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Entrevista "A frota de veículos piratas no Brasil chega a 30% em alguns Estados" Roberto Scaringella, da Scaringella Trânsito, especialista em segurança de tráfego
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ao fato
de respeitar a lei. Há 30 anos eles criaram um grupo interministerial
em que o coordenador tinha status de ministro e eles reformularam a
legislação. Você teve uma lei dura, uma Justiça rápida.O problema do trânsito não é ligado, como o brasileiro acha, ao de congestionamento. O congestionamento tem a ver com o nível econômico, com a taxa de motorização, com o desenvolvimento ou não do transporte coletivo, com as leis de ocupação do solo... O que caracteriza o problema sério de trânsito é que o número de vítimas é muito grande. AG – Esse número está em quanto? Scaringella – No Brasil está em um pouco mais de dez mortos por ano a cada grupo de 10 mil veículos. Isso na França deve ser entre dois e três. AG – Ou seja, morre-se até cinco vezes mais. Scaringella – É. AG – Isso tem a ver com a falta de educação, como parar em cima da faixa de pedestres? Scaringella – Tem a ver com vários problemas. Primeiro: a má formação do condutor. A auto-escola não forma. Ele é habilitado também de maneira precária. Vive também uma sensação de impunidade, que gera o desrespeito à lei, que gera uma atitude de risco, que gera o acidente. AG – A sensação de impunidade é confirmada inclusive pelo fato de os Detrans [departamentos estaduais de trânsito] não estarem integrados e, com isso, as multas não chegarem quando se usa placa de outro Estado... Scaringella – Também. Na lei de trânsito, que infelizmente não saiu do papel ainda, se diz que, caso o indivíduo seja pego fazendo racha, mesmo sem cometer acidente, pode ser processado criminalmente e detido por até 24 meses. Isso nunca aconteceu no Brasil. AG – Na última semana, saiu uma lista de milhares de pessoas que perderam a carteira de habilitação... Scaringella – Isso também não é uma verdade para o território nacional inteiro. Mas já é alguma coisa. Acho que a lei tem de ser cumprida. Mas eles estão perdendo por um tempo finito, não definitivamente. AG – Mas, se não há fiscalização, o que impede esses motoristas, que em geral atingiram 20 pontos no prontuário por cometer uma série de infrações, de passar a simplesmente andar sem carteira? Scaringella – Tem isso também. Um problema sério que acontece no nosso trânsito é que, dependendo da cidade e do Estado, entre 20% e 30% dos carros não são licenciados, não pagam multa, não pagam IPVA [Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores]... AG – É uma terra sem lei... Scaringella – A frota pirata que circula por aí é enorme. Quase um terço do total. Aqui em São Paulo já foi maior, mas ultrapassa 20%. Aqui e em Brasília também. Isso em geral. É que tem gente com mais multa do que vale o carro. Então ele corre o risco. Para regularizar essas pessoas, vai precisar ter o controle da frota. Um item pelo qual a gente está torcendo muito para que seja cumprido pelo governo é a inspeção veicular anual obrigatória. Outra é fazer uma ampla fiscalização por meio da identificação eletrônica do veículo. Isso um dia vai acontecer. |