acordo com ele, "o
veículo mais antigo pode ser adaptado, tornando-se mais atualizado".
Cartas para esta coluna!
Na entrevista "especializada" desta semana, o presidente da Anfavea, Ricardo
Carvalho, comenta a proposta do deputado, a crise na indústria e
fala mais sobre a associação. Também em entrevista a Autogiro,
de Brasília, o jornalista Alexandre Garcia
critica o câmbio manual.
Em tempo: não foi só a Edwiges (ela mesmo, noveleiros de plantão!) que não estreou
na última semana — as subseções desta
coluna também não. Nas próximas semanas, conheça melhor o novo Ford
Fiesta na Zoom e leia a primeira Cronicar (quando a
história da vida de uma pessoa e a de um automóvel se confundem).
Continua
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O primeiro test-drive
- Esta coluna dirigiu, em primeira mão, na concessionária
TGV (zona sul de São Paulo), o Citroën C3 1,4-litro. Com 75 cv,
o carro fica um pouco mais lento, mas perfeitamente viável para
a cidade (o torque máximo é de 12,5 m.kgf). Só chama a atenção o
acabamento menos esmerado -- sem rádio e sistema de checagem --
que procura justificar o preço inicial de R$ 28,7 mil, sem
freios ABS.
Enzo Hussein - A Via
Europa trará ao Brasil um Ferrari Enzo, que ficará no
showroom da importadora. Se for vendido, o superesportivo
custará US$ 1,5 milhão. Ou seja, se algum brasileiro encontrar
Saddam Hussein e receber a recompensa de US$ 25 milhões, poderá
comprar 16 das 349 unidades produzidas em Maranello.
Flex o quê? - Esta coluna visitou, no último sábado, uma autorizada
Chevrolet da zona oeste de São Paulo à procura do
Corsa Flexpower. O modelo não estava disponível e ninguém tinha
informações a respeito — nem o "consultor de negócios" (com
direito a camiseta e cartão do cargo) que atendeu à reportagem.
Ah, o Flex... - Após entrar em uma salinha e consultar
alguém, o "consultor" voltou com as "informações": "O carro deve
chegar em 30 dias. Com ar-condicionado, direção hidráulica e
trio elétrico, deve custar R$ 37 mil. O Corsa a gasolina sai por
R$ 33 mil. Por ser bicombustível, ele sai um pouco mais caro".
Em tempo: segundo a General Motors, o Flexpower já está nas
revendas, pelo mesmo preço do modelo a gasolina.
Ajustando o Focus - Distribuidores Ford dão conta de que
os Fiestas 1,0 Supercharger e 1,6 com bolsas infláveis e sistema
ABS estão cada vez mais raros. A idéia é preparar terreno para o
Focus 1,6, com o mesmo motor de 98 cv, que chega nas versões
hatchback e sedã. Estima-se um preço de entrada de R$ 29
mil.
Humpf, o banco está vazio... - Toda animado, este
colunista adentrou um Volvo XC90 para experimentar, como fez há
quatro meses, no meio do mar Báltico congelado (na Suécia), o sistema de
telefonia do utilitário esporte. As ligações transoceânicas eram
completadas do meio do nada como se o interlocutor estivesse no
banco do passageiro do carro. No Brasil, o sistema foi
desabilitado. |
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Dar um perdido -
Para quem gosta de ralis, uma boa opção é o GPS V, que aceita
até 19 MB de download de CDs. Pesa 255 gramas e é à prova
d'água. Custa R$ 2.120. Mais informações no site da Maré Outdoor
(www.maregps.com.br), especializada em eletrônica embarcada.
No pára-brisa - A nova linha de palhetas Cibié Smart (da
Valeo) traz um selo indicador de desgaste que "avisa" quando é
preciso trocá-la. O indicador de desgaste é um selo (ou sensor)
que muda de preto para amarelo. O preço vai de R$ 30 (Ford Ka) a
R$ 70 (Chevrolet Zafira ou Citroën Picasso). |
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