|
Entrevista
"É mais seguro
dirigir no autódromo do que nas ruas de São Paulo"
Juliana
Carreira, piloto
Autogiro – Juliana, você enfrenta muito preconceito no
automobilismo pelo fato de ser mulher?
Juliana Carreira – É difícil, não vou dizer que é fácil você
estar na pista, sei lá, com mais 20 carros, 20 homens e só você de
mulher. Mas eu acho que o automobilismo é isso. A cada corrida você
tem um novo desafio. O preconceito existe, claro, não dá para dizer
que não. Os pilotos não aceitam que uma mulher ande na frente. Mas não
é nada impossível.
AG – Você poderia recapitular para a
gente em que categorias já correu?
Juliana – Em 1998 eu fui campeã brasileira de Fórmula Uno, em
99 de Copa Corsa, em 2000 eu fiz algumas etapas de Corsa também, em
2001 o [Rally dos] Sertões, em 2002 fiquei afastada e neste ano
também...
AG – Você já teve algum acidente grave?
Juliana – No Rally dos Sertões, o pneu de trás furou, eu entrei
numa curva forte, e o carro capotou. Mas voltamos para a corrida no
outro dia e fui eleita a piloto-revelação no rali.
AG – E tem muita cantada?
Juliana – Agora eu estou noiva.
AG – E de onde ele é?
Juliana – Ele também é piloto.
AG – Vocês se encontraram onde? Numa
batida?
Juliana (risos) – Não, na verdade ele corre na equipe do
meu pai. O nome dele é Vicente [Siciliano Jr.].
AG – As pessoas podem tirar o carrinho da
chuva...
Juliana – Exatamente.
AG – Quando é o casamento?
Juliana – Em dezembro
AG – Agora, voltando a essa coisa de
patrocínio: qual é o gargalo? O fato de ser tudo muito caro?
|

Mesmo as categorias mais
baratas são extremamente caras...
Juliana – Sim, é bem caro. Eu sempre corri com patrocínio. Fui
patrocinada pela Ipiranga, já fui patrocinada pelo Paulo Rebocho, que
é um empresário...
AG – E o que lhe dá tanta certeza de que
vai correr os Sertões do próximo ano?
Juliana – É que eu já tenho alguma coisa em vista, mas eu não
posso te dizer ainda. Mas já temos contatos com uma empresa grande...
AG – Só uma mulher obteve pontos na Fórmula 1 até
hoje, não? Inclusive esta é uma semana especial, porque o Rubens
Barrichello venceu o Grande Prêmio da Inglaterra. Você já pensou em
correr nessas categorias que são porta de entrada para a F-1?
Juliana – Para a F-1, eu digo que não. Mas de correr em
categorias turismo, há grandes probabilidades. De repente uma Stock,
algo assim.
AG – O que é mais perigoso? Correr em um
autódromo ou enfrentar o trânsito de São Paulo?
Juliana – Boa pergunta. Acho que em São Paulo. Na pista, a
estrutura toda está pronta para qualquer eventualidade. Nas ruas de
São Paulo, a gente não pode dizer o mesmo.
AG – Você já bateu o carro?
Juliana – Nunca.
AG – Nada?
Juliana – Ah, já de baterem atrás de mim, na traseira...
|